
Os mecanismos de percepção visual em uma entrevista à distância ficam limitados bidimensionalmente, o que, sem dúvida, deixam de transmitir um “retrato” mais preciso do candidato ao recrutados
É cada vez mais freqüente a comunicação à distância nos meios profissionais. A tecnologia usada em tele e videoconferências, é uma alternativa cada vez mais comum para reduzir os custos referentes a viagens de executivos para reuniões de negócios. Ainda mais em tempos de crise. Com ela, as empresas podem se comunicar com clientes, parceiros e fornecedores, organizar reuniões entre a matriz e filiais, participar de eventos setoriais, etc ., gastando muito menos do que gastariam com um encontro presencial.
Dessa forma também as consultorias de Recursos Humanos e as empresas já consideram a possibilidade – e a realidade – de, em casos específicos, entrevistar candidatos via plataforma de Skype, MSN, vídeo conferência e afins. No entanto, este tipo de tecnologia esbarra em hábitos culturais e em limitações de interpretação e percepção que exige extremos cuidados de quem opta por essa alternativa.
Em geral se entrevistam candidatos à distância quando estes estão impedidos de se deslocar ao local físico onde se encontra o recrutador ou vice-versa, ou seja, o recrutador precisa de um funcionário em alguma região distante de sua matriz. “Particularmente não sou muito adepta deste tipo de processo seletivo, mas avaliando caso a caso, se precisarmos de um profissional que esteja muito distante, temos condições de realizar este primeiro contato; exatamente pensando dessa forma, entrevista à distância è primeiro contato, mas não elimina a necessidade de em algum momento do processo termos que ver esta pessoa”, argumenta Hellen Martins, Coordenadora de RH do Grupo LET Recursos Humanos.
Muitas empresas que contratam altos executivos em regiões distantes ou que tem escritórios em diversos estados e países costumam fazer uso deste recurso.
Outro cuidado fundamental que se deve tomar ao analisar a performance de um candidato que se apresenta à distância é que, segundo Verônica de Cicco, Analista de RH do Grupo LET, há uma considerável perda de percepção da parte gestual do recrutador para com o candidato. “Podemos por vídeo ou por Skype até avaliar se um candidato tem boa comunicação, se conhece bem o que colocou em seu currículo, se tem coerência no discurso, mas a força de seus gestos vai se perder nas limitações da imagens, mas não tenho dúvidas de que no meu caso que às vezes preciso mesmo ter contato com pessoas de outras localidades, este é um primeiro contato a ser colocado na balança”, afirma Verônica, que no Grupo LET atende a RH Nacional – parceria do Grupo LET com consultorias de RH de outros estados.
Por meio da parceria com a RH Nacional, o Grupo LET – conforme publicado na edição 9 da revista NEWSLET – também oferece a seus clientes a chance de poder contar com os melhores profissionais de qualquer localidade do País e também do exterior. Nesta situação, a entrevista por vídeo, Skype ou MSN, pode ser um primeiro contato importante para Verônica de Cicco. “Mesmo não substituindo o contato presencial, esta tecnologia ganha peso se o perfil do cargo exige ou o gestor da empresa contratante solicitou pessoas com boa aparência e/ou que tenham boa comunicação escrita em uma conversa”, esclarece a Analista de RH do Grupo LET.
Uma questão considerada fundamental por muitos executivos de grandes empresas é que as teleconferências devem ter como objetivo principal facilitar a comunicação e não a redução de custos, que é apenas conseqüência do processo. Para eles, é importante, também, avaliar a visão do entrevistado a respeito das implicações que uma entrevista à distância pode gerar de positivo e até de negativo para ele. “Em geral, quem propõe a videoconferência a vê como uma facilidade, mas quem aceita participar da reunião pode receber a proposta de forma negativa, já que torna a relação mais fria e sem as vantagens das conversas presenciais”, comenta um consultor de RH.

As aparências enganam?! Se sim ou se não, o fato é que cada vez aumenta o número de candidatos que são avaliados através do monitor de um computador
Nessa filosofia de raciocínio, a tecnologia é muito positiva, especialmente para empresas que têm contatos frequentes em várias regiões geográficas. Se, por outro lado, os contatos são menos habituais, o ideal é que se mantenha a relação presencial para que não se perca o vínculo entre empresa e cliente. “A presença evita abrir espaço para a atuação de concorrentes que atuem de forma mais próxima, dando mais atenção às necessidades do cliente”, analisa Alexandre Peconick, Assessor de Comunicação do Grupo LET.
Por outro lado, a maturidade da tecnologia já permite evitar os incômodos associados a ela. Como? A chave do sucesso da implantação da tecnologia de videoconferências é garantir que a experiência do usuário seja positiva desde o início. Se houver imagem ruim, som picotado, o executivo certamente desiste e marca um encontro presencial.
Há barreiras culturais a serem superadas no processo de evolução das videoconferências, embora há tecnologia disponível para evitar os conhecidos problemas de delay (retardo) entre imagem e som, falta de foco, iluminação insuficiente etc.
No ambiente corporativo, o fundamental é a criação de um projeto específico para cada empresa e para cada sala de videoconferência, além de instruir os executivos a serem cuidadosos com alguns hábitos como o de falarem todos ao mesmo tempo.
Antes que seja planejada a entrevista à distância é preciso que o recrutador (ou a Analista de RH) avalie os prós e contras de se fazer isso em relação ao perfil daquela vaga. Por exemplo, se for uma vaga muito operacional, que não exija um perfil comportamental muito rigoroso e com detalhamento uma entrevista por telefone com um candidato de outra cidade, região ou país já é o suficiente. Qualquer análise subjetiva que ganhe importância para o processo seletivo já coloca um ponto de interrogação sobre a decisão de se deixar de lado o Skype e os recursos do vídeo.
Hellen Martins, do Grupo LET, ressalta que após a vídeo conferência deve haver sim um contato físico entre quem recruta e o candidato. “Mesmo com muito avanço, se queremos o candidato certíssimo, nada substitui o olho no olho”, diz.
Psicólogos e pedagogos sabem que um dos principais problemas da tecnologia para reuniões à distância é que uma parte da percepção humana é absolutamente suprimida. Temos os canais de percepção visual, auditivo e sinestésico (que envolve tato, paladar e olfato); nas videoconferências tradicionais, este último canal perceptivo não é minimamente estimulado e isso faz com que algo de confiança e empatia se perca.
Não nos fechamos ao progresso, mas sempre com um olho no valor que a “formalidade artesanal” ainda representa para as relações humanas.
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