Marketing Pessoal e Relações Amorosas
Mar-17-2008
Marketing Pessoal e Relações Amorosas
O Dr. Martin Portner, Neurologista e autor do livro “Inteligência Sexual”, explica porque às vezes se vamos mal no amor nossos negócios estão de vento em popa e como equilibrar os dois lados
Por Alexandre Peconick (texto) / Fotos: Site Sxc.hu e Arquivo pessoal Dr. Portner

Brigas a dois pode ser um bom combustível para render no trabalho ou não necessariamente
 
Inúmeros profissionais são mestres em vender seu peixe no escritório, mas em casa não conseguem segurar uma relação a dois. E isso acontece com homens e mulheres.

Não é muito incomum você escutar até de alguns consultores que uma “fase altamente produtiva para um profissional acontece quando ele está mal ou quando termina uma relação afetiva”. Uns constatam que isso é verdade, outros consideram esse pensamento uma estupidez. Mas por que isso acontece? Como podemos fazer ou se podemos aplicar algumas regrinhas que funcionam em marketing pessoal para investir em durabilidade de um relacionamento?

O SITE DO GRUPO LET procurou o Dr. Martin Portner, médico neurologista com Masters em Neurociências pela Universidade de Oxford (1980) para esclarecer algumas questões que ligam vida profissional ao relacionamento amoroso. Leitores assíduos do SITE DO GRUPO LET e com boa memória hão de se lembrar do Dr. Portner falando aqui sobre a influência da sexualidade bem vivida para as relações de trabalho.

Gaúcho residente em Nova Petrópolis (RS) e autor dos livros “A Senha da Virilidade” (Editora AGE, Porto Alegre, 1996), “Inteligência Sexual” (Editora Gente, 1999) e do e-book (disponibilizado pela Internet) “Empatia no Trabalho”, o Dr. Portner dedica parte de seu tempo a palestras e workshops, sobre temas ligados à presença da emoção na jornada de trabalho. Sua principal habilidade é a de fomentar os quatro feelings essenciais para o sucesso: apreço, empatia, intuição e criatividade.

SITE DO GRUPO LET - Por que alguns executivos, bons vendedores de idéias e produtos, são pessoas que perderam relacionamentos amorosos ou que não conseguem fazer decolar sua vida nesse campo?

Dr. MARTIN PORTNER - São as ligações entre as células neuronais (dos nossos mais de um trilhão de neurônios) que nos dão a energia para mover, falar, pensar e decidir o que fazer no futuro. Mas essa energia não sai do zero. Temos no cérebro uma reserva de energia. Na vida adulta, o cérebro organiza os acréscimos de energia a partir dessa reserva. Isso quer dizer que se vamos lançar mão de energia para ter prazer no trabalho, ela parte dessa reserva. E se vamos gastar energia nos relacionamentos amorosos, também sacamos daí. Reserva essa que não é perdida, ela tem uma medida e não podemos pegar mais do que não temos.

Isso quer dizer que é necessário um gerenciamento dessa reserva de energia. Dessa forma, não vamos gastar demasiadamente num aspecto da vida e deixarmos o outro na mão. No trabalho, quando tudo gira em torno dele, abusamos do saque de energia para esse fim e não teremos energia para os relacionamentos amorosos.

Da mesma forma, o inverso. O Casanova gasta tanto tempo e energia no processo das seduções, que não consegue concentrar-se no trabalho. Portanto, aqui prevalece a lei da economia, do bom-senso e do gerenciamento apropriado entre as duas coisas: amar e trabalhar bem! Grandes executivos, que vendem boas idéias e produtos, perdem relacionamentos amorosos porque não conseguem o equilíbrio entre essas duas grandes áreas da vida humana.

SITE DO GRUPO LET – Mas por que a depressão amorosa é um combustível para gerar grandes idéias profissionais, como dizem alguns consultores de negócios?

Dr. MARTIN PORTNER - Não sei se essa afirmação é verdadeira para todos os casos. Alguns homens se deprimem tanto depois de frustrações amorosas que nem conseguem trabalhar direito. Mas há outro tipo de homem (essa regras aqui não se aplicam muito bem às mulheres, já que a inteligência emocional delas ultrapassa de longe a nossa) que redireciona, com absoluto sucesso, seu fundo energético ao trabalho e nele prosperam. Para o homem, trabalho é coisa muito importante. Mais que o amor. Por isso, a desilusão acaba por se transformar em uma espécie de combustível. Depois de uma desilusão amorosa, a volta ao trabalho se assemelha ao retorno à casa segura. Trabalhar para esquecer. E recomeçar.

SITE DO GRUPO LET - Existem regrinhas do marketing pessoal nos negócios que poderiam ser usadas com sucesso em relacionamentos a dois? Podemos considerar um relacionamento como em “empreendimento”?

Dr. MARTIN PORTNER - Podemos, sim, considerar um relacionamento afetivo como um empreendimento, DESDE QUE, a partir da arrancada, o “negócio” seja tratado como um “empreendimento afetivo” em que as “ferramentas mercadológicas” sejam a mescla da razão com a emoção.

As mulheres trafegam bem no campo emocional, tanto nos relacionamentos como no trabalho. Elas são geneticamente mais equipadas para isso; e adestram isso desde cedo na vida familiar e com suas amigas. A mulher responde, principalmente, a dois quesitos emocionais e que, se bem explorados, se transformam nas regrinhas de marketing pessoal que você me questiona.

O primeiro é o atrelamento de valores afetivos às palavras. Palavras vazias agem como repelente. Palavras emotivas, afetivas, atraem a atenção das mulheres.

Segundo, a mulher precisa ser surpreendida. A mulher, especialmente mulheres competitivas, bem sucedidas, já conhecem todas as trivialidades. Se você não a surpreender, a atenção dela (que te escuta) entra em piloto automático dentro de poucos segundos. A mesma coisa ocorre nos relacionamentos. Se você não surpreender, cativar, a atenção que você merece não vai prosperar!

 

“As mulheres querem, hoje em dia, (acho até que sempre quiseram) homens competitivos como o leão, mas com alma sensível como o urso panda”
Dr. MARTIN PORTNER
 
SITE DO GRUPO LET - Quando casais brigam, na maioria das vezes são gerados ressentimentos difíceis de serem “curados”. Existe algo de marketing, algum elemento que possa remediar briga de casal?

Dr. MARTIN PORTNER - Sempre digo que “as palavras que saem da boca jamais voltam”. Tudo o que é dito, permanece. É verdade que perdoamos (os emocionalmente mais bem dotados perdoam, outros permanecem amargos para o resto da vida), mas jamais esquecemos. Acredito que no marketing, nada é feito sem ser antes bem planejado. Sei que na briga não há nada planejado, mas se você disser demais, o que você perde também é demais. Cuidado ao esgrimir com as palavras na raiva.
Por outro lado, é possível remediar. Em alguns casos pelo menos, dá. A regra é usar a emoção nas palavras e, depois, surpreender. O velho e surrado pedido de desculpas está ultrapassado. Inove na maneira de desculpar-se a ela (ou ele) e você poderá ser perdoado (a) ... até mesmo com chances de retorno!

SITE DO GRUPO LET - Por que é tão difícil para algumas mulheres amarem um homem que tenha sucesso? Esse homem pode não estar fazendo o marketing correto com essa mulher?

Dr. MARTIN PORTNER - É certamente muito difícil para uma mulher amar um homem bem-sucedido quando toda a energia dele está voltada para o sucesso e o trabalho. Mulheres têm sensores inteligentes. Muitos desses homens “bem-sucedidos” almejam, de fato, as luzes do sucesso, o entorpecimento por ser o campeão em uma arena muito competitiva.
Embora algumas mulheres possam ser temporariamente atraídas por esse tipo de homem, o vínculo vai sumindo rapidamente porque não foi bem construído. Mulheres sabem que assim que a “admiração” delas pelo “bem-sucedido” diminuir, o interesse dele por ela também se vai. Não é uma relação amorosa genuína, com interesse de um pelo outro. Lembre-se da regra: o fundo energético é um só, se você sacar muito para o trabalho e o sucesso, não sobra nada para a alma. As mulheres querem, hoje em dia, (acho até que sempre quiseram) homens competitivos como o leão, mas com alma sensível como o urso panda.

SITE DO GRUPO LET - Estar apaixonado é bom ou ruim para se correlacionar este sentimento com alguma ação de marketing pessoal que possa gerar ganhos profissionais? Por quê?

Dr. MARTIN PORTNER - Estar apaixonado é sacar momentaneamente, com vontade, do fundo de energia para investir tudo na pessoa amada. Contudo, se mal-gerida, a energia da paixão pode cegar e trazer resultados ruins. Bem administrada, a paixão traz resultados incríveis para a relação amorosa e também para o sucesso no trabalho. Já reparou como colegas de trabalho rapidamente detectam quem está apaixonado e quem está “na pior”?

A paixão é nutritiva, restauradora. O homem (ou a mulher) que administrar a sua energia afetiva, distribuindo-a entre a pessoa amada e a criatividade no trabalho será feliz: vai ganhar em ambas as esferas. Estar apaixonado e contaminar as pessoas ao redor é sempre muito positivo.

Nem vamos falar da paixão não-correspondida e da fossa... Felizes aqueles que conseguem apaixonar-se por pessoas e por temas diferentes, nunca encalhando naquela situação que a vida “terminou” só porque o “outro” (“outro” pode ser a mulher, a nova idéia, o novo empreendimento) não sorriu de volta.

SITE DO GRUPO LET – Afinal, no seu ponto de vista, que “ensinamentos” de um relacionamento mal-sucedido alguém pode usar para ir bem em um projeto profissional e também para ir bem em uma entrevista para emprego?

Dr. MARTIN PORTNER - O relacionamento amoroso mal-sucedido ensina uma lição amarga, dá uma flechada no coração – ensina que você agiu mal, foi pouco criativo, pouco convincente, foi insuficiente. Em uma reunião na empresa, se você deseja seduzir o chefe ou a equipe de trabalho para “comprar” a sua idéia, o que é que você faz? Pesquisa, garimpa informações, analisa, rumina sobre o assunto por horas e decide por uma estratégia.

Temos uma infeliz tendência de achar que o investimento no relacionamento pode ser “menor”. Pelo contrário, no amor precisamos ser ainda mais criativos e estrategistas. Precisamos ter cuidado: é um campo onde as mulheres se saem bem porque lida com emoções. Se usarmos palavras carregadas com conteúdos emocionais, e não o blá-blá-blá empresarês, e focarmos no sentir, confiarmos na intuição, seremos bem-sucedidos.

E, de lambuja, afiaremos armas que poderão ser empregadas no ambiente corporativo. Como disse Alfred Sloan, CEO da General Eletric, “depois de ouvir todos os argumentos lógicos, decido com a intuição”. O que é a intuição senão confiarmos em uma dica emocional, algo sem lógica que vem do nosso interior?

As mulheres sabem disso porque são mais intuitivas. O mercado de trabalho hoje busca mulheres porque deseja remunerar a sua intuição. Razão e intuição, no trabalho, é aliança imbatível. No amor, é recompensado quem investe o melhor de si no melhor dos outros.

 
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