
Eric Fajole, Cônsul da Missão Econômica do Rio de Janeiro da Embaixada da França no Brasil, um dos organizadores do evento
Qualificação profissional sempre foi foco no Grupo LET Recursos Humanos. Com esta visão de buscar novas idéias fomos cobrir o I Encontro Franco-Brasileiro de RH e Formação Profissional que aconteceu entre 6 e 8 de julho. Tudo indica que os resultados que mostraremos a seguir comprovam o acerto de termos estado na Sede da FIRJAN, uma das promotoras do evento ao lado da Embaixada da França no Brasil, UBIFRANCE (Missão Econômica) e SEBRAE-RJ, com apoio da ABRH-RJ.
Intensificar e diversificar parcerias entre instituições de ensino, órgãos públicos e empresas a fim de levar ao sistema educacional brasileiro as reais necessidades de formação profissional, foi o principal caminho apontado no I Encontro Franco-Brasileiro de RH e Formação Profissional para minar o abismo entre as demandas do mercado e a capacidade de trabalho das pessoas. O evento abordou soluções viáveis para uma questão antiga: sobram empregos, mas falta gente qualificada para assumi-los.
“O foco aqui é estabelecer diretrizes das empresas francesas em realmente investir na formação de profissionais brasileiros em um trabalho que, pretendemos, não perderá a continuidade”, afirma Eric Fajole, chefe do Serviço Econômico do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro. Já Leyla Nascimento, presidente da ABRH-RJ, enalteceu a importância que a Câmara de Comércio França-Brasil tem dado ao RH. “Faço um elogio ao trabalho de vocês em aprofundar o RH, que afinal é a área que confere sustentabilidade e longevidade às organizações”, destaca Leyla.
E as boas ideias foram colocadas de imediato. “Podemos trazer soluções sob medida; vamos até as empresas, verificamos a situação de seus funcionários e elaboramos programas customizados que permitam a eles não perderem o rumo profissional”, oferece Jean Michel Bormand, chefe de projetos do Grupo IGS, responsável pela Universidade Profissional Internacional. Ele foi um dos seis representantes de centros de formações franceses dispostos a investir no Brasil. Já Guy Petit, das SIFOEE, diz que sua instituição enfatiza o trabalho com a otimização do rendimento. “Formamos pessoas com suporte na concepção de redes; além disso tentamos criar e implementar espaços para formar os formadores locais; para tanto ministramos uma formação pedagógica a acompanhamos tudo também à distância”, revela.
Uma das 30 ações do Ano Econômico da Franca no Brasil, este Encontro de RH também tem objetivos que se justificam por números chamativos. Em 2008 as relações comerciais Brasil-França giraram em torno de R$ 20,7 bilhões, sendo que as exportações francesas para o Brasil cresceram 135% entre 2003 e 2008. Apenas em 2008 chegou-se à marca de 360 filiais de empresas francesas no país, empregando 400 mil pessoas.
E há estimativas da criação de muitos novos postos. Números que trazem responsabilidade. “Precisamos criar programas de qualificação local preliminares às necessidades da empresas; se vai se construir, por exemplo, uma fábrica em Campo Grande daqui a três anos, temos que saber disso e começar agora a formar profissionais por lá”, aponta Alexandre Cardoso, secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Um dos pontos destacados pelo secretário é o de que o Brasil valoriza demais o ensino superior – apenas 3% do total de profissionais – enquanto desvaloriza os cursos técnicos e o nível médio.
Cardoso informou que dos 260 mil alunos matriculados no ensino médio no Rio, cerca de 100 mil não concluem pelos mais diversos motivos. Uma saída para lidar com esses 100 “analfabetos funcionais”, tem sido, segundo o secretário, os investimentos nos cursos à distância, mas não abdicando dos presenciais. Para tanto foram criados os CVTs (Centros de Vocação Tecnológica) – há cinco no Estado do Rio com capacidade de formar cerca de 10 mil alunos por ano. “É muito comum o ensino médio brasileiro não servir para nada; ou seja, o jovem que chega ao 3o ano do 2a grau em geral não sabe que faculdade vai fazer e se realmente precisa ou tem a vocação para o ensino superior, porque o ensino médio não dá um grau de conhecimento que agregue valor a ele”, explica Cardoso. “Temos que ter a coragem de mudar radicalmente o conteúdo dos cursos de nível médio para aproximá-los ao mercado, mas antes disso investimos nos cursos à distância, pois colocaremos, até o final de 2010, 70% do estado coberto pela banda larga gratuita de Internet, a qual terá cursos gratuitos”, informa Cardoso.
Alexandre Cardoso fez a primeira conferência do evento que levou gestores de pessoas de empresas brasileiras e francesas ao Auditório FIRJAN.
Ele defende a tese de que nem todos os profissionais tem o perfil para cursar o nível superior e que por isso, a exemplo de muitos países europeus e até sul-americanos, como o Chile, o Brasil deveria valorizar mais o ensino técnico. Para Nassim Gabriel Medeedff, da Secretaria de Educação e Desenvolvimento do Estado do Rio a questão também tem uma limitação cultural na medida em que na história da educação profissional brasileira os cursos técnicos sempre foram “destinados aos mais pobres”. Mas o mercado não acompanhou esse nível de preconceito e criou centenas de novas vagas para profissionais com formação técnica sem a contra-partida das instituições de ensino. “Não bastasse esse descasamento, os currículos de Engenharia, por exemplo, estão defasados uns 40 ou 50 anos; a educação pedagógica não leva em conta que vivemos na era do conhecimento; só poderemos mudar isso se envolvermos de vez o empresariado nas decisões sobre as diretrizes da Educação”, defende Nassif.
E abordando ainda esta educação, Daniel Forterre, da Câmara de Comércio e Indústria de Paris diz que a prioridade é o Brasil nos investimentos. Contudo, ele alerta que há ainda por parte das empresas brasileiras uma visão equivocada de concentrar demais seus investimentos em formar lideranças e menos no desenvolvimento de cargos como vendas, atendimento ao cliente, entre outros afins. “Jovens pedem novas tecnologias e simulações de realidade, por isso o treinamento on line cresceu cerca de 40% por aqui”, destaca ele. E há no Brasil uma tendência para os próximos dois anos, segundo os educadores franceses, de que ao menos 1/3 (um terço) das empresas brasileiras tenha uma universidade corporativa.
Enquanto isso, no âmbito das empresas francesas locadas no Brasil, Paulo Sardinha, Diretor de RH da Turbomeca do Brasil (com sede no município de Xerém – RJ), enfatizou que um dos grandes desafios para empresas que exigem profissionais especializados é o de já estabelecer no processo seletivo um filtro para captar profissionais com alta capacidade de atualização e aprendizagem. “Mesmo assim demoramos a recrutar e depois temos que investir em treinamento”, admite.
Já na Michelin, Benoit de La Breteche, Diretora de RH, contou que um dos diferenciais da empresa é o plano individual de formação profissional, casando necessidades e competências pessoais às corporativas, que hoje já chega a 85% dos cerca de 5 mil funcionários que a empresa tem no Brasil.
Ex-jogador de futebol Raí investe em Responsabilidade Social
Raí, tetra pelo Brasil em 1994, é protagonista em grande instituição de Responsabilidade Social
Some-se a essas competências o item Responsabilidade Social. “Quem atua no Terceiro Setor não precisa só de tino social, mas alto recurso profissional para gerir ações junto à sociedade”, considera Nelson Savioli, superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho e presidente do conselho deliberativo da ABRH-RJ, que mediou o painel sobre este tema durante o encontro. Neste painel a grande estrela foi o ex-jogador Raí, que ao lado do também ex-jogador (e agora técnico do AC Milan – Itália) Leonardo, preside a Fundação Gol de Letra. Para Raí o grande desafio de se fazer responsabilidade social de verdade acontece quando você entra em uma sociedade que ainda não se encontra organizada.
“Temos centros esportivo com propostas bem amplas que abrangem a transformação pela educação com bibliotecas; o projeto é tão bem sucedido que algumas empresas já o adotaram como política social em diversas regiões do país”, conta Raí, que morou na França durante mais de 10 anos e hoje se divide entre São Paulo e Paris.
“Realizamos também intercâmbios culturais entre crianças brasileiras e francesas; crianças brasileiras viajam à Lyon (França) por exemplo e trocam experiências fantásticas com as crianças francesas”, conta o ex-jogador que veio ao I Encontro Franco-Brasileiro de RH e Formação Profissional também para divulgar o Torneio Gol de Letra do Rio de Janeiro que reúne equipes de 16 empresas com a final sendo realizada no Maracanã e contando com a participação de craques do presente e passado das quatro linhas. Empresas interessadas em se inscrever podem clicar em www.torneiogoldeletrarj.org.br/rj/ . |
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