Jogo de cintura
Abr-22-2008
Jogo de cintura é preciso ao receber ordens
O que fazer se você tem dificuldades em receber e cumprir ordens dentro de uma organização
Por Alexandre Peconick (texto) / Foto: Site Sxc.hu

Ter paciência para saber se controlar é uma dádiva daqueles que vencem no mercado
 
O trabalho é de fato nossa segunda casa, mas nem tudo o que se aplica na primeira devemos levar à segunda. Na segunda (o ambiente de trabalho) devemos respeitar certos procedimentos, não apenas ordens de superiores mas, sobretudo, a cultura de empresa. De outra forma, mesmo se o profissional em questão possuir alta dose de talento sua empregabilidade estará em cheque (ameaçada).

A receita ideal em um ambiente organizacional é saber dosar pró-atividade com respeito à hierarquia; dosar valores pessoais com valores de uma empresa. Apenas com alguma experiência ou alto grau de sensibilidade e auto-controle isso é possível. Ou dê a isso um nome mais palatável: tenha jogo de cintura e conquiste o respeito e admiração de todos! Mas atenção, faça isso de uma forma natural, espontânea e jamais forçada.

Não é raro haver bom número de profissionais com dificuldade em seguir ordens, por considerá-las “estapafúrdias”, entre outras razões. “Faça o que eu mando!” Quando essa expressão cai como uma pedra em seus ouvidos ou quando acha que não está tendo a sua independência respeitada, cuidado! Você pode estar apresentando sintomas de aversão à liderança – embora o verdadeiro líder não costume dizer frases ... e isso pode colocar em risco seus resultados e, ainda pior, seu emprego.

Possuir capacidade para resolver problemas, coordenar pessoas, desenvolver estratégias em seu setor são atitudes válidas e desejadas para se manter bem em qualquer emprego. Mas há uma linha muito sutil inclusa nessas características: é quando você começa implantar uma liderança paralela.

Os conflitos entre empregados e hierarquia são comuns e existem desde sempre, pois a relação entre pessoas em si é delicada. Segundo alguns psicólogos especializados em gestão de carreiras e processos de reestruturação, normalmente a base do conflito são as exigências vindas do líder, que precisa ser acatado, e as do funcionário, que precisa ser reconhecido pelo que faz. O problema é se o colaborador quiser fazer tudo do seu jeito e preferir fazê-lo passando por cima das regras. Nessa atitude percebe-se que algo começará a dar errado.


Tem que ser como eu quero! Será?!

No mercado hoje ninguém atua sozinho e para se alcançar o sucesso de uma equipe, é imprescindível que esta equipe siga um padrão de comportamento. Se por um lado, um profissional agir com certa independência é sinal de segurança e até de empreendedorismo, por outro pode ser o começo de um trabalho solitário. Mostrar maturidade profissional garante muitos pontos, até porque ninguém irá supervisioná-lo a cada dúvida que tiver, mas em casos extremos essa atitude pode gerar desrespeito à hierarquia.

Para o bom andamento de um setor e da empresa como um todo, a cada decisão é necessário consultar, perguntar, ouvir e acatar. Se isso vale para lideranças inteligentes, porque não valeria para os próprios funcionários? Considerando a lógica, esse pensamento já faria com que boa parte dos problemas internos desse profissional se resolvesse, mas não é bem assim. Por exemplo: Quer maior frustração para um profissional especializado ter que responder a alguém que esteja totalmente fora do processo, e que ainda possui o poder de decisão? Pois então, essa pode ser uma das razões que causam desconfortos e tornam o profissional cada vez mais resistente, fazendo tudo do seu jeito. Afinal ele pensa: “Poxa, estudei este tema anos, ninguém aqui na empresa o entende melhor do que eu, então porque devo aceitar regras de uma pessoa com menos expertise do que eu neste assunto?”.

Se a sua personalidade vai ao encontro dessas características, saiba que bater de frente não é a melhor opção. Você pode sem querer começar a agir da mesma forma com que age com você e acabará não escutando nem percebendo o que acontece à sua volta - desencadeando atitudes como: começar a colocar dificuldades nos processos, exigir prioridades, se irritar e se recusar a respeitar as hierarquias. Como reflexo dessas atitudes, você poderá ser interpretado de uma maneira equivocada, passando por “autoritário”, por “mala” ou mesmo por um sujeito “antiquado”, senão “antipático”. Com isso deixará de ser referência para as pessoas, o que nunca é bom sinal em nenhum ambiente de trabalho.

Trabalhar em equipe cobra de cada um algumas regras a serem seguidas. Por essa razão o temperamento “mandão”, muitas vezes aplicado nas empresas, passa a perder sua eficiência, já que para lidar com pessoas é necessário comunicação e flexibilidade. Respeitar o que precisa ser feito e ceder faz parte do trabalho e nem por isso significa omissão ou falta de personalidade, ao contrário, denota profissionalismo.


Melhore seu comportamento

Vale a pena ser flexível. MUITO ! Uma liderança inteligente é baseada no diálogo constante com seu funcionário. Eliminar situações mal-entendidas, respeitar momentos difíceis tanto profissionalmente como da vida pessoal de cada um, faz parte dessa atitude. Seja maleável e veja em que situação é melhor respirar, contar até dez ou resolver o que estiver incomodando. E jogue sempre aberto com quem quer que seja, evitando com isso conseqüências desastrosas lá na frente.
 
10 boas dicas para melhorar seu jogo de cintura:
1. Escolha a melhor maneira e o melhor momento para falar. Use a sensibilidade, às vezes, é melhor deixar o assunto “esfriar”. Um dia esquisito pode deixar as decisões simples tomarem uma proporção inadequada;

2. Feedback : dê e peça e espere da pessoa o resultado, não cobre antes disso;

3. Nem sempre você está certo, não coloque a culpa no mundo;

4. Se perceber uma liderança incompetente, não bata de frente, pois isso não lhe trará nenhum benefício imediato ou a longo prazo. Prefira decisões que contribuam com sua carreira;

5. Comprometa-se com o seu trabalho;

6. Observe os colegas de trabalho, se eles cumprem prazos e como é feito o relacionamento com os antigos, aprenda com eles, mesmo se você tiver 20 anos de experiência e o colega alguns meses, sempre haverá algo a se aprender com ele;

7. Melhore a comunicação. A relação entre líder e funcionário tem que ser clara: mostrar que eu estou vendo o que você está fazendo, sem palavras dúbias ou omissão de informações importantes;

8. Elimine o “eu acho que”, tenha certeza;

9. Respeite a hierarquia;

10. Tenha uma relação de competição saudável dentro da empresa, o que é isso? Não conspire, não faça fofoca, trabalhe para se aprimorar, sem que essa melhoria passe por cima de alguém;
 
É claro que em alguns casos não podemos colocar a culpa apenas no “gênio forte” do funcionário. Esse problema na maioria das vezes é uma resposta a toda uma rede de componentes que não vêm sendo bem gerenciados. Perdem-se talentos quando a liderança não é eficaz. Por exemplo, o alto nível de turnover vem como uma das respostas por essa falta de comunicação e percepção da liderança para com seus colaboradores.

Agora, se esse não for o caso, pequenas atitudes como autocrítica, perguntar para as pessoas com quem convive mais diretamente se está no caminho correto são boas saídas para que aos poucos esses ruídos possam ser solucionados. Parta do pressuposto que não existe uma verdade absoluta em nenhum caso, por mais óbvio que este possa parecer. Se importar com a opinião dos colegas, com o sentimento deles e com a repercussão que cada ação sua terá para a empresa são passos fundamentais para obter esse equilíbrio. Exercite isso diariamente, sem deixar de colocar no papel suas idéias e sua criatividade.
 
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