Nos nove primeiros meses
do ano o montante de empregos com carteira assinada criados
no Brasil atinge 2.086.570, resultado recorde na história
do Brasil, situando-se, por exemplo, 40% acima do saldo ocorrido
em 2007 e 25% superior ao recorde anterior, verificado em
2004, segundo dados do CAGED – Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego.
É a primeira vez na série do CAGED que se registra
a criação de mais de 2 milhões de empregos
em um único ano. Esse saldo acumulado em 2008 representa
7,2% de aumento do total de vagas formais. Somente em setembro
foram 283 mil novos postos.
Em termos setoriais os setores da construção
civil, serviços e comércio foram os maiores
responsáveis por este número. Somente a construção
civil, com 45.882 postos, ou 2,94% de crescimento, obteve
a maior taxa de crescimento relativo proporcional entre todos
os setores de atividade econômica, sendo 2,7 vezes maior
do que a taxa média do país. Os investimentos
do governo e o crescimento da demanda de imóveis explica,
em parte esta ascensão.
Já o bom desempenho do setor de serviços decorreu
da elevação generalizada dos seis segmentos
que o integram, com quatro deles apresentando resultados recordes:
a saber Serviços de Alojamentos e Alimentação
(+ 39.732 postos), Serviços de Comércio e Administração
de Imóveis (+ 28.593 postos), Ensino (+ 23.498 postos)
e Serviços Médicos Odontológicos (+ 11.994
postos).
Geograficamente o maior crescimento se deu nas regiões
Norte e Sudeste, sendo, São Paulo, Belo Horizonte e
Rio de Janeiro, nesta ordem, os carros-chefe.
Devemos comemorar efusivamente todos
estes números? Em termos...
Agora vêm os poréms.
Dados do IBGE confirmam que o número de prestadores
de serviço aumenta em proporcionalidade em relação
aos trabalhadores com carteira assinada. No Rio de Janeiro,
por exemplo em julho de 2008 o percentual de trabalhadores
com carteira assinada era de 44,4%, enquanto os prestadores
de serviço respondiam pelos outros 55,6%. O percentual
de celetistas fluminenses (e cariocas) decresceu 0,5% em
relação ao mês anterior, tendência
que se verifica nos meses anteriores.
Os dados educacionais de contingente de trabalhadores brasileiros
é estarrecedor. Verifica-se – pelos números
do IBGE - que a maior parte dos celetistas atuam em cargos
onde apenas o nível médio é exigido.
Apenas cerca de 5% dos celetistas têm nível
superior, enquanto 58% tem apenas o 2º grau e 14% apresentam
tão somente o 1º grau. Segundo consultores de
RH, em geral, um país que não cria em massa
muitos cargos de nível superior não tem uma
base educacional forte, bem ao contrário, possui
carências gritantes em vários níveis
de sua Educação.
Como já adiantava há quase um ano a edição
número 6 da revista NEWSLET (do Grupo LET Recursos
Humanos), nas palavras do consultor Max Gehringer, “o
emprego com carteira assinada, salário fixo e benefícios
legais é um fenômeno do século 20 e
irá diminuir cada vez mais no século 21, pois
as empresas demonstram que preferem terceirizar serviços
a ter que contratar mais gente e assinar mais carteiras,
em outras palavras, os empregos passam, mas os trabalhos
e a carreira continuam”.
Na mesma reportagem, Joaquim Lauria, Diretor Executivo do
Grupo LET Recursos Humanos, afirma que o autônomo
não é mais vantajoso para o empregador apenas
por reduzir absurdos custos tributários. “Em
geral o autônomo tem desempenho superior ao do trabalhador
CLT porque ele tem que constantemente provar seu talento
e não pode esperar as coisas caírem do céu”,
afirma Lauria.