“Pecados” nos currículos
Ago-06-2007
“Pecados” nos currículos
O que não devemos colocar em um currículo sob pena de sermos desclassificados em um processo seletivo para emprego
Por Alexandre Peconick (texto) Foto: Site Sxc.hu
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Candidatos gastam tempo demais escrevendo bobagens em seus currículos
que não vão servir de nada aos recrutadores
 
Alguns candidatos com muitos talentos e o perfil exato para determinados cargos não são chamados para entrevistas em processos seletivos porque enviam currículos com informações desnecessárias, com exageros e até com erros de português.

De acordo com as Analistas de RH do Grupo LET entre todos os “pecados” cometidos nos currículos de longe o pior deles continua sendo o erro de português. ‘É incrível que as pessoas errem palavras fáceis de serem grafadas como profissional (alguns escrevem com “c”), entre muitas outras, ou que cometam falhas grosseiras na concordância, currículos assim são logo eliminados”, comenta Carla O ´Dwyer, que recebe uma média mensal de mais de 300 currículos, boa parte deles por e-mail.

Terríveis vacilos na língua-pátria fecham a porta para muita gente e não apenas para cargos onde o profissional vai usar a língua portuguesa como ferramenta. Em qualquer cargo superior um português correto é imprescindível. “O ideal é que pessoas que tenham alguma dúvida quanto à grafia de alguma palavra, se não souberem usar o corretor ortográfico do próprio programa de computador, recorram à versão impressa do dicionário ou a um amigo mais próximo”, sugere Carla. Segundo especialistas em RH, pessoas que cometem muitos erros de português, alguns até primários, em geral, demonstram ser pessoas que não lêem, que não se informam sobre o que acontece no mundo e que se acomodam em certas situações. E o mundo hoje não aceita mais profissionais desse tipo. Pesquisas indicam que caso fossem admitidos em cargo de nível superior seriam rechaçados ou mal vistos pelo próprio ambiente profissional.

“Em processos seletivos para funções que exijam nível superior não chamamos candidatos cujos currículos chegam com erros de português, mesmo se tiverem boa experiência profissional e o perfil do cargo”, afirma outra Analista de RH do Grupo LET. Alguma complacência pode ser admitida, contudo, junto aos profissionais candidatos a cargos que exigem o nível médio ou ainda os que peçam tão somente o nível básico. Nesses casos, dependendo do erro, se for “bem leve”, os candidatos podem ser até convocados para uma primeira entrevista.

Há outros erros que complicam a situação do candidato como mentir e omitir nas datas de entrada e saída de trabalhos anteriores ou ainda não descrever corretamente a função que exercia nesses trabalhos. De acordo com as Analistas de RH do Grupo LET este problema ainda ocorre em diversos currículos que chegam aos e-mails vagas@grupolet.com e rh@grupolet.com .

Para as Analistas esses dados exigem precisão porque o recrutador precisa conhecer qual foi a trajetória daquele candidato até o dia da entrevista para um emprego, onde ela começou, se ficou muito tempo parada entre uma empresa e outra. Muitas pessoas mentem e omitem por insegurança de serem eliminadas caso tenham algo em seu passado profissional que não seja muito legal para elas. “Mais legal é dizer a verdade, porque mais cedo ou mais tarde uma mentira será desmascarada, já que o RH (ou o gestor) da empresa (para a qual o candidato é encaminhado via consultoria – Grupo LET) costuma ligar para trabalhos anteriores do candidato a fim de checar a veracidade de alguns dados”, informa uma Analista de RH do Grupo LET.

Escrever algo “politicamente correto” é outra bobagem em currículos. Virou moda alguns orientadores de currículos pedirem para pessoas relacionarem suas habilidades pessoais e profissionais. “O problema é todo mundo colocar a mesma coisa, que tem pró-atividade, iniciativa, gosto pelo trabalho em equipe, ousadia. Isso já virou lugar-comum dos currículos. Ao ler um currículo um recrutador não está vendo a pessoa, então não tem como saber se o cara é pró-ativo, se é criativo, se sabe liderar equipes. Se ele tiver mesmo isso tudo nós só devemos avaliar durante uma entrevista e não em um currículo”, pedem as Analistas do Grupo LET.

Currículo bom tem poucas palavras, mas palavras objetivas, que ofereçam as ferramentas pedidas, como “Descrição correta de Experiência Profissional e da Formação”. Cansa demais para o recrutador ler currículos com essas palavras “arroz-de-festa”.
 
“O problema é que todo mundo coloca que tem pró-atividade, iniciativa, gosto pelo trabalho em equipe, ousadia. Isso já virou lugar-comum. Ao ler um currículo um recrutador não tem como saber se o cara é pró-ativo, se é criativo, se sabe liderar equipes”.

CARLA O´DWYER

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De acordo com profissionais de RH, melhor atitude do que ela usar chavões em um currículo é a pessoas citar dentro do item Experiência Profissional, algum projeto inovador que desenvolveu. Contudo, o “como desenvolveu” e o “em quais circunstâncias” devem ser guardados para o momento da entrevista. O que se observa em alguns currículos é que muita gente coloca essas palavras como “inventidade” porque entra no site da empresa e lê no link “Missão, Visão e Valores” que a empresa tal pede profissionais com “inventidade”. Aprendem essa palavra e apenas a reproduzem em seus currículos. “Seja você mesmo, sem forçar a barra”, orientam as Analistas.

CPF, identidade, nome do pai, da mãe, certificado de reservista, tipo sangüíneo, delete tudo isso

Alguns candidatos já começam a ter seu currículo descartado quando começam a descrever seus dados pessoais. Analistas de RH de diversas empresas pedem: NÃO COLOQUEM números de identidade, CPF, certificados; muito menos nome de pai e mãe, estado civil e nome de filhos em currículos. Nada disso é preciso e só gasta espaço desnecessário.

“Naquele campo precisamos saber apenas do nome completo, todos os telefones de contato da pessoa (vale até telefone de recado), endereço e e-mail, mas apenas se essa pessoa acessa este e-mail com freqüência”, esclarece Carla O´Dwyer do Grupo LET.

Já no quesito formação acadêmica só coloque o seu C.R. (coeficiente de rendimento) em determinada faculdade se estiver concorrendo a uma vaga de estágio, caso contrário, ou sejam, se for para um emprego efetivo esta informação é inútil. É interessante discriminar cursos que tenham a ver com a área que você está concorrendo salvo se o perfil do cargo exigir uma formação multidisciplinar.

Em experiência profissional pode colocar as conquistas que você teve em cada trabalhar, mas sem exagerar, ou seja, sem criar fantasias sobre aquilo que realmente foi realizado.

Para facilitar sua visualização da questão saiba 9 (nove) erros que devem ser evitados em seu currículo

1. Informações desatualizadas
O seu currículo deve ser um panorama atual de seus trabalhos e realizações profissionais, além de conter os últimos cursos realizados e os conhecimentos adquiridos. Um currículo muito desatualizado pode fazer com que você perca a oportunidade de conseguir um novo emprego, pois demonstra descuido e não informa devidamente sobre a sua atuação.

2. Não fazer o resumo de suas habilidades
É muito importante descrever suas principais realizações, metas alcançadas e suas habilidades mais requisitadas. Ajuda (e muito) você a se destacar entre as centenas de currículos.

3. Informações incompletas
Simplesmente listar os empregos pelos quais você passou, fazendo uma descrição crua das suas obrigações, vai fazer com que o seu seja mais um entre milhares de currículos. Dê ênfase aos diferenciais, como o desenvolvimento que teve em seus trabalhos anteriores e as metas que conseguiu atingir.

4. Escrever demais
Procure ser sucinto e descrever apenas o que realmente interessa para ganhar a atenção do recrutador. Evite, por exemplo, mencionar no currículo as razões pelas quais você deixou os empregos anteriores ou o fato de você estar com o nome sujo no mercado. Esses assuntos, só devem ser mencionados durante a entrevista, se o recrutador perguntar. O currículo é o resumo dos fatos e dos empregos mais importantes de sua carreira. Então é hora de deixar de lado empregos passageiros e sem importância, que não tenham grande influência em sua vida profissional. O currículo pode até ser um pouco longo, mas as informações devem ser claras e concisas para atrair a atenção do selecionador.

5. Desleixo
No caso dos currículos impressos, a qualidade da impressão é importante. Por isso, prefira imprimir seu currículo em impressoras de boa qualidade e não tire cópias em máquinas copiadoras. Um currículo com boa qualidade de impressão e em bom papel, além de facilitar a leitura, mostra o quanto você se importa com sua imagem e com sua carreira. Não esqueça de ler, reler e checar possíveis erros gramaticais e também o tipo de letra que você usou (misturar muitos tipos pode prejudicar a leitura do currículo). Pedir para um amigo ler seu currículo é uma boa saída para não deixar passar pequenos erros.

6. Linguagem desapropriada
O currículo nada mais é do que uma comunicação profissional e deve ser escrito de maneira formal, clara e impessoal. Procure evitar o uso de pronomes pessoais nas frases - coisas do tipo "eu desenvolvi um projeto", substituindo por algo como "desenvolvimento de projeto". O uso excessivo do pronome "eu" pode dar a idéia de um profissional egocêntrico e prepotente.

7. Datas desencontradas
Cuidado ao citar os períodos em que esteve em cada empresa e em cada função. Colocar datas de entrada e saída de cada emprego é importante para que o selecionador saiba a velocidade em que as coisas aconteceram em sua carreira. Deixar de lado essas datas pode causar dúvidas nas pessoas que estão analisando seu histórico profissional.

8. Informações desordenadas
Se você tem experiência em campos de trabalho diversos e acredita que todos eles devam ser incluídos, evite colocá-los por ordem cronológica ou por outro critério que embaralhe os dados. Separe os segmentos por tópicos diferentes, como Vendas e Treinamento. Assim seu currículo fica mais claro e você não confunde a cabeça do selecionador.

9. Exagerar nos enfeites
Não aplique cores e muitos recursos no texto do currículo. O texto limpo é uma das garantias de que o selecionador não vai se cansar de ler. Coloridos e excessos de marcadores atrapalham a leitura.

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