Profissionais de cabelos
grisalhos querem empregos e o mercado está demandando
novas funções para estes senhores e senhoras
com seus 50, 60, 70 anos. Mas por que acontece essa novidade?
Com o avanço da medicina e o aumento do nível
de informação (que também diminui a taxa
de natalidade) o Brasil tem se tornado um país mais
velho, com o percentual de idosos aumentando em relação
ao de jovens. Isso reflete diretamente no mercado de trabalho.
Até 1980, predominava no Brasil uma população
com idade em crescimento. Havia mais jovens do que adultos
com mais de 40 anos. Na década de 80 esse quadro foi
se invertendo, primeiro aos poucoe e de forma acelerada a
partir do início do século 21. Iniciamos o novo
século com a população idosa crescendo
proporcionalmente oito vezes mais do que os jovens e quase
duas vezes mais que a população total.
O envelhecimento da população brasileira vem
crescendo 3,2% ao ano e já é o sexto do mundo,
segundo a Organização das Nações
Unidas (ONU). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), até o final de 2002, o
grupo etário de 65 anos ou mais era composto por mais
de 10 milhões de pessoas, representando 6% da população.
Em 1950, o Brasil tinha “tão somente” 2
milhões de idosos.
Esses números apontam uma transformação
demográfica sem precedentes, uma transição
que não acontece só no Brasil, mas em todo o
mundo. De acordo com a ONU, a população mundial
com mais de 60 anos vai quadruplicar nos próximos 50
anos e deve atingir a casa de 2 bilhões de pessoas.
Quando esse dia chegar, a imensa legião de idosos vai
superar, em número, a população infanto-juvenil
de até 15 anos.
Pensando nisso o mercado vem criando áreas de trabalho
para os idosos. O setor de supermercados e o comércio
são os líderes na criação desses
postos. A extrema paciência com que atendem clientes
e a experiência de vida desses profissionais faz com
que atuem como “consultores de qualidade” nestes
ramos de atividade.
De acordo com o Coordenadora das Analistas de RH do Grupo
LET, Silvia Souza quem tem mais de 40, 50 ou 60 anos deve
se conscientizar de que os melhores trabalhos não são
mais aqueles que, necessariamente, assinam carteira. “Cada
um vende seu serviço, sua experiência ao invés
de ficar pedindo emprego; por isso é fundamental que
cada um faça um exercício de auto-conhecimento
e busque relacionar suas principais habilidades, monte um
portfolio, moderno, de preferência informatizado e distribua
em empresas e organizações”, sugere Silvia.
Tecnologia é um ponto que caminha junto com a chance
de estar dentro desse mercado e não pode ser esquecido
pelo profissional com mais idade. “Percebemos que o
avanço da tecnologia pega muita gente de surpresa,
isso não deveria acontecer”, acredita Silvia
Souza. A dica neste caso é que cada um procure se aprimorar
em Informática (não apenas em Internet) e fazer
cursos que possam ser complementares à experiência
que já se tem. “Nunca é tarde para nada,
seja um curso técnico ou até uma faculdade”,
aponta a Coordenadora de RH.
Silvia Souza informa ainda que outra área com boa demanda
para idosos é a do telemarketing bem como as Consultorias
de Recursos Humanos, Engenharia, Administração,
Economia, setores de atividade que estão sempre precisando
temperar sangue novo com experiência.
Se for necessária a participação em processo
seletivo é importante o candidato com mais idade relatar
durante a entrevista experiências interessantes que
possam trazer algo de útil ao cargo para o qual está
se candidatando. Vale incluir desafios que superou, projetos
que desenvolveu. Despir-se de qualquer egocentrismo ( do tipo
“eu fiz”, “eu criei”, “isso
aconteceu por minha causa”) é meio-caminho andado
para encantar o recrutador. Mais do que isso, mostrar iniciativa
e vontade de aprender é imprescindível para
se obter no mínimo uma resposta positiva que o coloque
em uma etapa seguinte do processo.
“Corra atrás de fazer aquilo que se tem prazer”,
indica Silvia Souza. Para os mais idosos, o saudosismo só
é importante no sentido de buscar vocações
pessoais que no passado não foram preenchidas. É
melhor do que ficar lamentando em casa. Se você precisar
de exemplos para tomar coragem, pense nestes aqui: Helena
Meirelles, a violeira, lançou seu primeiro disco aos
70 anos. Cora Coralina, a poetisa que escrevia com simplicidade
as respostas que buscava para o nosso cotidiano, lançou
seu primeiro livro aos 75.
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