ENTREVISTA
Out-12-2009
ENTREVISTA – Marcelo Madureira (Casseta & Planeta – TV Globo)
“O Humor é ferramenta poderosíssima” – leia a versão completa da entrevista concedida à NEWSLET n°17
Por Alexandre Peconick (texto)


Marcelo Madureira gentilmente recebeu nossa reportagem no escritória da Toviassu Produções Artísticas em Ipanema

    No Dia da Criança, oferecemos ao nosso internauta a versão original – publicada em NEWSLET 17 – da entrevista com um ex-palhaço de festinha infantil: Marcelo Madureira.
Este curitibano de 51 anos, casado e pai de três filhos sempre esteve muito próximo ao humor. “Quando estava na Escola de Engenharia da UFRJ, para ganhar uns trocados eu era palhaço de animar festa infantil”, lembra Madureira.

Na verdade, todos os “Cassetas” tinham uma outra profissão antes de serem humoristas. Além dele que era engenheiro, também havia arquiteto, jornalista...Algo até parecido ao que acontece com quem abraço o RH (Recursos Humanos) ou a Gestão com Pessoas (é “com” e não “de”, como faz questão de ressaltar a ABRH-RJ), ou seja, antes do RH, muitos eram advogados, engenheiros, psicólogos, administradores e etc.

Para Madureira, humor é ingrediente indispensável para quem lida com pessoas em empresas, conforme ele ressalta nesta entrevista, para a qual nos recebeu no Q.G da turma da Casseta & Planeta em Ipanema.

“Hoje vivo de fazer babaquice, de falar bobagens”, comemora.

Ele jura que o humor veio de nascença, “desde criança sempre fui brincalhão, piadista”. Outra característica importante de quem faz humor, segundo ele, é o fato de sempre ser muito observador em todos os lugares onde se vai, seja a passeio ou a trabalho.

Ainda na Escola de Engenharia, em 1978, junto com o Helio De La Peña, fundou a Casseta Popular, um jornal impresso. Em 1974, o Claudio Paiva, o Reinaldo e o Hubert fundaram o Planeta Diário. A fusão entre as duas empresas em 1988 gerou a Casseta & Planeta para fazer na TV Globo o programa humorístico “TV Pirata”. Mas até então eles escreviam os textos.Não colocavam “a cara a tapa”. “Só fui viver mesmo do humor em 1990”, admite ele, que anos mais tarde estaria toda 3ª feira no programa “Casseta & Planeta Urgente”.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET - Vivemos em um mundo onde está cada vez mais difícil se relacionar com pessoas, você concorda com esta afirmativa?

Marcelo Madureira – Concordo. Devido ao fenômeno da globalização, com o qual não dá para se posicionar contra, é inexorável, nos últimos 20 anos, os seres humanos estão mais próximos. Isso aumenta muito as tensões principalmente nas grandes cidades, agravado pela estrutura precária. As pessoas tendem a ficar mais agressivas.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET - Como o humor pode ser importante para melhorar uma relação comum entre pessoas, sejam elas apenas amigas ou seja em uma relação mais íntima?

Marcelo Madureira – Humor é uma ferramenta poderosíssima não somente para melhorar a relação interpessoal, mas sobretudo para aprimorar as relações dentro de corporações. Humor é uma plataforma muito eficiente e amigável de se comunicar. E o humor tem a capacidade de tratar dos assuntos mais sérios e tenebrosos de uma forma mais palatável, aceitável. Semana passada fiz uma palestra para estudantes da área de Saúde sobre a questão da morte e do paciente terminal. Foi um trabalho extremamente produtivo.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – E qual é o enfoque do humorista para a questão da morte?

Marcelo Madureira – O de que temos que valorizar a vida o máximo possível; vida este hiato pequeno na nossa inexistência. Nossa inexistência é muito maior do que a nossa existência. Acabei falando de valores morais, da importância de sermos honestos nos mínimos detalhes. A questão básica era como se relacionar com o paciente em estado terminal, já desenganado. O humor desafia esta situação complicada com picardia, bem como desafia as autoridades, o poder, as normas estabelecidas.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – Então o humor é um “quebra-gêlo” em qualquer situação mais tensa?

Marcelo Madureira – Exato, mas você tem que ser cuidadoso senão o que poderia ser um quebra-gêlo pode criar grande constrangimento. Como humor é ferramenta poderosa, tem que ser usada com moderação.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET - O humor de vocês brinca com situações do cotidiano e por isso mesmo, de imediato, se diferenciou. Quais são os maiores desafios desse tipo de humor?

Marcelo Madureira – O maior desafio é o de você estar sempre inserido no contexto social em que vive, ter uma visão de conjunto da sociedade, procurar entender “onde é que está o calo”, onde está a “ferida” que aperta a vida do cidadão. Você humorista tem que fazer um esforço diário para continuar a ser aquele “pacato cidadão”. Para que você tenha uma visão que não se distancie da sociedade. Precisamos entender o que de fato está chamando a atenção das pessoas e com isso você manifestar por meio do humor. O primeiro objetivo de fato é o de divertir, mas depois há o de fazer uma crítica.

“Se formos pensar as questões da política brasileira algumas piadas não mudam há mais de 20 anos, isso poderia ser encarado como de chutar o balde, mas vamos em frente”,
diz Marcelo Madureira

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – O que um humorista como você diria a um gestor de pessoas que tem dificuldade em envolver seus profissionais nos projetos da organização?

Marcelo Madureira – Na área corporativa cada vez mais a área de RH se torna a mais crítica, por a cada dia o elemento humano se torna o patrimônio mais valorizado. Então você construir um grupo produtivo exige enorme habilidade. O profissional de RH precisa ter grande sensibilidade e uma boa dose de humor também é interessante para lidar com situações imprevistas. Vejo que a grande dificuldade do RH às vezes é entender a individualidade das pessoas de suas equipes. Então para alguns uma abordagem humorística é sempre boa. Mas no conjunto o humor é fundamental para o bom ambiente. O humor é vital até para vencer visões derrotistas. Se só há um limão, que façamos uma limonada.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – E vocês fazem piada o tempo todo com situações que seriam derrotistas...

Marcelo Madureira – Se formos pensar, por exemplo, as questões da política brasileira algumas piadas não mudam há mais de 20 anos e isso poderia ser encarado como desesperador, de chutar o balde. Mas...vamos em frente, vamos usar isso como combustível para fazer os outros rirem de suas próprias mazelas!

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET - Como é o planejamento de um programa de humor, vamos dizer de uma edição do programa? Dá para perceber que vocês estão sempre com o nível de informação atualizadíssimo, dá muito trabalho ou vocês têm uma equipe de apoio que facilita isso?

Marcelo Madureira – Todo programa é objeto de um planejamento cuidadoso. Logo no início do ano fazemos um planejamento para o ano inteiro. O programa se divide basicamente em dois blocos: um de atualidades, ou seja, piadas que se referem a assuntos momentosos, daquele dia; e outras que independem do tempo, assuntos que duram até a vida toda. O problema da saúde do Brasil, por exemplo, infelizmente, parece insolúvel. A questão da compra dos caças franceses pelo governo brasileiro é um exemplo de piada momentosa, do dia.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – Existe censura para piada?

Marcelo Madureira – Até existe. Depende da sensibilidade de cada um e de que tipo de veículo você trabalha (está atuando). A TV aberta é talvez a forma de maior difusão, então isso exige mais cuidado. Já na Internet e em outras plataformas afins como twitter, blogs, etc, há mais liberdade. Na TV por assinatura há mais liberdade. A questão é: eu não posso ir contra o meu público.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – Falando em público, como você lida com afirmações, que não são as minhas, por favor, do tipo “o humor da Casseta é de elite e o do Zorra Total é do povão”?

Marcelo Madureira – Não vejo assim. O que existe hoje é uma grande diversidade humorística. Na verdade é como se fosse um grande buffet onde você pode se servir de tudo. Além de nós há o Pânico, o CQC, Zorra Total, A Praça é Nossa e muitos outros. Eu diria que hoje o nosso programa (Casseta & Planeta) é popular sem ser populista. Não fazemos demagogia e não temos a pretensão de querer “fazer a cabeça” do nosso público. Não queremos fazer de quem nos assiste “massa de manobra”. Queremos apenas divertir e levar quem nos assiste a fazer o julgamento que quiser. Esse negócio de pessoas quererem “conscientizar” outras é muito perigoso e anti-democrático. Ás vezes você tem temas como aborto, eutanásia, homossexualidade, complicados de discutir a sério, mas que por meio do humor, você pode levar as pessoas a sutilmente terem seu próprio pensamento sobre aquilo. Só levantamos a lebre, mas jamais diremos “olha você tem que ser a favor ou contra o aborto”.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – Como vem a criação de uma piada?

Marcelo Madureira – Elas estão no ar, é só pegar! risos. Isso é talento, mas se não for trabalhado, não adianta nada. Somos muito disciplinados nesse sentido. Mas nos meus momentos de lazer me ocupo de coisas, vamos dizer assim, “não-humorísticas”. Leio livros que não são exatamente de comédia.

NEWSLET / SITE DO GRUPO LET – O imaginário popular coloca os humoristas como pessoas engraçadas as 24 horas do dia...

Marcelo Madureira – E eu não sou assim. E isso às vezes nos deixa chateados, porque acabamos decepcionando as pessoas. Amigos dos meus filhos que vão lá em casa dizem: “Poxa, mas você é tão sério!” E eu digo que humor tem que ser dosado, há momentos para tudo. Se meu filho chega em casa com um boletim horroroso não posso fazer piada sobre aquilo. Vou ficar chateado e externar isso.

NEWSLET - Que lições importantes o querido e eterno Bussunda – falecido em julho de 2006, durante a cobertura da Copa do Mundo - deixou a vocês todos?

Marcelo Madureira – Não fomos só nós que o perdemos, mas o Brasil e o mundo. Foi muito difícil dar prosseguimento ao trabalho, mas foi necessário. Antes de sermos colegas de trabalho, éramos amigos; nos conhecemos aos 12 anos de idade. O Bussunda faz muita falta como amigo, a presença dele. Mas é evidente que o talento dele também faz. O que dói mais é a falta das brincadeiras do dia a dia. E eu senti isso hoje aqui. Nós aqui sempre trabalhamos muito em grupo, em função de grupo e isso de certa forma nos ajuda a minimizar a falta dele. Atuar em grupo é imprescindível. Fazer humor em grupo é muito mais interessante porque há mais filtros de qualidade em relação ao que você está fazendo. E TV é coisa seríssima, não é brincadeira não!

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