O dia 8 de julho de 2000
significou um renascimento para o jovem surfista de 18 anos
Paulo Eduardo Chieffi Aagaard ao se chocar contra o vagão
de uma locomotiva em São Vicente (SP). O trágico
acidente tirou-lhe as duas pernas, mas deixo-o vivo e reacendeu-lhe
o espírito de luta de superar adversidades. Deu-lhe
também de presente o acesso a uma força interior
capaz de vencer desafios.
Desde então, Pauê, como é conhecido, se
especializou, entre outras atividades, em realizar palestras
motivacionais em empresas e eventos. Sua apresentação
no Congresso RH RIO 2007, no entanto, foi muito mais do que
a prova viva de que temos uma força interna gigantesca
e inexplorada. Foi um aprendizado único para gestores
de pessoas que reclamam de limitações em suas
empresas.
Aprendizado Pauê também buscou ao inserir o triatlo
em sua vida de atleta. Tornou-se campeão e exemplo
para outros atletas que se encontravam desesperançados.
Pauê fez de uma limitação a mola propulsora
para iniciar uma fantástica série de conquistas
no campo esportivo e pessoal. Hoje, aos 23 anos, é
o único surfista bi-amputado do mundo, além
ter sido o único brasileiro campeão mundial
de Triatlo na categoria amputados (mais detalhes sobre sua
história estão no site
www.paue.com.br).
A rápida seqüência em que se deu o acidente,
na qual ele diz não ter sentido e nem escutado nada,
fez com que ele visse o filme inteiro de sua vida. A velocidade
dos acontecimentos mudou radicalmente para ele. Acompanhar
os fatos mais lentamente serviu para que Pauê pudesse
entender o quão importante era se olhar no espelho
e entender que o sucesso de qualquer ação dependeria
apenas dele.
“Não escolhi esse acidente, esse acidente aconteceu,
mas veio para me mostrar que era hora de mudar, de mudar de
atitude”, afirma o rapaz que ficou 58 dias hospitalizado,
trabalhando em sua cabeça a idéia de mudanças
de referenciais.
“Refleti e vi que só tinha dois caminhos: continuar
em uma cama e esperar a vida me levar ou tentar me reestruturar,
tentar buscar algo de mais construtivo e ver no que ia dar”,
lembra Pauê, que felizmente escolheu a segunda opção.
“Sabia que dali em diante existia uma grande missão,
que era viver para valer com sabedoria e com três palavras
que tudo significam: entendimento, aceitação
e superação”, conta ele, que não
apenas voltou a surfar como passou a ser um caçador
de diferenciais competitivos.
Pauê passou a se enxergar com o orgulho de um ser humano
que poderia fazer a diferença. O esporte alavanca a
auto-estima e muda comportamentos e isso o deu suporte à
percepção de não ser ele um deficiente.
Menos de um semestre após o acidente Pauê já
praticava triatlo participando de competições
de alto nível, fazendo do esporte o seu grande alicerce.
“Mas eu pergunto a todos vocês gestores de pessoas:
precisa acontecer um fato como esse em nossa vida para descobrirmos
qual é o nosso potencial? Precisamos viver isso para
sabermos que somos capazes? Acho que não. Devemos buscar
dentro de nós mesmos uma outra percepção
da vida, uma sintonia com tudo o que está à
nossa volta”, ensina Pauê que vive mexendo com
o comportamento das pessoas em programas de TV no Brasil e
no exterior.
Em todas as suas visitas a profissionais das mais variadas
áreas Pauê sempre reforça a convicção
de que os resultados surgem quando se planejo e se tem foco.
Mas além disso a pessoa precisa ter ambição
e a capacidade de entender e aproveitar o valor de cada momento,
seguindo sua paixão e abraçando-a como um projeto.
“Por tudo isso o que eu sou é eficiente, deficiente
é o cara que não tem compromisso com o foco”,
sintetiza com precisão Pauê.