PÓS-CRISE
Set-22-2009
PÓS-CRISE – ABRH-RJ reuniu presidentes e diretores para debater rumo da gestão de talentos
Palestra da Coordenadora do Instituto Endeavor é o primeiro passo de futura parceria
Por Alexandre Peconick (texto) – Fotos – Alinor Miranda


Da esquerda para a direita, Jorge Moll e Rodrigo Capistrano foram dois dos Presidentes que atenderam ao chamamento da ABRH-RJ para debater o futuro da gestão de pessoas no pós-crise global

     Uma visão estratégica que valorize os talentos da empresa e reposicione as organizações no mercado foi o ponto alto do debate que reuniu presidentes de empresas e diretores de Recursos Humanos no Fórum Permanente de Presidentes, organizado pela ABRH-RJ, no último dia 11 nas dependências do Hotel Santa Tereza, Centro do Rio. O evento teve o apoio da FGV, da Hays e da Hotéis, Eventos e Lazer.

     Não foi um tsunami, nem marolinha; mas o fato é que a crise deixa, felizmente, lições importantes ao meio corporativo. Comunicação intensiva, formação empreendedora e revisão de valores estratégicos são algumas “lições de casa” sinalizadas pelos CEOs e gestores das empresas.

      Segundo Leyla Nascimento, Presidente Executiva da ABRH-RJ, o olhar do presidente e dos diretores de empresas – divididos em dois grupos de discussões – ajuda muito a Associação aprofundar suas ações temáticas tornando-as cada vez mais um serviço ao mercado. Mercado esse que intensifica seus holofotes à comunicação e ao marketing, antes da capacitação e treinamento. “Aumentamos muito nosso alinhamento de informações com foco em comunicação e marketing e investindo com seriedade nas ideias alternativas que aproveitem o potencial máximo de cada pessoa”, revela João Chachamovitz, diretor da Chemtech. Já Marcelo Soares, presidente da GE Celma fala em “comunicação ao vivo”, prática na qual reúne grupos das áreas para bate-papos diretos com ele.

      Transparência na comunicação também foi um ponto enfatizado na sala de debates dos diretores de RH. De acordo com um dos grupos, quem comunicou melhor dentro de sua empresa conseguiu adesão mais eficaz de seus funcionários.

      Além da comunicação, o cenário pós-crise indica muitos ganhos para aqueles que não deixaram de investir em treinamento e em talentos. É praticamente unânime a colocação de que esta crise na verdade ajudou as empresas a se organizarem melhor e mais estrategicamente. O investimento em talentos fez com que a ADP Brasil crescesse 30% em um ano. “Investir nos talentos durante a crise a fórmula ideal para nos destacarmos em relação aos outros escritórios da ADP no mundo inteiro”, garante Cesar Marinho, diretor da ADP Brasil para o qual está cada vez mais aumentando a tendência de que as empresas privadas tenham que formar os talentos que o sistema educacional, segundo ele, “já não tem mais capacidade para formar”.

     “Os CEOs têm conseguido gerar uma alta rentabilidade que em longo prazo será altamente robusta para o mercado e a geração de novos postos de trabalho.” – Rodrigo Capistrano, Ancar Ivanhoe Shopping Centers

     Mas só talento não basta. Boa parte das empresas que compareceram ao evento está motivando seus colaboradores a empreender. “Na verdade é interessante incentivarmos o empreendedorismo desde a fase escolar; é a forma ideal de desenvolvermos o profissional do futuro com baixo custo e ótimo retorno”, aposta Rodrigo Capistrano, sócio-diretor da Ancar Ivanhoe Shopping Centers, que, aliás, acredita em uma volta acelerada do fluxo de capitais para os anos de 2010 e 2011, posição esta compartilhada pela maioria dos demais líderes, independente do segmento. Segundo eles, tem surgido muito capital específico de cada setor graças ao alinhamento de empresas com negócios afins. Dessa forma, os CEOs têm conseguido gerar uma alta rentabilidade que em longo prazo será altamente robusta para o mercado e a geração de novos postos de trabalho.

      Há, contudo, uma preocupação evidente da maioria: irá sobrar capital financeiro, mas faltar capital humano em larga escala. “Na área médica, por exemplo, são poucos os pediatras sendo formados pelas escolas de medicina”, alerta Jorge Moll, presidente da Labs Rede D´Or de Hospitais, enfatizando que é preciso mais universidades corporativas para acelerar a capacitação de pessoas.

      Por outro lado, há notícias muito boas para a área de saúde, segundo informou Moll. Ele assegura que nos próximos anos irá aumentar maciçamente o investimento de outros países no Brasil, pois tem havido muito oferecimento de capitais por bancos. “O mercado brasileiro terá uma forte aceleração em 2010 e 2011 em razão, sobretudo de que pela primeira vez o Brasil saiu ileso e fortificado de uma crise”, aponta Moll que já no ano que vem informa sua intenção de realizar experiência de trocas de treinamentos entre os diversos profissionais dos hospitais de sua rede.

     A área de Saúde trouxe bastante representatividade a este que foi o terceiro fórum que a ABRH-RJ promoveu com CEOs de empresas. Antônio Carlos Warms Till da Vita Check Up afirma com ênfase que é fundamental para os próximos anos uma integração entre as áreas pública e privada no setor. “Esta é uma das soluções mais urgentes para o gargalo da qualificação, afinal há uma despreocupação preocupante com a formação de profissionais”, considera Till.

      Tem sido quase unânime entre presidentes e gestores de RH a percepção de que a crise aguçou em todos a necessidade de se tomar decisões em longo prazo.

     “É interessante que os CEOs não queiram workaholics”, avalia Nelson Savioli (na foto ao lado de Alinor Miranda)

      A ênfase educativa será a fonte das grandes mudanças nas organizações em 2010 e 2011 segundo assegura Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work® Institute. Ele esclarece que este diferencial virá do RH e, para comprovar, citou um ranking mundial de competitividade no qual a posição do Brasil sobe ano a ano graças ao desenvolvimento de nossa gestão com pessoas. “Competitividade nada mais é do que a capacidade de crescer em médio e longo prazo e isso vem sendo intensificado por aqui após a crise; mais do que isso, vai aprimorar mais ainda a certeza dos líderes top das empresas de que a Gestão de Pessoas é cada vez mais decisiva e estratégica para o resultado do negócio”, informa Ruy.

      Também por isso, o segmento de serviços tem ampliado sua visão de valorização das pessoas. “Não podemos falar em serviço sem citar as pessoas; por isso mesmo é muito importante estarmos ouvindo o ano todo as melhores práticas das outras empresas e nesse sentido a ABRH-RJ e o Great Place to Work nos têm sido fundamentais”, esclarece Rodrigo Capistrano, da Ancar Ivanhoe Shopping Centers, empresa classificada entre as 25 Melhores Para Trabalhar na lista 2009 do Rio de Janeiro.

      Na Turbomeca, por exemplo, o lema tem sido ocupar a ociosidade com qualificação. “Temos desde já que pensar na atitude positiva do indivíduo dentro do que pensamos em construir”, indica Paulo Sardinha, diretor de RH da empresa. Sardinha destacou ainda que no Brasil a empresa encontra-se melhor do que em outros países; fenômeno que, aliás, se reflete em muitas multinacionais, ou seja, a mesma empresa está melhor em um país e sua filial em outro (ou matriz) está pior. “Este fator se deve em muito às relações comerciais e culturais década país”, destacou.

     Por outro lado a globalização gera novas e positivas tendências. Enquanto a GE Celma pretende internacionalizar seus funcionários – segundo informações reveladas no evento por seu Presidente - e a Chemtech vê um desafio cada vez maior em contratar muita gente com qualidade, o mediador Nelson Savioli, superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho, propôs um “desafio” aos líderes: se estivessem recrutando um alto executivo para suas empresas qual competência seria o diferencial?

     “Vamos ocupar ociosidade com qualificação” – Paulo sardinha (Turbomeca do Brasil)

     Foram citados: comprometimento, aderência ao DNA da empresa, desenvolvedor de pessoas, capacidade de inspirar pessoas, visão sistêmica, inteligência social, mas chamaram especialmente a atenção duas outras: “o que o executivo faz fora do trabalho”, ou seja, “se ele oxigena a cabeça”; e “pessoas que queiram ficar por longo tempo fazendo o bem”.

      Se o empresário já pensa assim, o fato é que este evento comprovou que a crise amadureceu nas pessoas a capacidade delas de olhar e analisar as organizações com uma visão sistêmica. A crise e a pós-crise trouxeram ao universo profissional intensa revisão de valores. Para Gustavo Costa, da Hays, a crise só veio a melhorar o ambiente de busca de talentos, porque ela amadureceu a questão da troca de conhecimentos e práticas do profissional com as organizações.

     “Investir nos talentos durante a crise foi a fórmula ideal para nos destacarmos em relação ao outros escritórios da ADP no mundo”, revelou César Marinho, da ADP Brasil (em primeiro plano na foto ao lado de Alinor Miranda)

     De acordo com Leyla Nascimento, este encontro segue uma agenda de diversos eventos representativos entre presidentes e líderes de empresas para troca de experiências em gestão, permitindo efetivo espaço para aprendizado. “Queremos efetivamente que as metodologias e ações discutidas aqui e nos próximos eventos, gerem ações que tragam de fato um impacto positivo às pessoas nas várias organizações”, traduz a Presidente Executiva da ABRH-RJ.

      Gestão participativa é algo que definitivamente sempre combinou com os eventos da ABRH-RJ. Tanto é verdade que a questão final colocada por Nelson Savioli e por Fabio Ribeiro, Vice-Presidente da ABRH-RJ aos participantes foi sobre qual assunto deve girar o próximo encontro entre presidentes (CEOs).

      O tema mais votado, com quatro citações foi o de “Como podemos integrar (associar) endomarketing, marketing e RH”; mas também foram citados alguns outros como, por exemplo, “Estratégias de performance”; “O desenvolvimento de médios gerentes”, “Como os valores se encaixam no modelo do gestor” e “Como se constrói a liga com a organização”.

      Na conclusão do evento, o Vice-Presidente da ABRH-RJ destacou que este evento foi mais um passo histórico para a ABRH-RJ e conclamou todos sobre a importância de também incentivarem em suas organizações a fomentação do associativismo. “Estamos vivendo uma situação embrionária em termos de reunião de lideranças, mas podemos e certamente vamos ganhar muita força; só que para isso temos que persistir e o próximo passo para o sucesso dessa persistência é o de que cada um que esteve aqui atue como um multiplicador das vantagens de estar aqui junto ao seu segmento de negócio”, enfatizou Fabio Ribeiro.

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