CRISE x AUMENTO SALARIAL
Fev-16-2009
Como lidar com a questão salarial em época de crise
Avalie o momento de sua organização e coloque-se como “parceiro” dela – aprenda lições com a negociação salarial
Por Alexandre Peconick / Fotos: Site Sxc.hu


legenda: Economizar em época de crise é uma boa dica para lidar com os revezes da questão salarial

    Uma das questões em Recursos Humanos que gera maior polêmica sempre é a da renovação de contratos, quando se abre a possibilidade de um aumento de salário.
Há no meio empresarial – ou havia – uma premissa de que “reajustes salariais devem sempre partir do empregador”. A afirmação é uma verdade ou um mito?

    Levando-se em conta os três movimentos decisivos quando a questão é aumento salarial, vale lembrar que existem reajustes automáticos determinados por lei, aumentos motivados pelo reconhecimento da performance do profissional e, ainda, aqueles provocados, por exemplo, pelo crescimento pontual de um setor.

    Diante destas três condições básicas que, em geral, orientam o comportamento dos salários nas organizações e relações de trabalho, se o profissional depara-se com uma insatisfação que o motiva a pedir aumento, “provavelmente existe algum descompasso”, acreditam muitos consultores de remuneração. Eles assinalam que, em casos como esse, é necessário investigar a percepção do profissional e também a da empresa.

    Qual é o momento da organização diante da situação econômica global. Independente do gosto pessoal ou não, empregadores precisam de colaboradores envolvidos com o DNA da empresa, que vistam a camisa. É posição comum hoje na moderna Gestão de Pessoas que, ainda consciente de seu valor como profissional, o colaborador deve se colocar na posição de “parceiro” da organização. E não na posição de “sou o empregado, ele é o chefe”. E como parceiro, se as finanças passarem por um momento de retração, sua melhor atitude deve ser a de mostrar que vale X, sim, mas de colocar-se à disposição para “abrir mão de algo a mais agora em função de um benefício mais à frente”. “Em momentos de guerra é que se percebem as pessoas que têm ou não capacidade de trabalhar em prol da equipe, estes são os que abrem mão, temporariamente de um bem individual, pela sobrevivência de seus colegas”, dizia o General Douglas Mc Arthur, comandante das tropas americanas na 2ª Guerra Mundial.

    Geralmente, as organizações têm programas de avaliação de desempenho e acompanham a evolução dos salários no setor em que atuam e no mercado em geral. Por isso, antes de tomar uma decisão apressada, é imperioso que o profissional avalie seus próprios indicadores de desempenho, avanços e competências. Vale também levar em conta benefícios e incentivos em curto e médio prazos negociados com a empresa.

    Se persistir a percepção de que a remuneração está inadequada, o caminho é conversar com o superior e argumentar sobre seus pontos de vista. “Não pedir aumento, mas apresentar sua percepção”, orientam os consultores.

    Já alguns gestores de empresa, cujo nome aqui não podemos citar para preservar nossas fontes, são categóricos ao afirmar que “pedir aumento salarial está fora de moda”. Eles entendem que as empresas têm uma estrutura organizacional de avaliação contínua de desempenho, planos de cargos e salários e políticas de remuneração de acordo com o merecimento profissional.

Em momentos de crise...

    Diante da crise na economia mundial e do cenário de incertezas, a situação complica-se ainda mais para quem pretende pedir aumento. Não é o momento. Em situações como esta, as organizações buscam manter ou minimizar custos. A frase de ordem é “manter o que se tem”.

    Sobre a previsível frustração decorrente do adiamento do propósito, especialistas argumentam que “lidar com a insatisfação faz parte do desenvolvimento profissional”. Diante disso, devem ser valorizados os benefícios de pertencer à organização e os esforços dirigidos para o desenvolvimento da carreira, sem perder de vista a necessária busca de equilíbrio diante do fator de insatisfação econômica. O mais importante é ter consciência de que, em situações de crise, o problema não é individual, mas conjuntural.

    Nesse contexto, a tendência do mercado é de manter e valorizar os profissionais que fazem a diferença “e blindá-los, por meio de um movimento de meritocracia e bonificação”, sugerem os gestores. A área de Recursops Humanos – ou de Gestão de Pessoas – sabe que dois temas “sensíveis” irão mobilizar as organizações em 2009: a gestão de ambiente e a governança. Os esforços para recuperar e manter resultados financeiros estão sensivelmente relacionados ao comprometimento dos colaboradores e, por isso, as empresas estarão atentas ao clima organizacional e a ações adequadas de governança e transparência.

Passada a crise...
Ao negociar aumento, tire o foco de si mesmo. Destaque os avanços profissionais em prol da empresa

    É a velha história: o funcionário trabalha duro, cumpre metas, tem um comportamento mais do que adequado, se acha merecedor de recompensa, mas, na hora de pedir aumento, sente um constrangimento inexplicável. Mas por que isso acontece num ambiente em que novas técnicas de gestão surgem todo dia exatamente para tornar as relações mais cordiais e respeitosas?

    A questão é a de que o colaborador não deve apenas se perguntar: “Quanto é que eu valho?”, mas, sobretudo: “Quanto vale a atividade que eu desempenho?” Essa inversão de valores traz à tona questões existenciais que se confundem com as profissionais gerando um nível de estresse que muitas vezes impede a boa condução de uma conversa com a liderança do setor.

    Outro ponto que prejudica qualquer negociação salarial é o colaborador estar (ou se sentir) fragilizado à frente do seu líder ou gestor. Esta é, simplesmente, a pior maneira de reivindicar aumento, porque as questões pessoais acabam se sobrepondo às profissionais. Nenhum superior nenhum suporta seu subordinado falando de aumento na prestação da escola das crianças. O ideal é ter dados na mão, como índice de inflação no período, pesquisa salarial, dissídio da categoria e valor dos profissionais que exercem a mesma atividade no mesmo tipo mercado.

    Acontece que do outro lado da mesa, o funcionário nunca sabe o que vai encontrar, porque há questões tangíveis à empresa que fogem totalmente do seu controle. Por exemplo, uma crise financeira. Foi o que aconteceu com Priscila Alencar, de 39 anos, contato numa agência de publicidade. A empresa estava num momento de dificuldades nas finanças, mas fazia dois anos e meio que ela estava no cargo que assumira com a promessa de melhoria salarial.

    “Achava que não era a hora de falar com minha chefe. Por outro lado, precisava ter feedback, sentia necessidade de crescer profissionalmente.” A angústia de Priscila foi resolvida com um novo emprego. “Soube de uma vaga numa outra empresa, concorri e fui aprovada. Daí fui bem confiante falar com a chefe. Pensei: se eles me quiserem, cobrem a oferta...e a diferença nem era absurda.” Não houve acordo. “A chefe disse que lamentava mas não tinha nada melhor para me oferecer e que na primeira oportunidade me chamaria de volta.”

    Ter uma oferta da concorrência na manga é uma boa maneira de negociar aumento, mas mesmo assim é delicado. Dentro desse contexto, não vale blefar nunca. E mesmo que o profissional tenha ofertas boas não vale fazer delas um leilão. “Se ele está sendo assediado pelo mercado e recebendo ofertas acima de sua remuneração atual, pode ser o momento de ter uma conversa com seu superior. Mas tem de ir com cuidado. Não é necessário mencionar que está recebendo ofertas, apenas que tem a percepção de que o mercado está oferecendo mais do que sua atual remuneração”, diz uma Gerente de Remuneração de empresa líder em seu mercado.


Veja a seguir algumas dicas para “levar bem” a questão da negociação salarial:

Ter timing é importante -- Normalmente uma organização tem ciclos de avaliação e é usual fazer uma revisão de desempenho uma vez por ano. Acabado o processo, dê um tempo até que prioridades, como acerto de compromissos de auto-desenvolvimento e apoio da empresa em treinamentos, sejam atendidas. Identificar este momento e na seqüência conversar sobre possíveis ajustes no salário pode funcionar.

Argumentos que valem -- Dizer que está atuando há anos na empresa já não faz sentido hoje em dia. O foco está em desempenho e aquisição/desenvolvimento de competências pelo colaborador.
Outro fator a ser analisado é o período em que se está sem aumento (aumento real, acima dos coletivos dados a todos os funcionários). É fundamental confiar na sua percepção de desenvolvimento e contribuições constantes e relevantes sem o reconhecimento adequado. Se isto estiver constatado pela revisão de desempenho anual, é mais fácil iniciar uma discussão.

Quem estipula o aumento -- O valor é decidido sempre pelo chefe, nunca pelo funcionário. Feita a proposta, baseada em argumentos corretos, deve-se esperar, sempre, a quantia proposta pelo superior.

O que os superiores detestam -- Nunca coloque a liderança na parede. Um chefe não gosta de perceber que o funcionário apresenta ameaças (do tipo ou recebo aumento ou vou embora.). Deve-se apresentar argumentos lógicos e não emocionais.
É importante lembrar que muitas chefias (e até empresas) não estão preparadas para dar resposta na hora. Deve-se dar condições da chefia verificar a situação do salário do indivíduo frente ao mercado, frente a outros colaboradores e o histórico de performance de quem solicita o aumento.

Argumentos proibidos -- Evite os emocionais, que demonstram uma expectativa de paternalismo por parte da empresa. Coloque-se na posição de um profissional com auto-confiança que sabe de seu valor e de sua contribuição para a organização. Invista no seu auto-conhecimento.

Mantenha sigilo -- Durante o processo, evite comentários sobre o assunto com colegas de setor ou da empresa. Lembre que eles nem sempre sabem do contexto nem dos detalhes de seu desempenho. Abrir o assunto pode criar tumultos e dificuldades para o seu gestor tratar de sua questão. Se quer conversar sobre o assunto, pensar junto com alguém sobre a possibilidade de aumento, procure profissionais de RH que possam ajudá-lo a refletir (as empresas devem estar preparadas para orientá-lo), ou busque conversar com um colega mais experiente de outra organização.

Aumento concedido -- Novamente, o sigilo deve ser mantido. Em caso do ajuste estar ligado a uma promoção ou mudança de título cabe ao gestor administrar a comunicação junto a sua equipe.

Aumento negado -- Faça uma avaliação de todo o processo, de como está sendo reconhecido e se realmente tem as competências e performance necessárias. Às vezes, você pode estar enganado. Aproveite para verificar seus pontos de desenvolvimento e trabalhe neles. Nada mais prejudicial que a chefia perceber que por causa disso você se desmotivou e não levou o processo pelo lado profissional. Se concluir que realmente está sendo mal reconhecido, sem abrir mão de seu compromisso com seu trabalho atual, dê uma olhada no mercado, talvez surjam oportunidades. E você tem que tratar de sua carreira, ninguém mais responsável por isso que você mesmo.

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