ENTREVISTA

Mai-23-2011

Superando seus Medos nas Alturas
Entrevistamos Ruy Marra, precursor do voo duplo no país e introdutor de um método que vem fazendo muito sucesso no meio corporativo

Por Alexandre Peconick (texto) Fotos: Divulgação

Ruy Marra (na foto, com o capacete vinho) levou a vivência do vôo duplo ao CEO da empresa Moksha8, Mario Grieco (na foto, de camisa quadriculada), um ex-piloto de stock car que nunca tinha passado por esta magnífica experiência

     Ao longo de quase duas décadas ele já levou mais de 30 mil pessoas a experimentar a experiência de ser um pássaro, voando de asa delta ou de parapente – pára-quedas que se abre a alça voo do alto de uma montanha.

     Muito mais do que isso, o carioca Ruy Marra trabalha com a superação do medo de cada uma dessas pessoas e a conquista de novas competências emocionais por meio do voo livre. Pioneiro do voo duplo no Brasil, em 1982, ele descobriu, aos poucos, do alto de um penhasco de 520 metros, que cada pessoa tem o seu histórico de medo e que os elementos do voo livre aceleram e, de certa forma, potencializam, a superação desse medo.

     "Observei em 20 mil pessoas a forma como elas lidavam com a rampa, como a adaptação a um novo relacionamento; quando um passageiro vai voar comigo ele não me conhece, então aprende a desenvolver uma comunicação clara, para alcançar o seu objetivo, ou seja, trabalho de grupo. Estamos falando de adaptação para lidar com a tênue fronteira entre a vida e a morte. A forma como ele vai vencer essa corrida na rampa para a decolagem envolve treinamento, relacionamento, confiança. Quando a pessoa entra em vôo tem uma recompensa emocional muito forte, por ter trabalhado as questões de relacionamento interpessoal, os modelos, os mapas mentais antigos são transformados. Por meio da situação do vôo a pessoa refaz o seu modelo mental rapidamente.", confirma Ruy.

     Segundo ele, há uma estatística que diz: quando você assiste a uma palestra a retenção da informação é no máximo de 9%, já quando o treinamento é vivencial a retenção da informação é de até 90%.

     "Quando você consegue aliar o treinamento do voo, que está no inconsciente coletivo do ser humano, à sua rotina de trabalho, constrói uma série de competências emocionais que te capacitam para novos desafios. É como se fosse um renascimento que acontece nos cinco segundo entre o início da corrida na rampa e a decolagem; é como se você estivesse saindo do ventre de sua mãe", assegura ele, que, para embasar suas observações com conhecimento tácito fez, em 1996, um curso de BioPsicologia (que incluiu amplas noções de Neuro-Fisiologia) com a Dra. Susan Andrews do Instituto Visão do Futuro.

     "Queria entender qual era a estrutura do corpo responsável por administrar os sentimentos de medo no momento da decolagem do vôo livre", explica Ruy, um ex-advogado. Ele acabou desenvolvendo uma pesquisa que identificou porque os passageiros que falavam "não vou correr", corriam. Algumas dessas experiências estão descritas em seu livro "Decolando para a Felicidade".

     A BioPsicologia, no entanto, foi só uma ferramenta para entender o mecanismo de gestão do estresse. O aprendizado foi na prática. Muitos anos mais tarde, Ruy percebeu que seu trabalho seria de extrema utilidade para empresas de diversos segmentos, afinal hoje não são poucos os profissionais de Gestão de Pessoas que se preocupam com a gestão do estresse porque perdem muita gente com isso, seja pelo absenteísmo e até pelo presenteísmo – pessoas que vão trabalhar, mas sem a mínima condição física ou emocional de estarem lá. Até que ele encontrou o Dr. David Servan-Schreiber – autor de "Curar e Anticâncer", neuro-psiquiatra e neuro-cientístista da Universidade de Carnegie Mellon, francês (orientado em seu mestrado pelo Herbert Simon, que é o pai da Inteligência Artificial) – que o sugeriu escrever um livro sobre essas vitórias sobre o medo.

"Quando temos a convicção o não se torna um sim e o tempo não existe", costuma dizer Ruy em suas inúmeras palestras como fruto de sua vivência intensa na superação de limites.

Também fundou a Superar Consultoria há quatro anos, já tendo atendido a organizações como a Marinha do Brasil (batalhão de operações especiais, onde sou o consultor), uma empresa indiana chamada de Moksha8 (grupo farmacêutico – utilizamos o vôo de parapente para aprimorar o trabalho em equipe). A alta gestão desta empresa levou 25 executivos para viver a experiência do voo livre.

SITE DO GRUPO LET - Por que a relação entre a BioPsicologia e o voo livre?

Ruy Marra - Queria entender, se você tiver a rampa de decolagem como uma metáfora, a forma como cada um lida com os seus desafios, com as suas metas. Comecei a maximizar a reação dos meus passageiros na vida de cada um deles. Observava batimento cardíaco, respiração, performance cognitiva (pessoas falavam "não vou correr" e corriam), todo o comportamento até o momento da decolagem. Divido o indivíduo em dois aspectos: o mais resistente ao estresse e o menos resistente ao estresse. E o que vai separar esse indivíduo é o que chamo de reserva emocional.

SITE DO GRUPO LET - O que é isso?

Ruy Marra - Na minha pesquisa encontrei pessoas às quais seus pais negociaram com eles responsabilidade com valoração e criavam um suporte emocional como se fosse um amortecedor que em uma viagem impede que o "carro" saia do prumo. Esse reserva emocional é como se fosse um dinheiro. Já as pessoas mais estressadas emocionalmente tiveram, além de traumas específicos, pai que não negociavam responsabilidade com amor. E quando não se desenvolve uma negociação com uma criança, essa criança ao se transformar em um adulto terá uma baixa autoestima e um baixo protagonismo. O protagonismo do adulto é formado desde a mais tenra idade. Poucas pessoas tiveram a oportunidade de permear esse comportamentio, lidando com a fronteira entre a vida e a morte e depois investigando isso.

SITE DO GRUPO LET - E de que forma o passo a passo do vôo dá a oportunidade da pessoa voltar a esse passado e vencer esse obstáculo que lhe traz o medo?

Ruy Marra – Primeiro, o facilitador, no caso o piloto, precisa ter uma sensibilidade para entender o indivíduo como único. Dessa forma, não se pode dar o mesmo tipo e intensidade de estímulo para todos, da mesma forma. A música no carro e o papo são diferentes. Basta imaginar que cada um tem um cérebro emocional, dentro do racional. Trabalho desde o aroma, do perfume de eucalipto (um cheiro energizante), passando pela música, até as palavras e o jeito de pronunciá-las com cada pessoa. São artifícios que me servem como aliados para entrar e entender o universo de cada um. Por exemplo, quando um cachorro encontra um outro ou alguém, ele cheira. Quero comunicar ao meu passageiro ou cliente: vou cuidar de você, pode ficar tranqüilo. Um passageiro meu era um senhor americano que tinha sido combatente na 2ª Guerra Mundial. Pesquisei o tipo de música que mais lhe agradaria, que o estimularia e comprei um CD de Glenn Miller. Trabalhei as emoções dele.

SITE DO LEITOR - Conte para o internauta o seu trajeto com cada passageiro...

Ruy Marra - Vou buscar o passageiro na praia de São Conrado e o conduzo de carro até o alto da Pedra da Gávea. É um trajeto de 20 minutos. A música mexe no ego da pessoa. Analisando a estrutura físico-química do ser humano temos um eixo, ao qual chamo de Eixo da Felicidade que fica entre as glândulas hipófise e a supra-renal, que coordena 1.400 reações físico-químicas em menos de três segundo. É o eixo da adaptação, que tantos especialistas o chamam de "Equilíbrio Dinâmico"...mas sem identificá-lo fisicamente. A forma como você coordena essas 1.400 reações será a sua capacidade de se adaptar às novas situações. Há três maneiras para você se comunicar com esse eixo: pelo aroma, pela emoção e pela lingüística, que é o racional. Esta última é a que menos funciona.

SITE DO GRUPO LET - Quer dizer, é melhor falar pouco e sentir mais...

Ruy Marra – Sim! Por isso é que eu uso muita a música. Conforme o contato que tenho com o passageiro na praia, ou seja, os cinco minutos de bate-papo, defino a leitura do perfil daquela pessoa. Tenho uma vasta variedade de músicas no carro, até mesmo música indiana.

"Quando temos a convicção o não se torna um sim e o tempo não existe",
Ruy Marra

SITE DO GRUPO LET - E dá tempo para você em cinco minutos já fazer um mapeamento do perfil dessa pessoa?!

Ruy Marra - Em 20 anos você aprende. E estamos falando de Gestão de Pessoas para alto rendimento. Porque eu tenho que fazer uma pessoa correr em 18 metros a uma velocidade de 19 km/h.

SITE DO GRUPO LET - A pessoa vive uma situação inesperada não é?

Ruy Marra - Sim. E por isso eu fiz esse "tratamento" para aumentar a segurança de cada pessoa em uma operação de voo livre. E tem tanta eficácia que acabamos ganhando um prêmio de inovação por esta tecnologia em edital da Prefeitura do Rio de Janeiro em 2007. Essa verba do prêmio veio para a PUC-Rio para gerarem produtos, como a Superar Consultoria, fazendo nascer a metodologia de Gestão de Pessoas sob Estresse.

SITE DO GRUPO LET - Mas como transferir, ou transpor, toda a atividade que acontece em uma rampa de lançamento para a atividade empresarial? Que tipo de situação é oferecida na empresa? Qual é o diferencial?

Ruy Marra - Nosso grande diferencial vem do fato de que esta técnica surgiu de uma experiência real lidando com a vida e a morte de mais de 30 mil pessoas. Segundo a parte do conhecimento da neurofisiologia compartilhamos com a empresa sintomas psicossomáticos do que pode estar acontecendo aos colaboradores daquela empresa.

SITE DO GRUPO LET - Certos medos que a pessoa vivencia no ambiente e em sua rotina de trabalho podem realmente ser superados após um vôo duplo de parapente ou asa delta?

Ruy Marra - Podem ser vencidos, mas não necessariamente apenas o vôo é o nosso produto. O vôo é uma das situações. A nossa expertise é fazer uma capacitação fisiológica do colaborador (para lidar com suas reações físico-químicas) por meio de palestras de sensibilização, treinamentos dessas posturas, nos quais o colaborador aprende a perceber o corpo em duas situações: por exemplo, peço a uma pessoa para fechar os olhos e falar: eu tenho um problema! E aí sentir o que acontece no corpo dele. Depois peço para ele falar: eu tenho uma oportunidade! Ele aprende a perceber o que pode provocar a força de suas palavras.

SITE DO GRUPO LET - Em seu livro você também fala sobre treinamento para respiração, certa vez um consultor disse ter observado que, na maioria das organizações, as pessoas falam demais e não param nem para respirar, e se não respiram, não raciocinam direito...Fale sobre a importância desse treinamento...

Ruy Marra - Do ponto de vista fisiológico, nossa capacidade de respiração é de seis litros de oxigênio. Normalmente só utilizamos dois litros. Quando você não respira adequadamente não retira o gás carbônico suficiente dos músculos inter-costais, no abdômem. Quando isso acontece seu coração é obrigado a trabalhar mais rápido e acaba entrando em um "modo de segurança" ou estresse crônico. Isso faz o organismo perder performance cerebral, mas ganhar em performance animal.

SITE DO GRUPO LET - E você começa a se acostumar com algo que te traz problema e, o que é pior, não percebe isso como um problema não é mesmo?!

Ruy Marra - Sim. Na Superar temos um software que mede esse estresse crônico a partir de um sensor que mapeia a comunicação entre o coração e o cérebro. É possível treinar isso. Ao medir, podemos identificar o quanto cada um precisa trabalhar para vencer esse problema. Hoje a Superar Consultoria está trabalhando junto com a PUC-Rio e o departamento de neurociência da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), desenvolvimento aplicativo para smartphone nos quais pode se treinar o músculo emocional junto com o celular. O que é isso? Por exemplo: Você pode ter um baixo batimento, mas ele pode estar em um caos cardíaco. A forma como está pulsando pode estar irregular. Por meio de uma rotina de exercícios e de respiração você começa e desenvolver esse músculo emocional. A Superar conta com um engenheiro de produção que está fazendo a biometria, a Adriana Thomé, e o Rafael Zaremba, psicólogo da PUC-Rio, dá aula de psicologia esportiva e empreendedorismo, dá aulas de dinâmica de grupo. Temos também professores de ioga, de meditação, médicos, um clínico geral, massagistas.

SITE DO GRUPO LET - Fale- nos um pouco sobre o programa produtividade sustentável que vocês desenvolvem...

Ruy Marra – É um programa de sete módulos. Imagine uma empresa que tenha pessoas produtivas, mas que em um determinado momento entrem em ritmo de fadiga. Esse nosso programa contempla muito a parte bioquímica do colaborador. Sendo assim, logo no primeiro módulo trabalhamos oficinas de respiração dentro da empresa para fazer com que esse colaborador não entre em processo de fadiga.

SITE DO GRUPO LET - Dois colaboradores que atuem juntos, diariamente, em um mesmo setor de uma empresa, se a respiração deles estiver no mesmo ritmo e em sintonia, o trabalho deles naturalmente irá ter um rendimento maior do que se não estiverem em respiração harmônica?

Ruy Marra – Provavelmente sim. Primeiro porque uma respiração correta vai permitir uma performance cerebral mais eficiente. A respiração é o primeiro alimento. No segundo módulo desenvolvemos atividades aeróbicas. Ele é um atleta corporativo. Ele precisa estar preparado para uma plataforma de produção sem ter queda de resultado, sem ter queda na qualidade de vida. Temos também a questão do desenvolvimento de laços afetivos – dinâmicas que permitam ao colaborador aprimorar o seu auto-conhecimento, servindo como suporte ou antídoto ao excesso de adrenalina no sangue (responsável por várias patologias como Alzheimer, câncer, Mal de Parkinson, depressão, diabetes).

SITE DO GRUPO LET - Quando você se refere a laços afetivos, está falando de Harmonia entre as pessoas?

Ruy Marra – Exatamente. São dinâmicas que vão esclarecer que as posições na empresa não precisam estar em competição, ou seja, que elas podem ser complementares. Vai ficar mais claro também um entender o espaço do outro e quando esses espaços podem ou não convergir para que não haja um mal entendimento sobre a personalidade de cada um. As dinâmicas conseguem trazer traumas passados para o presente ajudando a pessoa a entender na prática como lidar com isso. O "eu não vou com a cara de alguém", pode ser alguma coisa na fala dessas pessoas, por exemplo, que o faça lembrar, da voz de um irmão mais velho que batia em você quando você era criança. Daí a importância do desenvolvimento de laços afetivos. Um dos módulos é a questão de você encontrar um significado maior para a sua vida.

SITE DO GRUPO LET - Fala um pouco sobre o grande evento que a Superar realizou no inicio do mês de maio no qual levou executivos para a vivência da experiência do vôo livre...

Ruy Marra - Começamos com uma palestra de sensibilização com a alta gestão, com a equipe de vendas, no interior de São Paulo. Foram dois dias de expectativa. Voamos com 80 pessoas vencendo o medo. Só a parte de comunicação – "vocês têm que acordar às quatro horas da manhã" – já foi um grande desafio para nós.

SITE DO GRUPO LET – Voa com um alto executivo de empresa é diferente?

Ruy Marra - Voar com alto executivo tem muita diferença do que voar com um profissional comum. A performance na rampa, o nível de compreensão do trabalho de equipe e o esforço dessa pessoa na corrida são outros. A forma delas lidarem com um evento desconhecido é diferente do que a daquela pessoa que de repente a de um colaborador que não tenha uma capacitação emocional tão desenvolvida. E eu consigo ver isso de imediato. Na rampa "as máscaras caem"!

SITE DO GRUPO LET - O que um presidente de empresa que "vai de despencar lá do alto" pensa, o que costuma dizer?

Ruy Marra – Já voei com vários CEOs, por exemplo, com o da American Express International. Foram 300 IPOs com os quais já voei. A forma como ele se relaciona com a adaptação, ele de imediato questiona: o que eu preciso fazer? Qual é o meu objetivo? A parte mecânica, de movimento costuma ser muito precisa, pois o poder de concentração de um CEO, em geral, é muito alto. O protagonismo é muito grande.

SITE DO GRUPO LET - E o quê eles normalmente levam de feedback para as suas gestões nas empresas? Eles te passam isso?

Ruy Marra – Passam. O diretor comercial me disse: "a minha equipe precisa voar, precisa viver isso". Em termos de valor ele ganha mais autoestima, mais autoeficácia, mais protagonismo. Percebo que as lideranças com as quais tenho voado, são de característica servidora, pois querem compartilhar isso com os liderados.

SITE DO GRUPO LET - Você já viajou para India, China, oriente?

Ruy Marra – Não, mas já tiver mestres hinduístas que já moraram comigo e eu freqüento uma instituição indiana na qual convivo com muitos mestres indianos. A espiritualidade é um fator de soma muito interessante com o aspecto físico-químico. Muito! Eu evito falar de espiritualidade nas empresas, mas por meio de exercícios e vivências os gestores e os liderados percebem as diferenças. Não é preciso falar de espiritualidade, pois a razão informa, mas a emoção transforma.


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