Disputa por talentos
Jul-14-2008
Processo Seletivo – Boas atitudes nos bastidores (antes e depois das entrevistas) são decisivas para entrada no mercado de trabalho
Por Alexandre Peconick (texto e foto)

Silvia Souza, Coordenadora de RH do Grupo LET explica a importância
do candidato saber se posicionar antes e depois de uma entrevista
 
Mostrar maturidade, paciência e elegância não são atitudes esperadas de um candidato em processo seletivo apenas durante uma entrevista. A equipe de RH do Grupo LET assegura que estes posicionamentos momentos antes da entrevista e mesmo depois (no chamado feedback) são fundamentais para que, mesmo não sendo aprovado, o candidato seja lembrado para seleções futuras.

Infelizmente alguns candidatos – tanto de nível médio quanto superior – não pensam e não agem assim. Não são poucos aqueles que demonstram incompreensão e impaciência com entrevistas que atrasam seu início ou que são desmarcadas por um imprevisto ou porque surgiu um seminário de aperfeiçoamento para o profissional que irá entrevista-lo. Há também os candidatos que logo após o processo seletivo ficam ligando e passando incessantes e-mails cobrando uma posição do entrevistador. Não raro, diante de uma resposta negativa, manifestam sua indignação em e-mails recheados com palavras ofensivas e agressivas. Estas são, aquilo que em Recursos Humanos, se chamam de “atitudes anti-competitivas” que, a bem da verdade, ao invés de surtir o efeito que o candidato espera vão minar sua imagem e suas chances de qualquer êxito nesta ou em uma próxima disputa por uma vaga.

De acordo com Silvia Souza, Coordenadora de Recursos Humanos do Grupo LET, o candidato tem que levar em conta que o processo seletivo já começa no primeiro contato telefônico o convocando para uma entrevista. “É importante pensar no como atender ao telefonema, tomando cuidado com as palavras usadas e a entonação; logo ao atender jamais diga coisas do tipo ´Fala aí!´, ´Oi!´´, ´Diga´, ou ´Ahnn´, isso demonstra pouco interesse, prefira um “Bom dia, com quem eu falo?”; e jamais pergunte nesse primeiro contato coisas do tipo “Ah, mais é pra ganhar quanto?”, “Vai demorar a entrevista?!””, explica Silvia. Outro comportamento que queima o filme é o de não se lembrar porque está sendo chamado para a entrevista.

A fase seguinte é a chegada do candidato ao Grupo LET, antes da entrevista propriamente dita. É fundamental se portar com elegância e saber que há limites que incluem o respeito às pessoas. Tudo começa com a maneira dele se portar com a recepcionista. O candidato tem que saber o nome da pessoa que vai entrevistá-lo, o horário da entrevista, para qual vaga será a entrevista. “Aqui ao Grupo LET chegam candidatos que na recepção não sabem nem informar para qual vaga estão concorrendo; outra atitude não recomendada são os comentários agressivos, irônicos e jocosos sobre o processo seletivo antes que se comece a entrevista”, orienta a Coordenadora de RH do Grupo LET.

O candidato chega à empresa e é encaminhado a uma sala de espera onde preenche uma ficha e aguarda a analista que irá entrevistá-lo. “Há candidatos que perguntam demais e se tornam impacientes isso gera um desconforto e um desgaste que influirá negativamente em sua avaliação porque hoje boa parte das vagas incluem em seu perfil pré-requisitos comportamentais”, afirma Silvia Souza.

Colocar os pés na consultoria já faz parte da avaliação. Tudo é o momento da verdade. “Quando ele entra em contato com a recepcionista deve se portar como se já estivesse trabalhando, porque a recepcionista passa muito do que ela vê para as analistas, por exemplo, ela diz se um candidato falou alguma gracinha, já diz que um candidato ligou várias vezes e que está nervoso. Tudo isso já é levado em conta na sua avaliação”, confirma Silvia que já descartou candidatos com este tipo de atitude.


Quem exige retorno antes do tempo demonstra que não sabe ouvir

O candidato veio, mas a entrevista atrasou ou até mesmo foi adiada. Subir nas tamancas ou dar lição de moral, acredite, é a pior saída. Segundo a Coordenadora de RH do Grupo LET, o entrevistador parte do princípio de que o candidato está realmente interessado na vaga. Que ele a prioriza. “É importante quando se está participando de um processo seletivo que você não tenha outros compromissos importantes naquele dia e que você dê prioridade a isso; normalmente avisamos a duração de uma entrevista, mas ocorrem imprevistos e a entrevista pode até durar mais; então o ideal é que o candidato tenha paciência”, esclarece Silvia Souza.

Após a entrevista as consultorias em geral informam ao candidato que no prazo de uma semana haverá uma resposta. Ocorre que alguns processos seletivos são gigantescos em números de candidatos e já na entrevista os candidatos são informados de que se não receberem retorno em uma semana é porque não foram classificados.
“Aqui no Grupo LET procuramos dar feedback às pessoas dentro do possível. Mas temos um prazo para isso e há candidatos ansiosos demais que ficam ligando, passando e-mail, entrando no Fale Conosco antes do tempo; isso é desagradável para a imagem destas pessoas; mais grave do que isso, denota que elas são pessoas que não sabem ouvir e que não têm capacidade de aceitar idéias em grupo”, avalia Silvia Souza.


Processo seletivo é como Big Brother Brasil, qualquer momento pode ser decisivo

Valores Humanos ou comportamentais, ou ainda as chamadas competências comportamentais estão hoje em destaque no perfil de vagas que em um passado não muito distante apenas exigiam habilidade técnicas. Por isso as analistas de RH do Grupo LET orientam os candidatos para que sejam simpáticos em um processo seletivo porque qualquer deslize poderá ser a diferença entre aprovação e reprovação.

“É como um Big Brother Brasil; todo mundo é muito amigo, mas fique atento porque qualquer momento pode representar a sua aprovação ou eliminação, afinal pode haver muita gente tecnicamente igual para uma ou poucas vagas”, explica Silvia Souza.

Há candidatos que questionam demais que enviaram currículos e não foram chamados ou que participaram de muitas entrevistas e mesmo tendo muita experiência e muitos cursos não foram chamados. “Primeiro, envio de currículo em quantidade não garante convocação, currículo tem que casar com o perfil da vaga; segundo, peço a estes candidatos que façam uma auto-avaliação e percebam que foram desclassificados por algum ponto no lado comportamental”, sugere a Coordenadora de RH. Candidatos arrogantes, egocêntricos, sem humildade, sem iniciativa, que não permitem que os outros falem ou que não estão abertos ao aprendizado em geral têm poucas chances nos processos seletivos atuais. E tudo isso já pode ser facilmente percebido antes do candidato sequer abrir a boca para responder à primeira pergunta da entrevista.
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