ABRH-RJ
Fev-08-2010

Joaquim Lauria assume Diretoria de Relações com Órgãos Representativos Sindicais da ABRH-RJ Nacional
Conheça suas ideias para o cargo nesta entrevista

Por Alexandre Peconick (texto e foto)


Lauria – “A arte de negociar é um aprendizado contínuo”

     O Diretor Executivo do Grupo LET Recursos Humanos assumiu no último dia 15 de janeiro a Diretoria de Relações com Órgãos Representativos Sindicais dentro da nova gestão de Leyla Nascimento, Presidente da ABRH-Nacional.

     Trata-se de um renascimento e um sopro de esperança para as organizações brasileiras em suas reivindicações de melhoria nas relações entre patrões e empregados.

     Por quê? Joaquim Paulo Lauria da Silva, 62 anos, tem quase três décadas de variadas experiências de negociação nas áreas Sindical e Trabalhista. Graduado em Administração e Arquitetura, com três pós-graduações (em Engenharia Econômica, RH e Marketing); Lauria sempre esteve no lugar certo, no momento histórico quando o papo é “mesa de negociação”.
“Já negociei, como representante da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com o então metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva (hoje Presidente da República)”, lembra o Diretor Executivo do Grupo LET Recursos Humanos.

     Como Superintendente de Relações Industriais do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados) Lauria foi decisivo na concretização do primeiro acordo coletivo de trabalho pós-regime militar. Atuando pela Natron Engenharia, nos anos 80, montou o Sindicato Patronal das Empresas de Engenharia. “Além disso, nessa época passei a viajar o Brasil inteiro para incutir a cultura de negociação nas pessoas; porque negociar não é só no trabalho, é em casa com a mulher e os filhos; precisamos exercitar a cultura do acordo que pressuponha concessões de ambos os lados”, argumenta o novo Diretor de Relações com Órgãos Representativos Sindicais.

     Executivo de ações firmes e eficazes, Lauria tem ainda excelente trânsito junto aos dirigentes do SINDIPRESTEM e da ASSERTTEM, instituições que tem boa penetração junto ao governo.

SITE DO GRUPO LET – Qual é a importância do renascimento desta Diretoria e do seu papel dentro dela na ABRH-Nacional?

Joaquim Lauria – Estamos ainda montando o nosso planejamento, mas terá mais ou menos a seguinte linha: vamos nos aproximar novamente do Ministério do Trabalho. É vital que a ABRH-Nacional como organização representativa de um grande número de empresas de peso ter uma representatividade em algumas Comissões e Conselhos do Ministério do Trabalho. Exemplo: terceirização de pessoas, mudança agora do SAT que teve de Seguro de Acidentes do Trabalho, entre outros. A ABRH-Nacional já teve esta cadeira no passado e é fundamental que volte a ter em pouco tempo. Vamos colher a opinião dos nosso associados, procurar sintetizá-la e, sobretudo, mostra-la com clareza ao Governo que algumas coisas não podem ser legisladas “por trás da mesa” e sim escutando um número muito maior de interessados em cada tema.

SITE DO GRUPO LET – Então a ABRH-Nacional, por meio do seu trabalho, será um importante canal para aquelas empresas que não podem enviar seus representantes à Brasília?

Joaquim Lauria – Sem dúvida. E nem tem como todos os nossos associados estarem enviando gente à Brasília. Mas este, observe, é somente o primeiro passo. O segundo é fazer uma aproximação da ABRH-Nacional e de nossas seccionais com os sindicatos patronais que tenham peso e representatividade não apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, como em outros estados do Brasil. Queremos auxiliar os outros estados nos aspectos da macro-economia em termos de acordos coletivos. Vamos mapear os acordos coletivos em âmbito verdadeiramente nacional para fornecer informações às ABRHs em cada Estado para que estas possam ajudar os empresários e gestores locais.

SITE DO GRUPO LET – E a tentativa de aproximar o discurso da classe patronal com o discurso da classe trabalhadora; esta filosofia também fará parte de suas atribuições à frente da nova diretoria?

Joaquim Lauria – Isso não é muito fácil. Esta aproximação vinha se fazendo antes do primeiro governo Lula. Mas o atual governo federal prestigia demais a classe trabalhadora, um pouco além do que seria o razoável. Nada contra os trabalhadores, mas há que se ver os dois lados da questão. Vamos tentar alguns diálogos, com alguns sindicatos da base de empregados, mas na prática é muito difícil um entendimento enquanto o governo federal mantiver a atual linha de não querer escutar os sindicatos patronais.

SITE DO GRUPO LET – A negociação é sempre um caminho mais desejável economicamente e moralmente do que um processo na Justiça...

Joaquim Lauria – Sim. Apesar da terminologia usada pelas partes não ser assim tão idêntica, tem diminuído bastante o número de dissídios coletivos e como o país vem em um crescimento, que embora pífio, é um crescimento as empresas têm procurado dar aos trabalhadores realmente um pouquinho além daquilo que pedem os sindicatos e com isso tem saído mais acordos do que dissídios. Na verdade esta é uma tendência mundial, mesmo porque o acordo é algo muito próprio de cada segmento. Não se pode querer que o segmento de Telecomunicações trabalhe com as mesmas cláusulas da área Automobilística, por exemplo, ou do que a área de Varejo. Se cada um entender que dentro desse espaço precisamos fazer cada ação pensada e seu tempo, a seu modo, vamos dar um salto qualitativo. Mas o sucesso deste meu trabalho junto aos segmentos vai depender muito da boa vontade do governo em não ditar regras sem escutar ninguém. Infelizmente o que temos visto são muitas medidas provisórias que depois precisam ser rediscutidas, refeitas. Vamos tentar também auxiliar para que se diminua este tipo de desgaste.

SITE DO GRUPO LET – E qual será o seu primeiro passo à frente desta diretoria?

Joaquim Lauria – Vou realizar alguns passos ao mesmo tempo, em paralelo. Primeiro vou procurar o Ministério do Trabalho. Temos uma ligação grande com o Secretário de Relações do Trabalho. Vou procurá-lo, me apresentar a ele e expor o que pretendemos realizar. Vou tentar identificar juntos as ABRHs nos Estados quais foram os principais acordos feitos para que saibamos em que pé está cada Estado. Vamos incentivar a troca de informações trabalhistas entre os Estados. Esta deve ser uma prática muito comum daqui em diante. Um acordo sindical nada mais é, aliás, do que uma grande troca. Quero fazer da ABRH-Nacional um verdadeiro “banco de dados trabalhistas”. Porque na verdade atualmente não temos nada ali. Não temos ideia de quantos acordos aconteceram.

SITE DO GRUPO LET – Então você vai partir quase do zero?


Joaquim Lauria – Por instruções de nossa estimada Presidente (Leyla Nascimento), só podemos olhar o passado quando há um grande trabalho solidificado. Mas infelizmente não há nada. Não foi nos passado nada. Vou trabalhar ao lado dos outros diretores para que troquemos muitas ideias. Vou fazer o meu trabalho de casa que envolve muita negociação entre poder público e privado.

SITE DO GRUPO LET – E isso em ano eleitoral é complexo?

Joaquim Lauria – De fato; mas se esperarmos “a época boa” vamos acabar não fazendo nada. Não posso depender da cabeça do novo governo para estruturar o trabalho da Diretoria. O que vamos reivindicar independerá de quem estiver lá. Precisamos cobrir as necessidades de nossos associados independente de onde eles estejam e de com quem precisar falar para alcançar sucesso. Esse é o ponto fundamental.

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