Estar confinado em uma casa
e ser alvo do julgamento nacional por praticamente três
meses é um teste de convivência social –
e por que não cultural também - inequívoco.
Por mais paradoxal que isso possa parecer, há bons
paralelos entre os níveis de pressão aos quais
os Big Brother Brasil são submetidos e os dos profissionais
focados em cumprir metas em suas organizações.
Na véspera de mais uma decisão do reality show
exibido pela TV GLOBO, que pelo sétimo
ano consecutivo bate seus recordes de audiência, fala-se
sobre sobre o personagem Alemão, sobre ética
e antiética, sobre quem sabe jogar ou não, sobre
quem é autêntico. Mas a discussão “bigbrothereana”
que permeia a área de Recursos Humanos é muito
maior.
Para o Diretor Executivo do Grupo LET, Joaquim Lauria toda
a variação de comportamento e a quantidade de
situações apresentadas pelos 16 participantes
durante o confinamento já são motivos que devem
chamar a atenção dos Gestores de Pessoas nas
organizações a fim de analisar o comportamento
de seus profissionais, aprender e compreender com o BBB melhores
formas para equilibrar seus egos, em situações
corriqueiras em meio a ambientes de pressão dentro
das empresas. O SITE DO GRUPO LET entrevista Lauria sobre
essa correlação interessante entre mercado de
trabalho e o “fator Big Brother Brasil”
SITE DO GRUPO LET - Esse BBB está marcando os maiores
recordes de audiências da história do programa.
No seu entender a que fatores se devem isso?
JOAQUIM LAURIA - O que percebi é que esta
edição do Big Brother Brasil foi realmente
acompanhada de perto por um público de um nível
cultural cada vez mais alto. Gente que nunca deu bola para
o BBB passou a discutir esse tema nas ruas. E, mais importante
do que isso, concluí que os profissionais de Recursos
Humanos, as psicólogas que trabalham com gente, podem
aprender com o BBB diferentes formas de se trabalhar com
gente que vive sob pressão. Como lidar com essas
pessoas. Todos que estão dentro da casa mais vigiada
do Brasil ficaram sob pressão, mesmo nas festas,
desde o primeiro dia. É interessante analisar como
e em quais condições as pessoas vão
rapidamente mudando de comportamento conforme o que vai
acontecendo dentro da casa. Elas acordam com uma convicção
e vão dormir, no mesmo dia, com outra completamente
diferente. Nos últimos quatro ou cinco paredões
venho observando umas pessoas são vingativas em seu
modo de ser e o quanto outros querem realmente apenas jogar,
tirando seus concorrentes “mais fortes”. E se
formos tirar um retrato desse Big Brother Brasil 7 ele não
é nada diferente daquilo que acontece dentro das
organizações. O dia a dia de muitas organizações
é mais ou menos aquilo.
SITE DO GRUPO LET - Tendo como referência o que aconteceu
ao comportamento das pessoas neste BBB7, o Gestor de Pessoas
tem que ter essa capacidade de avaliar o quanto pode variar
o comportamento de um colaborador?
JOAQUIM LAURIA - Tem que ter demais essa consciência
de variação. E aí você compara
os participantes do Big Brother Brasil com os colaboradores
de uma organização. Uma coisa é um
profissional livre, leve e solto, realizando um trabalho
sem uma meta definida; outra bem diferente é estar
sob pressão de tempo, de julgamento das pessoas.
Já na casa do BBB essa pressão coloca a pessoa
em um dilema de não saber se vai para o lado do jogo,
o lado da amizade, o lado de seus valores pessoais. Nas
organizações, diariamente, esse trabalho de
equipe é decisivo para se obter um resultado de acordo
com a expectativa dos diretores do negócio e dos
próprios profissionais. Um determinado profissional
pode passar a outro de sua equipe o trabalho de forma redondinha,
bem feita ou pode passar algo capenga. Isso vai determinar
o resultado.
SITE DO GRUPO LET - E o que o Gestor de Pessoas pode fazer
para equilibrar esse meio de campo?
JOAQUIM LAURIA - Se houvesse um Gestor de Pessoas
dentro do Big Brother Brasil 7 a finalidade do jogo se perderia
porque lá na verdade queremos testar as pessoas e
suas reações diante do isolamento total. Mas
eu penso que em uma organização, quando um
gestor identifica um desequilíbrio como houve neste
BBB7, ele tem que baixar a adrenalina desses grupos para
que eles acabem falando a mesma linguagem. O gestor aqui
funciona como um termômetro, esfriando quem está
quente demais e esquentando quem está frio demais.
Porque empresa é equipe e a equipe tem que vencer
unida, harmônica. No Big Brother é cada um
por si´, ou seja, a “equipe” de lá
é cada um individualmente. Cada um é que precisa
buscar o seu equilíbrio. Há vários
níveis de comportamento entre os participantes do
BBB7. Há por exemplo aqueles que somente assistiram
ao programa como o Bruno. É um ótimo rapaz,
mas não teve nenhuma participação polêmica.
Mas daqui a alguns meses ninguém se lembrará
de algo que ele fez na casa e sequer que participou do BBB7.
Os grandes protagonistas na verdade foram o Alemão
(Diego) e o Caubói (Alberto), ambos com a personalidade
muito forte, algo exigido pelas organizações.
Não vamos aqui discutir a ética de ambos.
SITE DO GRUPO LET - Que paralelo você traçaria
entre a situação do Alemão de ter que
conviver em meio à pressão de cinco pessoas
antagônicas a ele e a do gestor de pessoas que enfrenta
um clima hostil em sua organização para implantar
suas idéias?
JOAQUIM LAURIA - Nas empresas também há
o duelo de um profissional ético com vários
profissionais que não primam por este tipo de atitude.
Só que eu acho que dentro das organizações,
o Gestor de Pessoas têm que ser capaz de conviver
com esses dois lados, não se importando com qual
deles está em maioria ou minoria. E ego é
muito alto nas organizações, cada um quer
ser maior do que é e maior do que a cadeira na qual
se senta, mas isso é normal do ser humano.
SITE DO GRUPO LET - Como se equilibrar em uma corda bamba
entre aquilo que se é e aquilo que os outros querem
que você seja?
JOAQUIM LAURIA - O gestor tem que estar capaz para
isso o tempo todo, pois o profissional muitas vezes não
vê que não tem background ou a expertise necessária
para ser aquilo que quer ser. Alguém tem que dizer
isso a ele, com muito jogo de cintura. Acho que o profissional
tem que ser autêntico acima de tudo. Ele vai tomar
muita cacetada porque autenticidade tem um custo, mas certamente
ele leva vantagem sobre aquele que trabalha em cima de uma
imagem de si mesmo que não é verdadeira. Porque
este não consegue se manter em cima da mentira. Você
pode se manter autêntico e conservar sua identidade
mesmo se adequando ao seu grupo de trabalho. Os autênticos
conseguem sempre chegar ao final do um trabalho com uma
imagem positiva sob todos os pontos de vista.
SITE DO GRUPO LET – Então assim como o BBB
a nossa vida nas empresas ensina isso, que não adianta
você fazer um jogo para ficar muito tempo na empresa
se não é bem visto pelo mercado, ou seja,
não adianta fazer um jogo para sem bem visto na casa,
se você é mal visto fora dela, não é?
JOAQUIM LAURIA - Sim, este é um paralelo fundamental,
uma visão puxa a outra. Não há como
se fazer as coisas diferenciadas, fazendo jogo de cena na
organização se realmente você não
tem a competência para aquilo. A mesma coisa acontece
na casa do BBB, alguns fazem jogo de cena e se imaginam
fortes, mas eles não têm idéia daquilo
o que o público que é quem decide o jogo está
pensando. Na vida profissional é o mercado quem decide
esse jogo. Isso nos mostra porque aquelas empresas que se
fecham muito acabam perdendo em relação à
concorrência. Elas precisam olhar para o mercado e
se preocuparem sim com o quê o mercado acha delas.
Nenhuma empresa pode achar que tem um grande produto se
o mercado assim não o considerar. É igual
ao que acontece no BBB. Então é por isso tudo
que o Alemão, mesmo com algumas aberrações
levou vantagem sobre os demais porque de qualquer forma
ele acaba ser o mais autêntico dentro da casa.
SITE DO GRUPO LET - Você analisou um personagem.
Outra figura polêmica da casa foi a Analy; uma personagem
que se transformou constantemente para poder se manter na
competição. Como você analisa esse tipo
de conduta para uma organização empresarial?
JOAQUIM LAURIA - Este profissional não é
bom para uma organização porque justamente
não se consegue prever que tipo de atitude ele pode
tomar. Uma organização prefere um profissional
transparente em suas atitudes. Se o sujeito for um cara
subalterno, que anda aqui e se esconde ali, é complicado
para uma organização.
SITE DO GRUPO LET – No BBB há câmeras
observando os participantes por todos os cantos, já
em uma empresa geralmente não temos isso...
JOAQUIM LAURIA
- Em uma empresa as câmeras respondem pela consciência
de cada um. Cada um tem que estar constantemente se monitorando,
se observando, para analisar como está se comportando
em um todo. Cada profissional tem a sua capacidade de fazer
uma autocrítica para se ajustar, se necessário,
sem que o seu superior tenha que lhe dizer o que fazer. Porque
dentro de uma organização, assim como dentro
do Big Brother Brasil as coisas mudam muito a todo instante.
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