A partir de alguns padrões
gerais de comunicação que transmitem vários
estados do ser humano veja aqui como desenvolver a competência
comunicativa sem perder a naturalidade:
1. Negociação.
Segundo os padrões, tons mais graves de voz revelam
um clima de tristeza ou de seriedade, enquanto tons agudos
denotam alegria e surpresa. Falar muito forte é sinal
de invasão e muito fraco, de insegurança. Numa
negociação, para mostrar disponibilidade é
preciso modular a voz de acordo com o momento. Quem não
varia (e no momento certo) o tom demonstra rigidez. Praticar
modulações de voz em situações
menos decisivas e contundentes é uma boa dica para
quando você estiver diante “da hora agá”.
2. Articulação.
A forma de pronunciar as palavras e expor as idéias
diz muito a respeito de nós. Articulação
simples e clara é sinônimo de clareza de idéias;
articulação imprecisa, de desinteresse e desorganização
e articulação excessiva significa narcisismo.
Algumas pessoas têm ótimo currículo, mas
não se destacam porque não se comunicam com
clareza. Diga em poucas palavras o que precisa. Não
procure palavras difíceis, mesmo diante de interlocutores
que tenham MBA, doutorado e similares. Leia muitos textos
para não cometer erros de gramática na fala.
Eles saltam à vista e são capazes de eliminá-lo
de grupos sociais e/ou profissionais.
3. Estilo do falante.
O segredo aqui é adequar-se ao modelo de
comunicação do outro, para criar empatia. Quando
o estilo de transmissão das mensagens é agradável
e amigável, a pessoa é geralmente fácil
de lidar, porém difícil de negociar. Os analíticos
e reflexivos precisam de números, fatos, provas convincentes
para estabelecer a relação com o interlocutor.
Diante dos autoritários e controladores, deixe eles
sentirem que eles têm o domínio da situação
e com os expressivos e narcisistas use a tática do
holofote: deixe que se sintam o máximo.
4. Falar em público.
É considerado um dos piores temores. Em geral
mesmo alguns palestrantes profissionais revelam certos temores
para falar em público. É interessante treinar
diantes de pequenos públicos, antes de se aumentar
o número de ouvintes e a importância da fala.
Seja o mais natural possível. Visualize umas cinco
ou seis pessoas na platéia de vez em quando, quando
estiver desenvolvendo uma idéia. Se pensar que estão
ali 800 ou 1.000 pessoas e girar a cabeça olhando para
todos, tenderá a se perder em seu discurso.
5. Apresentações.
Aqui pode ser apresentação de um projeto
de trabalho, pode ser a apresentação de si mesmo
em uma entrevista para emprego ou mesmo a apresentação
de sua empresa para um cliente, entre outros enfoques. Apresentações
fazem parte da rotina de várias profissões e
exigem muito treino. Eis algumas dicas:
• Converse com algumas pessoas antes de começar
a apresentação, sinta qual é a expectativa
delas e como está o humor delas hoje.
• Seja pontual e vá direto ao objetivo; se ficar
“enchendo lingüiça”, como diz o ditado
popular, irá causar sono e desinteresse em seus “espectadores”.
• Domine o assunto sobre o qual está falando.
Como? Pesquise, pergunte, use referências, pense em
todas as perguntas que aquele “chatinho” sentado
lá na última fila poderá lhe fazer.
• Prepare um roteiro básico com introdução,
tópicos e perguntas que deverá responder durante
a apresentação; inclua no roteiro apenas o conteúdo
fundamental para seu ouvinte.
• Modere o uso de citações para que sua
apresentação não se pareça com
uma colcha de retalhos.
• Organize com detalhes sua apresentação
pensando no tempo que ela irá durar e na ênfase
exata que você terá que dar ou não a cada
tema e sub-tema abordado
• Cuide de sua imagem, ou seja, não vá
para a apresentação com as unhas mal feitas,
a barba por fazer, com mau hálito ou com sono; atitudes
como estas denotam também uma má comunicação.
Vista-se com algo de acordo com o ambiente no qual estará
(se for mulher, sem decotes), se alimente bem antes da apresentação
e respire pausadamente.
• Desenvolva uma boa postura, firme, mas sem exageros.
• Deixe os gestos livres,
acompanhando a fala.
• Mantenha a distância
social de no mínimo um metro entre você e seu(s)
“cliente (s)”.
• Mostre confiança, fluência e conhecimento.
• Deixe o outro falar, expor e perguntar. Quando alguém
lhe fizer uma pergunta, permita que essa pessoa conclua o
raciocínio, não atravesse jamais a sua fala.
• Responda de forma objetiva, clara e transparente.
• Se não souber, anote e devolva a informação.
Não é vergonha dizer que não sabe algo
e que vai “pesquisar ou apurar para saber”; pior
é inventar ou enrolar a informação.
6. Ao telefone.
Cumprimentar é ser educado, por isso cumprimente e
identifique-se imediatamente. Use seu nome e o da empresa
e pergunte com quem está falando. Não cite seu
cargo, exceto se isso for imprescindível a quem está
lhe ouvindo. Não interrompa o falante e espere o interlocutor
desligar antes. Ao celular, pergunte se o outro está
disponível para falar no momento e seja rápido
e direto.
7. Barreiras verbais.
São palavras, frases e expressões que se transformam
em obstáculos à efetividade da comunicação,
gerando antipatia, crise, antagonismo e desprazer. Fique atento
a elas porque infelizmente são coisas que costumamos
utilizar com freqüência, seja pelo chamado “ato-falho”,
pressa na fala ou, infelizmente, por desconhecimento: “pograma”,
“adevogado”, “pisicóloga”,
“não tem poblema, pobrema”, “uma
telefonema”, “não pude vim”, “a
nível de”, “vi ele”, “meio
dia e meio”, “vou na casa de fulano”, “tô
meia cansada”, “menas preocupação”,
“fazer uma colocação”, “subir
para cima”, “descer para baixo”, “o
Framengo é isso mesmo”, “coloquei essa
bruza”, “mendingo”, “rezistro”.
Há também os nomes insultuosos ditos em tom
amistoso: “Boa-vida”, “Vigarista”,
“Vagabundo”, “Pilantra”, “Moleque”.
Bem como o uso de palavras sérias em tom jocoso: “Chefinho”,
“Mestre”, “Meu amo”, “Filósofo”.
Também incomodam a continuidade da comunicação
as expressões que constituem flagrantes ou desafios
mal dissimulados: “Você está completamente
enganado!”, “Isso é o que você pensa!”,
“Quero ver se você é capaz de...”;
“Você sabe com quem está falando?!”
. E o que dizer das eternas palavras repetidas constantemente
que viraram lugar -comum: “Né”, “Tá”,
“OK”, “Oká”, “Tá
bom”, “Veja só”, “Daí”,
“Tá certo”, “É ou não
é”, “Veja bem”, “Então”,
“Taí”, “Realmente”, “Com
certeza”, “Já é”, “ninguém
merece”.
Também evite usar palavras muito familiares e que denotam
intimidade inexistente: “Meu bem”, “Minha
querida”, “Meu anjo”, “Amor”,
“Meu amor”, “Minha flor”, “Minha
deusa”, “Bem”, “Fofa”, “Linda”.
8. Em qualquer comunicação.
Convide o outro para ouvi-lo, mostrando-se uma pessoa interessante.
Tenha frases positivas sobre você, esteja pronto para
arriscar e surpreenda o interlocutor!
Mas, diante de tantas regrinhas, como podemos avaliar a nossa,
digamos assim, “competência comunicativa”?
Comunicadores de sucesso sugerem o espelho e uma fita gravada
como bons termômetros. Outras opções são
os comentários dos outros, ajuda profissional fonoaudiológica
e até preencher um questionários de auto-avaliação.
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