PRESSÃO PSÍQUICA
Out-19-2009
O que é PRESSÃO PSÍQUICA e como lidar com ela..
Com a palavra Hellen Martins, Gabriela Canella, Joana Benito, Monique Paiva e Verônica De Cicco, Analistas de RH do Grupo LET
Por Alexandre Peconick (texto)


As Analistas de RH entrevistadas por nossa reportagem. Da esquerda para a direita Gabriela Canella, Veronica De Cicco, Hellen Martins, Monique Paiva e Joana Benito

    Pressão Psíquica é um tema que transborda mesmo e exatamente por isso sai das páginas de NEWSLET e ganha a opinião de cinco das Analistas de RH do Grupo LET: Hellen Martins (Coordenadora de RH da Matriz), Joana Benito, Gabriela Canella, Joana Benito e Verônica De Cicco.

Mesmo porque, diariamente elas lidam com um universo de candidatos oriundos das mais diversas culturas e condições de vida. Cada um deles submetido às suas próprias pressões. E elas mesmo, as Analistas de RH, são naturalmente submetidas a pressões “inerentes à atividade”, como admitem em entrevista a esta reportagem.

Hellen, Monique, Verônica, Gabriela e Joana leram atentamente a reportagem principal de NEWSLET e reforçam aqui, com suas vivências diárias sobre o tema que a Pressão Psíquica ou, “saber lidar com ela” é um diferencial de fato valorizado pelo mercado.

A quantidade de informações de qualidade que obtivemos, aliás, deixa claro que “ser inerente à atividade”, é o único ponto de unanimidade entre elas. Afinal, como já dizia o sábio escritor Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra!”.

Os depoimentos abaixo devem ser entendidos pelo internauta como uma importante contribuição para entendermos e aplicarmos esse entendimento em nossas relações afetivas e profissionais. Boa leitura!

REPORTAGEM SITE DO GRUPO LET – Perguntamos às Analistas de RH do Grupo LET Recursos Humanos: Mas, afinal, o que é a Pressão Psíquica e como este termo impacta em sua vida pessoal e atividade profissional?

Monique Paiva – “A Pressão Psíquica é principalmente um conflito entre o que a pessoa quer e acredita ser possível conseguir, suas crenças e desejos, com o que o ambiente quer e espera. Hoje essas contradições são mais mutáveis do que eram antes. Penso que os tipos de pressão que incidem sobre a pessoa variam muito, por exemplo, no trabalho, um gestor quer uma coisa, outro gestor da mesma empresa pensa diferente sobre este projeto; de repente este projeto muda. Pessoas hoje precisam ter velocidade de adaptação a ambientes muito diferentes. Isso é uma forma pressão.

Temos que trabalhar em nós a capacidade de nos adaptarmos às mudanças. Antes as pressões eram mais estáveis e melhor definidas, então a adaptação é mais fácil. Hoje a rotatividade de competências para um cargo é muito grande. Isso sempre é preocupante, mas as pessoas precisam ter noção e realmente saber trabalhar isso dentro delas.

Costumo perceber sim se uma pessoa está passando por determinada pressão em uma entrevista para emprego. O que nós recrutadores temos que tomar cuidado no momento em que avaliamos candidatos em processos seletivos é a informação sobre onde aquela pessoa terá que se adaptar e o que ela está buscando. Muitas vezes uma pessoa está buscando um emprego qualquer, apenas “porque quer dinheiro, quer aquele emprego”. Só que temos o cuidado de antever se aquela pessoa vai se adaptar ao ambiente da empresa que abriu a vaga em questão. Por exemplo, se é um ambiente que exige muito dinamismo, pro atividade e pessoas que sejam rápidas e a pessoa é muito calma, por mais que tenha tecnicamente condições, vai entrar em um ambiente no qual não vai se adaptar. Isso é muito ruim! E se é uma pessoa dinâmica e vai para um local que exige calma e silencia a pessoa vai se sentir um peixe fora d´água. A pessoa que sabe se avaliar, evita sofrer pressões. Ninguém deve tentar ser aquilo que não é.

No meu caso eu lido de forma tranqüila com pressões. Tenho consciência de quais são as minhas expectativas e as expectativas alheias. O ideal é ter em mente que não devo abrir mão daquilo que eu realmente sou. Toda experiência de vida é válida e procuro aprender com elas.”

Hellen Martins – “A pressão psíquica revela a existência de ações externas que atingem o ser humano. O tempo todo somos atingidos por isso. Ter resistência e maior facilidade para lidar com pressões externas costuma ser algo muito bem visto pelo mercado. Em qualquer área você hoje tem que ter ene características de flexibilidade, pro atividade e multifuncionalidade. As pessoas hoje têm que ser mais rápidas, as informações chegam o tempo todo. Trazendo para a nossa realidade; todos os nossos clientes “querem tal vaga fechada para ontem”; não querem saber se temos problemas em casa ou se aqui estamos atendendo a cinco clientes ao mesmo tempo. Isso não importa.

A dica para quem não consegue suportar a pressão varia de pessoa para pessoa, mesmo porque somos um somatório de experiências desde que nascemos, onde fomos criados, o ambiente em que vivemos. Ene fatores constroem nossa personalidade. Cada um tem uma personalidade distinta. As pessoas são diferentes e isso precisa ser respeitado. Mas se a pessoa não tem estrutura para suportar pressão e está no nível doentio, precisa buscar uma terapia.

Mas o nível de pressão psíquica aqui no Grupo LET é diferente. Para lidar com ele sempre sugiro às Analistas de RH buscar uma válvula de escape. Fora do ambiente da empresa, que busquem amigos, conversem outras coisas, desliguem um pouco do trabalho. Desconecte! Não podemos viver só para o trabalho. Ao pisar aqui, pensamos nos problemas da empresa. Desconectar ajuda muito a estarmos equilibrados diante de pressões às quais somos submetidas no momento em que estamos “conectadas”.

Do ponto de vista dos profissionais que entram no mercado (e isso também passa pela nossa responsabilidade), se o processo seletivo inclui uma dinâmica de grupo, identificamos como a pessoa se comporta dentro do convívio social. Hoje em qualquer cargo que você ocupa dentro de uma empresa há pressões oriundas de todos os lados. Afinal, crises nas relações são comuns. Mas acho que em geral as empresas não estão preparadas para treinar profissionais a fim de que estes lidem com crises de gestão. Eles já querem pessoas prontas.

Problemas todos têm, a diferença está em saber como se equilibrar diante deles. Se a pessoa não consegue lidar com a pressão no trabalho deve expor isso ao seu superior imediato, conversar é sempre o melhor caminho, temos que discutir a relação. Infelizmente muitas pessoas não fazem isso ainda.”

Gabriela Canella – “Esse tema está muito ligado ao fato de sermos obrigados sempre a fazermos o melhor em tudo, a todo o instante, a não errar. Temos que ser a melhor mãe, a melhor dona de casa, a melhor profissional, melhor tudo. Aí nos esquecemos de nossa humanidade. E isso torna a frustração inevitável. Falhamos ao aceitar pressões externas, mas a própria cultura em que vivemos faz com que absorver expectativas seja inevitável. E quanto mais cobrados somos, mais queremos ser alguma coisa, a qual nem temos tempo para refletir se realmente podemos ser. E nisso a pessoa sucumbe à pressão. Você deixa de ser você para ser outra pessoa que os outros esperam que você seja. Com certeza somos muito imediatistas nisso tudo. Quase ninguém faz pausa para pensar.

A idéia é que consigamos equilibrar as coisas. Mas é lógico que se temos um problema em casa isso de alguma forma acaba refletindo no trabalho. Não devemos ter vergonha de admitir isso. Somos humanos. Mas devemos ponderar; é muito difícil. Sou uma pessoa até um pouco fria, de certo ponto, tento dividir as coisas e focar em tudo o que posso fazer no ambiente de trabalho. Quando estou aqui esqueço os problemas de casa, não fico ligando para saber. Porque realmente misturar as coisas prejudica.

No passado já tive problemas de sucumbir a uma pressão e isso me gerou muito aprendizado. Fiz uma pausa e redirecionei meu foco. Temos que buscar racionalidade, mesmo em momentos de forte emoção, o que significa aprender a fechar ciclos.

A tendência é de as pessoas não aceitarem imperfeições. Muita gente não tem mais senso de humor. É preciso uma reaprendizagem de respiração e uma aceitação maior do erro. Ninguém é 100% perfeito, o erro fará SEMPRE parte do processo. Essa coisa de ser multifuncional é uma teoria bonitinha que o mercado impõe. Já tive sim momentos em que admiti que alguma coisa eu não sei fazer bem mesmo. Temos que ser sinceros para evitar pressões lá na frente. Se eu não domino certo assunto posso aprender, mas ter talento para isso é outra coisa.

Ainda é bastante difícil as pessoas em geral terem velocidade de adaptação. Dependemos de uma mudança interna. Certa vez entrevistei um candidato em processo seletivo que largou um emprego no qual ganhava R$ 10 mil e viajava o mundo todo. Mas ele cuidava do filho sozinho, a esposa tinha falecido. Mas ele largou o emprego quando o filho de quatro anos o questionou se o “pai lembrava dele”. Aquilo o tocou profundamente. Ele tinha esquecido que havia vida após o trabalho. O questionamento do filho foi a gota d´água, provocando uma reflexão interna.”

Joana Benito – “Temos que sempre tentar equilibrar pressão externa com a interna. Quando nos cobramos muito em determinadas situações, erramos em algo que consideramos que poderíamos ter ido melhor. A pressão nos exige reflexão. Hoje vivemos em um mundo onde tudo acontece rapidamente, as relações mudam de um momento para o outro e muito disso foge ao nosso controle. Os casamentos são mais frágeis, as pessoas se conhecem hoje e daqui a uma semana já estão morando juntas, não dá nem muito tempo para refletir. E tudo acontece de uma forma que nos gera pressão e impede a criação de um ponto de equilíbrio.
O ser humano não está muito preparado para lidar com suas falhas; acho que é muito mais difícil observarmos as nossas falhas do que a dos nossos semelhantes. Mas eu encaro a pressão de uma forma natural. Acredito que tenho hoje condição de flexibilizar mais as pressões. Lido no meu dia a dia com a AmBev, que é um cliente super exigente, que coloca uma forte pressão, pois quer a perfeição no atendimento. E aprendo muito com a cultura da AmBev. Aprendi, por exemplo, que não adianta sairmos do sério quando somos submetidos às pressões. Muitas vezes achamos que não vamos dar conta, mas é aí que tentamos buscar uma pausa dentro da pressão, respirar, e direcionar nossas ações para a melhoria contínua. Com a experiência que tenho aqui no atendimento à AmBev também levei vários aprendizados positivos sobre “como atuar sob pressão” para a minha vida pessoal.

Estar sob pressão me ajuda a exercitar minha autocrítica. Aqui estamos em “alta velocidade” o tempo todo. É gente entrando, saindo, telefone tocando o tempo todo, e-mails nos cobrando; há cobrança por todos os lados. E no meio disso tudo, instintivamente até, arranjo um tempo para fazer uma pausa. Essa pausa é fundamental. Para onde devo ir? Se eu não tivesse essa pausa minha mente ficaria muito mais cansada.

Pensando em preparar a mente para o trabalho, quando estou fora de horário de atendimento procuro me divertir da melhor forma possível. Valorizo muito o lazer e tento limpar minha mente nesses momentos.

É importante também ter um senso de ajudar os colegas a sair de situações de pressão, principalmente em momento onde as demandas não estão tão equilibradas entre as analistas, ou seja, que uma tem bem mais vagas do que as outras.

Sobre este tema da Pressão Psíquica, quando analiso candidatos em processo seletivo, busco pessoas que tenham resistência à frustração, ou seja, pessoas que consigam se motivar mesmo em situações de baixa demanda, porque o mercado hoje oscila demais. Preciso muito mais de um profissional forte psicologicamente do que um bom tecnicamente, porque a técnica quase todos dominam. E o trabalho hoje nas grandes organizações é muito mais mental no sentido da atuação em grupo.”

Veronica De Cicco – “Pressão Psíquica é algo muito necessário, mas até certo ponto. Quando a pressão psíquica é de fundo interno é super importante para que alavanque mecanismos que nos possibilitem ir atrás de nossos objetivos, vencer desafios. E quando a pressão é externa devemos entender que ela faz parte de qualquer relação de trabalho. O profissional atual deve ter essa competência de saber lidar com as pressões psíquicas de forma mais do que equilibrada, precisa, calculada.

O número de pessoas sucumbindo às pressões dentro das empresas tem aumentado muito porque muitos profissionais não conseguem dimensionar esse limite, não conseguem entender que são peças de uma engrenagem; não conseguem perceber que eles sozinhos não farão a engrenagem inteira funcionar. É importante o ser humano não individualizar tudo, não levar as coisas apenas para si mesmo.

Por isso mesmo é vital que cada um possa conhecer o conceito de pressão, como funciona exatamente isso. Muita gente ignora a importância de ter o apoio de um analista, um psicólogo, mas hoje isso faz muita diferença positiva. Cria para esse ser humano um espaço onde ele pode se soltar, elabora para se conhecer melhor. E não sei se esta iniciativa deveria vir do RH das empresas de oferecer análise aos seus colaboradores. Penso que isso deveria partir de cada um, se não houver uma motivação interna, não adianta a empresa oferecer a essa pessoa.

Já está comprovado que o poder da palavra é muito forte no tratamento de qualquer tipo de pressão, a elaboração e o entendimento da palavra, proporcionam um auto-conhecimento e um conhecimento sobre as origens e formas de se lidar com as pressões, sejam externas ou internas.

A maioria das pessoas não gosta de admitir que sofre pressões; mas admitir que sofre pressão e que tem limitações é um grande passo para o desenvolvimento do ser humano.

Em uma entrevista até é possível que uma pessoa mascare situações de pressões pelas quais passa, embora em muitos momentos consigamos perceber isso em uma entrevista inicial. Existe uma margem de erro, mas para nós que somos treinadas, principalmente na entrevista por competência, essa margem de erro se reduz muito.

Hoje as pressões nos ensinam bem rápido a lidar com candidatos, clientes e conosco mesmo.”

Aos clientes e parceiros do Grupo LET fica a mensagem de que nos preocupamos em melhorar continuamente o atendimento oferecendo profissionais ao mercado cada vez mais cientes de suas naturais imperfeições, mas preparados para lidar com todo o tipo de pressões às quais possam ser submetidos.

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