Dois giros no ar sob si
mesma, três saltos e uma queda perfeita com um dos pés
apenas apoiados sobre uma pequena trave de madeira cuja espessura
não ultrapassa os 10 centímetros sob a pressão
de um ginásio lotado e a torcida contra. Esta é
a descrição de um dos perfeitos movimentos desta
menina notável de 17 anos e apenas 1,45m de altura,
a americana Shawn Johnson destaque absoluto da equipe americana
nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Um fenômeno
em sua área de atuação! Mas é
também a descrição metafórica
de como deve um gestor se comportar sob a pressão máxima
de uma empresa que exige resultados em um mercado altamente
competitivo.
O exercício da ginasta americana sobre a trave de equilíbrio
mostra exatamente como o gestor deve se manter em uma situação
de risco, otimizando ao máximo seu talento. Tente fazer
o exercício de transpor movimentos e atitudes de Shawn
Johnson para a relação gestor x colaborador
(ou funcionário de empresa). Senão vejamos:
a menina precisava de uma atuação perfeita porque
sua colega de equipe havia falhado, se desconcentrado e caído
da trave ao primeiro movimento. Primeira atitude: Shawn mostrou
firmeza ao consolar a colega, dizendo-lhe poucas e bem posicionadas
palavras para lhe levantar a moral. Segunda atitude: Shawn
procurou esquecer o tamanho do desafio, apenas focou seu objetivo
em cada ponto da apresentação; usou a adversidade
para aumentar seu nível de concentração.
Para isso trouxe à memória seus momentos mais
nítidos das situações de treinamento.
Nós vivemos diariamente sobre uma trave de equilíbrio,
mas geralmente caímos ao menor sinal de pressão.
E no mundo competitivo estamos cercados de “juízes”
ávidos por apontar nossos erros a uma simples queda
da tal “trave de equilíbrio”. Precisamos
acreditar em nosso potencial e usarmos positivamente essa
adrenalina para, ao invés de nos estressarmos, aguçarmos
a capacidade de termos controle sobre nossos movimentos.
Uma torcida chinesa alucinada e uma pequena trave somados
ao peso da responsabilidade de subir a nota da equipe americana,
não foram suficientes para derrubar os 1,45m da moça
sorridente. Terceira atitude: positividade – Shawn subiu
a trave com um sorriso de orelha a orelha; já é
comprovado cientificamente que o sorriso libera endorfina
e outras substâncias que aprimoram a capacidade do ser
humano de ter controle sob si mesmo. Sorrir faz um bem incalculável
à saúde. Em momentos de crise em uma empresa,
o gestor tem que ser o primeiro a sorrir e a espantar o pessimismo.
Todos podem manifestar pessimismo menos aquele que tem que
cuidar das pessoas. O Titanic pode estar afundando, mas você
(gestor) tem que ficar lá no convés tocando
o seu violino e motivando as pessoas. Usar a crise para dar
a volta por cima é possível se o início
disso tudo for um sorriso. E se o segundo passo vier acompanhado
de muita concentração e respeito ao espaço
físico em que se está trabalhando. Shawn efetivamente
respeito o poder da trave, sem jamais temê-lo, no entanto.
Pois exatamente por isso Shawn Johnson praticamente deslizou
com uma pluma, como se estivesse sobre um colchão de
espuma, em momento algum transparecendo o fato de na verdade
estar “sob o fio da navalha”, como diz a gíria.
Após cada movimento, o seguinte tinha nível
de dificuldade maior e era mais imprevisível. Apenas
um extremo talento emocional foi capaz de conferir à
moça tamanha capacidade de exibição.
Assim devemos agir nas empresas em uma crise. Após
uma primeira atitude arriscada, mas vencedora; não
podemos recuar, ou seja, a segunda ação tem
que ser mais ousada e mais surpreendente ainda.
A loiríssima Shawn pode não ter ganho a medalha
de ouro, mas levantou o moral de sua equipe, se antecipou
às expectativas dos juízes e do público,
obteve a nota individual mais alta naquele aparelho e mostrou
a todos que as crises são os melhores momentos para
se exibir o máximo talento que se espera de um profissional
que ama aquilo o que faz.
Shawn mostrou que antes de liderar a quem quer que seja, você
tem que aprender e colocar na trave de equilíbrio a
liderança de si mesma. Afinal, com tanta confiança,
nem mesmo 10 cm de madeira podem derrubar um ser humano. E
o sacrifício pela equipe é fundamental para
o sucesso de todos nem que a medalha de ouro não venha.
Ao final da apresentação, Shawn Johnson arrancou
aplausos de sua “concorrência”: uma multiplicação
de aplausos chineses comprovou que é possível
sim conquistar a admiração da concorrência
se o trabalho tem foco, concentração e motivação.
Sem foco, concentração e motivação
o talento dela ficaria, aliás, adormecido em suas pernas
e braços.
Durante sua apresentação o comentarista da TV
ressaltava que a moça estava aplicando naquele aparelho
complexo movimentos que antes só seriam possíveis
no solo. Possível e Impossível. Palavras que
não devem existir no vocabulário de um gestor
de pessoas, pois exprimem “possibilidades” e quem
raciocina em função de “possibilidades”
em geral tem dificuldade de ser ousado, de arriscar e de acreditar
de tudo é factível e de que ainda não
descobriram, seja no mundo corporativo ou no mundo esportivo
um limite para o terno “inventividade”.
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