Timidez é uma característica
que qualquer um de nós apresenta em algum momento da
vida. Mas timidez em excesso ou exibida de forma descontrolada
pode prejudicar o sucesso profissional. Pode impedir uma promoção;
impedir que você tome um passo mais ousado, mas necessário;
pode lhe causar uma demissão ou mesmo pode atrapalhar
sua admissão. Se o ideal para se obter alta perfomance
hoje é saber trabalhar em equipe, esta situação
não condiz com a timidez em doses altas.
Muitos grandes líderes tiveram que superar altas doses
de timidez para poderem mostrar seu valor e serem reconhecidos.
Pode parecer incrível, mas Winston Churchill, Martin
Luther King, Luís Felipe Scolari (o Felipão),
Luís Inácio Lula da Silva e o técnico
de vôlei Bernardinho eram pessoas tímidas em
sua infância e parte da adolescência. Sem ter
que assistir a palestras ou ler livros de auto-ajuda eles
trabalharam ferramentas naturais de motivação
que lhes ajudaram a mascarar a timidez e aflorar seus talentos.
Mas também se esforçaram para aprender e para
viver experiências que lhes permitissem olhar nos olhos
dos outros sem nada temer.
Aqueles que precisam de líderes para lhes guiar sentem
falta de pessoas que não têm medo de mostrar
sua expressividade, seus medos, suas angústias e suas
idéias. Contudo, não se vence a timidez pegando
exemplos de pessoas eloqüentes. Ninguém deve tentar
ser um “Bernardinho”, ou um “Felipão”,
ou um “Churchill”. A melhor saída é
pegar as características que você considera as
melhores em você – seus pontos fortes –
e usá-las de forma insistente em favor da comunicação
e do trabalho em equipe.
Por exemplo, Flavia (uma personagem fictícia) é
muito analista, pragmática e didática (ela também
já foi professora). Explorou essas qualidades na hora
de falar em público que, juntamente com os cursos,
fazem com que hoje ela seja uma pessoa muito mais segura de
si, e pegue o microfone sem medo de errar. Para tanto foi
preciso quebrar alguns medos, como aprender a ser observada.
Esta mudança foi há 10 anos. Foi decisivo para
minha carreira de Flavia decolar. A partir deste momento,
os resultados começaram a aparecer de verdade. Hoje
Flavia é gerente de uma equipe de 300 pessoas.
Se você quer vencer a timidez no meio profissional (ou
quer supera-la para não “fazer feio” em
uma dinâmica de grupo em processo seletivo para emprego),
quatro dicas são interessantes àqueles que podem
se tornar líderes, mas que hoje ainda estão
dentro de uma concha:
• Gostar muito do que faz.
• Gostar de trabalhar com gente, dedicar-se ao trabalho
de ouvir (mais do que falar) e interagir com as pessoas.
• Não desprezar nenhuma idéia ou oportunidade
trazida por quem quer que seja. Mesmo que pareça estranha
no começo, anote e pense com calma depois.
• Ser um eterno observador, estar sempre atento ao clima,
a integração e ao desenvolvimento de todos.
• Fazer mensalmente uma dinâmica de grupo com
toda a equipe – isso ajuda muito a conhecer cada um
dos colaboradores e detectar possíveis problemas.
Não ter medo de ser tímido e de exibir este
comportamento é outro grande passo para lidar com a
timidez. Segundo os mais renomados psicoterapeutas, “já
que você é tímido, não se esforce
para parecer extrovertido; você parecerá artificial,
não-autêntico; além do mais, para a maioria
das pessoas o fato de você ser tímido ou extrovertido
não faz a menor diferença na hora de formularem
um juízo de valor a seu respeito (lembre-se que 75%
das pessoas também são tímidas, assim
como você)”, concluem.
O que conta para o que as pessoas pensarão a seu respeito
são de fato os valores positivos ou negativos que você
exibe. E timidez não é valor, é atitude.
Portanto, o fato de ser tímido ou não, não
acrescenta peso ao juízo de valor que alguém
faz de você. Seja você mesmo. Assim estará
fazendo o melhor possível para obter sucesso profissional.
Outro passo importante é entender que TIMIDEZ não
é uma doença, e muito menos um transtorno, embora
pode ser tratado por psicoterapeutas .
Se Timidez não é transtorno,
o que ela é então?
Pelo senso comum, a Timidez é um padrão de comportamento
caracterizado pela inibição em certas situações,
podendo ser acompanhado de algumas alterações
fisiológicas, como aceleração da respiração
e dos batimentos cardíacos. Em outras palavras, é
um padrão de comportamento em que a pessoa não
exprime (ou exprime pouco) os pensamentos e sentimentos, e
não interage ativamente.
A outra maneira de explicar o que é Timidez, é
descrever o que se passa dentro da pessoa. Embora esta seja
uma área complexa, como são todos os processos
psicológicos, alguns pontos se destacam:
- Reconhecimento da dificuldade em interagir com as pessoas
ou em situações sociais.
- Anseio de mudar, ou seja, o anseio de liberdade.
- Presença de desacordos internos. Ao lado do anseio
existem barreiras que impedem a livre expressão de
pensamentos, sentimentos, emoções. Dependendo
do peso relativo do anseio e das barreiras, a dificuldade
é maior ou menor, restrita a certas situações
ou extensiva a muitas.
- A dificuldade não gera grande sofrimento e tampouco
compromete de forma significativa a realização
pessoal.
- Presença de sentimentos e emoções que
se exprimem intensamente em fantasias. Uma vez que os sentimentos
não são expressos integralmente na vida real,
tal represamento faz com que as fantasias se tornem muito
mais intensas e freqüentes. Nas fantasias as barreiras
não existem.
Mas o que pode causar essa timidez?
As causas são múltiplas. Eis as principais:
Pai ou um dos pais porta timidez - A percepção
depreciada de si mesmo o faz depreciar ou não
confiar no filho(a).
Pais ou um dos pais muito agressivo - Isso
faz com que o filho tenha uma visão dos outros como
potencialmente hostis.
Experiências de humilhações silenciosas
ou públicas - Isso corrói o "eu"
ou produz distorções no "eu" que está
se desenvolvendo.
Familiares críticos - Algumas famílias
têm uma cultura muito crítica. Essa postura pode
ser velada ou aberta, direta (dirigida para dentro dela mesma)
ou indireta (críticas dirigidas a pessoas de fora).
Problemas familiares que causem vergonha
- É comum as crianças ou adolescente sentirem-se
envergonhados durante um processo de separação
dos pais, por exemplo. Isso pode ser superado em pouco tempo
ou pode permanecer como uma forma de auto-depreciação.
Problemas familiares de outra natureza podem também
causar esse dano.
Famílias afetivamente frias - Famílias que não
exprimem os sentimentos ou os exprime muito pouco, principalmente
os sentimentos de carinho e alegria pelas realizações
de alguém do grupo. Elas podem contribuir indiretamente
para a timidez, na medida que isso não ajuda a desenvolver
uma percepção pessoal de capacidade de realização,
de competência, de ser capaz de ser amado, de ser estimado,
de ser respeitado pelos outros.
Tratamento da Timidez
Se as iniciativas individuais ( tais como envolvimento em
grupos de estudo, cursos, vivência de situações
inusitadas, viagens, sair da rotina, entrar em salas de bate
papo e fórum na Internet e desenvolver relações
amistosas, conhecer novas pessoas, entre outros) não
surtirem o efeito necessário é importante buscar
o tratamento da Timidez por meio, principalmente, de abordagem
psicoterápica, uma vez que os níveis de ansiedade
são leves ou moderados.
Terapia Centrada no Cliente - Se ocorrem
certas adversidades no ambiente em que o indivíduo
se desenvolve, surgem desacordos internos e a ansiedade. Neste
caso o terapeuta oferece um ambiente de aceitação,
compreensão e de interesse genuíno pelo bem
estar do cliente, que tende a buscar uma melhor compreensão
de si mesmo, a ordenar melhor os conceitos, a fazer escolhas
mais coerentes com o que o seu organismo indica e, com isso,
liberta as forças construtivas inatas.
No caso da timidez, o cliente faz muitas referências
negativas em relação a si mesmo no início
da terapia, mas no transcorrer das sessões este cliente
vai se desinibindo e se liberando de atitudes ansiosas.
Terapia Comportamental na Clínica
- Consiste, inicialmente, em fazer um levantamento das situações
nas quais a pessoa experimenta ansiedade e ordená-las
segundo a intensidade da ansiedade. Assim, as situações
são hierarquizadas - faz-se uma lista das situações,
começando pela que causa ansiedade muito baixa e terminando
por aquela que causa a ansiedade mais elevada.
Em outra etapa, a pessoa é colocada em estado de relaxamento
muscular e estimulada a reproduzir mentalmente a imagem da
situação que causa a ansiedade mais baixa. O
exercício é repetido algumas vezes e passa-se
para a imagem mental da situação que causa ansiedade
um pouco mais alta, segundo a hierarquia feita. E assim, sucessivamente,
em várias sessões, espera-se que o organismo
aprenda a ficar relaxado em todas as situações
em que vinha respondendo com ansiedade.
Nesse modelo, não é necessário conhecer
a causa da timidez. Importa que seu organismo dá um
tipo de resposta (ansiedade) a certas situações,
a qual é inconveniente e deve ser substituída
por outra resposta (confortável, naturalmente).
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Deve ser praticado, a princípio,
até quatro vezes por dia, durante 21 dias. Após
estes 21 dias recomenda-se parar sete dias e repetir durante
mais 21. Quase sempre este tempo é suficiente para
produzir resultados satisfatórios. Mas você poderá
repetir o exercício outras vezes, se quiser. Por exemplo,
pode repeti-lo uma vez por semana até que se sinta
absolutamente seguro.
Cada sessão deve tomar quatro ou cinco minutos do seu
tempo. Não mais do que isso.
Mas quando? “Eu não tenho tempo!”. Pare
de dar desculpas a si mesmo. Você pode praticar, por
exemplo:
1ª sessão - pela manhã,
antes do desjejum, ainda na cama
2ª sessão - antes do almoço
3ª sessão - ao entardecer
4ª sessão - na cama, antes de
dormir
Segundo o psiquiatra e educador Giorgi Lozanov - criador
das técnicas de aprendizagem acelerada - o estado
ideal para memorizar é quando o cérebro opera
na faixa de 8 a 12 ciclos/segundo, ou seja, estado “alfa”.
Qualquer pessoa pode atingir este estado através
de técnicas simples de relaxamento. Portanto, faça
de acordo com o roteiro abaixo:
1 - Procure uma posição cômoda; afrouxe
os cintos, tire o relógio, óculos etc. Você
não precisa estar deitado, porém, o ambiente
deve estar calmo, sem tique-taques de despertadores, falatórios
ou quaisquer ruídos impertinentes;
2 – Fique absolutamente imóvel – braços,
pernas e musculatura do rosto absolutamente frouxos -, feche
os olhos e respire lenta e profundamente cinco ou seis vezes,
inspirando pelo nariz e expirando pela boca. Depois volte
a respirar normalmente;
3 – Ainda de olhos fechados e o mais imóvel possível,
por uns dois minutos concentre toda sua atenção
na respiração. Tente perceber o ar entrando
e saindo pelas narinas. Esta providência é conveniente
para evitar o assédio de pensamentos impertinentes
enquanto você atinge um bom nível de relaxamento;
4 – A esta altura você deve estar se sentido leve,
calmo, respirando tranqüilamente. Se não estiver
ainda entrado em alfa, estará muito próximo
disso;
5 - Se não tiver memorizado as formulações
(que estão logo a seguir) leia cada uma delas num tom
de voz normal, nem muito baixo, nem alto. Mas leia como se
estivesse dando uma ordem para você mesmo. Uma ordem
clara e objetiva.
Exemplo de formulação eficaz:
"Diante de qualquer pessoa e em qualquer lugar,
eu me sinto SEMPRE calmo e seguro.
Seja qual for a situação - SEJA QUAL FOR -
eu mantenho SEMPRE a minha tranqüilidade."
6 - Se já tiver memorizado, repita no mesmo tom de
voz, uma depois outra, cinco ou seis vezes;
7 - Feito isso, respire de novo, profundamente, cinco ou
seis vezes e o exercício estará terminado.
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