Inteligência não
é sinônimo de talento, embora muita gente confunda
os dois termos para definir indivíduos em suas reações
pessoais e profissionais.
E há uma certa dificuldade, digamos até preguiça
mental, para uma série de pessoas dotadas de ampla
inteligência em admitir que precisam saber dosar e gerenciar
emoções para que possam alcançar uma
alta performance que se traduza em “TALENTO”.
Precisamente esta confusão entre inteligência
e talento coloca muitas empresas em risco, quando profissionais
reconhecidamente competentes em suas funções
começam a colocar em risco o destino da companhia e
de suas carreiras com atitudes que prejudicam o trabalho em
equipe ou mesmo com comportamentos pouco humildes e até
arrogantes.
Autor do best-seller internacional Por que executivos inteligentes
falham,, o Ph.D. em Gestão Estratégica Sydney
Finkelstein ressalta em sua obra que o componente emocional
é um dos principais fatores que ameaçam a gestão
de grandes líderes.
Usando metáforas e exemplos de empresas que passaram
por esses problemas, Finkelstein aproxima seus leitores de
situações e ações que fazem parte
do dia-a-dia das grandes companhias.
Ele diz que por mais competentes que sejamos temos um componente
que às vezes é incontrolável e inerente
às nossas relações de trabalho e profissionalismo.
Quando o componente emocional começa a predominar demais
em nossas ações é muito provável
que algo dê errado. Resultado disso: vaidade, orgulho,
menosprezar a concorrência e tecnologia. Erros primários
que começam a ser cometidos e colocam tudo a perder.
Por mais crédito e respeitabilidade que se tenha no
meio, erros sucessivos e a tão conhecida “cabeça
dura” fazem com que um grande profissional perca pontos.
“As pessoas falham, é perfeitamente entendível
que existam momentos dentro de sua carreira em que algo desvie
seu foco. Problemas familiares, emocionais, de relacionamento,
etc. “As pessoas não são máquinas
e ignorar esses fatores é não olhar para os
problemas”, comenta Finkelstein em um de seus inúmeros
artigos publicados na Internet.
Agora, se o líder for “cabeça dura”
e acreditar cegamente que as suas verdades prevalecerão
a qualquer custo, uma etapa difícil estará por
vir, porque ele passa a ignorar o mercado. Nesse caso, segundo
Finkelstein aponta, as pessoas e os funcionários até
que tentam, mas não conseguem apontar e este líder
outros caminhos. E como o pior cego é aquele que não
quer ver, o ego e a “birra” prevalecem. “Você
começa a entrar em um processo solitário, passa
a não escutar e não enxergar, a ter idéia
fixa”, ressalta. Nesse caso a teimosia impede a inovação
e breca a exposição dos valores que fazem (ou
podem fazer) deste líder um talento.
O líder cego procura falhas
externas
É comum para esse tipo de líder procurar falha
do lado de fora da sua empresa. A culpa é do mercado,
da tecnologia, das pessoas que comandam outras empresas, dos
concorrentes que são incapazes e assim sucessivamente.
Com a idéia de perfeição tanto da sua
empresa como da sua gestão, dificilmente detecta o
que está acontecendo. Nisso perde-se a visão
real do que não está dando certo, e a solução
para isso é abrir os olhos, detectar as armadilhas
e agir. Cabe aos indivíduos assumirem o controle da
situação para saberem o que deve ser feito.
“Essa ‘cegueira' está atingindo cada vez
mais pessoas capazes e talentosas que caem na ilusão
da empresa ideal, nos conceitos de que executivos não
falham e assim vão desenvolvendo “patologias”
de liderança que prejudicam a organização”,
alerta Finkelsestein.
Trabalho em equipe
Reunir a equipe e estimular o trabalho conjunto com amplo
e igual espaço a todos é uma das saídas
para buscar aflorar talentos. A chave da grande empresa é
executar as idéias e não tê-las. E um
dos fatores positivos de trabalhar em equipe é a possibilidade
de trazer o lado crítico, discussões e diferentes
visões de mundo para dentro da organização.
“Um lugar em que não haja debates e nem discussões
denota pessoas perfeitas e auto-suficientes e isso é
perigoso”, acentua o escritor.
Aqui vão algumas dicas para
trocas enriquecedoras de informações:
• Implementar uma reunião do “Erro do Mês”:
refletindo sobre o erro e quais são as lições
que se pode tirar dele;
• Ser crítico e dizer o que poucos gerentes e
líderes gostam de dizer “eu errei”;
• Tentar coisas novas é correr risco. Mas é
saudável aprender com isso, então estimule-se
a tentar coisas novas;
• Descobrir o que está acontecendo em tempo real
para poder corrigir, “sistema de alarme precoce”;
• Evitar o colapso organizacional. Enxergar a realidade
e tirar da cabeça a idéia de empresa perfeita;
• Saber se aquilo que você faz bem vai funcionar
no mercado ou não;
• Se as estratégias estão indo mal não
ignore!
Diante de tantos fatores internos e externos, surgem algumas
perguntas famosas de líderes e liderados que rodam
nosso inconsciente.
Se eu for honesto posso colocar
tudo a perder! Por que falar o que aparentemente ninguém
tem interesse em ouvir?
No fundo, as pessoas têm medo de perder seus empregos,
uma vez que precisam pagar suas contas no fim do mês.
Portanto, ser honesto, franco e debater com os líderes
para apontar suas falhas pode ficar em segundo plano.
Às vezes, temos que ser persistentes e criativos
e ir contra a corrente, para plantarmos uma carreira sólida
e honesta com nossos princípios. Uma saída
inteligente para isso é apostar no networking caso
alguns tipos de líderes não estejam abertos
a essa transparência.
“Falar o que pensamos, elaborar condições,
criar alguma coisa. Por que ficar em um lugar onde se tem
medo de dizer o que precisa ser feito?!”, questiona
Finkelstein. Aposte na sua competência porque grandes
empresas querem grandes pessoas.
Ilusão da empresa perfeita
As empresas sabem o que está acontecendo, mas simplesmente
não tomam providência pelos diversos fatores
mencionados até então. Quando uma postura
ou uma idéia crítica tenta entrar na empresa,
a mentalidade de ameaça toma conta e a primeira providência
é destruir a mensagem ou o mensageiro da informação,
é o início do fracasso. Ele se dá porque
esse líder ainda possui em sua mente conceitos arraigados
que dificilmente são percebidos por ele: a companhia
é minha, tenho todas as respostas para todos os problemas,
minha maneira de conduzir é lei, obsessão
pela imagem, inabilidade de aprender. Ele não percebe
que poucas pessoas estão vestindo a camisa da empresa,
“elas vão saindo de mansinho porque não
querem estar lá quando a bomba estourar!”.
As empresas querem os melhores
Não basta você saber que é inteligente
se você guarda consigo, encastelada, essa inteligência.
Divida-a com a empresa onde você trabalha. Envolva-se
com a empresa. Muitas vezes as pessoas criam relações
frias dentro da organização e negam a compra
de desafios. Sejam responsáveis, prestem contas e
comuniquem-se. Dêem ouvidos ao coração,
mas equilibrem esse fator com os racionais. É a melhor
forma de não deixar o talento escapar ou de não
perder a chance de desenvolvê-lo.