Buscando a superação dos limites nas adversidade
Jul-09-2007
Congresso RH RIO 2007 – Pauê e Agberto Guimarães – Buscando a superação dos limites nas adversidades
Primeiro e único surfista bi-amputado do mundo (campeão mundial de Triatlo) e ex-atleta (hoje promissor dirigente), explicam como buscar forças internas que superam qualquer desafio
Por Alexandre Peconick (texto e fotos)

Pauê encantou a platéia do Congresso RH RIO 2007 com seu exemplo de superação
 
O dia 8 de julho de 2000 significou um renascimento para o jovem surfista de 18 anos Paulo Eduardo Chieffi Aagaard ao se chocar contra o vagão de uma locomotiva em São Vicente (SP). O trágico acidente tirou-lhe as duas pernas, mas deixo-o vivo e reacendeu-lhe o espírito de luta de superar adversidades. Deu-lhe também de presente o acesso a uma força interior capaz de vencer desafios.

Desde então, Pauê, como é conhecido, se especializou, entre outras atividades, em realizar palestras motivacionais em empresas e eventos. Sua apresentação no Congresso RH RIO 2007, no entanto, foi muito mais do que a prova viva de que temos uma força interna gigantesca e inexplorada. Foi um aprendizado único para gestores de pessoas que reclamam de limitações em suas empresas.

Aprendizado Pauê também buscou ao inserir o triatlo em sua vida de atleta. Tornou-se campeão e exemplo para outros atletas que se encontravam desesperançados.

Pauê fez de uma limitação a mola propulsora para iniciar uma fantástica série de conquistas no campo esportivo e pessoal. Hoje, aos 23 anos, é o único surfista bi-amputado do mundo, além ter sido o único brasileiro campeão mundial de Triatlo na categoria amputados (mais detalhes sobre sua história estão no site www.paue.com.br).

A rápida seqüência em que se deu o acidente, na qual ele diz não ter sentido e nem escutado nada, fez com que ele visse o filme inteiro de sua vida. A velocidade dos acontecimentos mudou radicalmente para ele. Acompanhar os fatos mais lentamente serviu para que Pauê pudesse entender o quão importante era se olhar no espelho e entender que o sucesso de qualquer ação dependeria apenas dele.

“Não escolhi esse acidente, esse acidente aconteceu, mas veio para me mostrar que era hora de mudar, de mudar de atitude”, afirma o rapaz que ficou 58 dias hospitalizado, trabalhando em sua cabeça a idéia de mudanças de referenciais.

“Refleti e vi que só tinha dois caminhos: continuar em uma cama e esperar a vida me levar ou tentar me reestruturar, tentar buscar algo de mais construtivo e ver no que ia dar”, lembra Pauê, que felizmente escolheu a segunda opção.

“Sabia que dali em diante existia uma grande missão, que era viver para valer com sabedoria e com três palavras que tudo significam: entendimento, aceitação e superação”, conta ele, que não apenas voltou a surfar como passou a ser um caçador de diferenciais competitivos.

Pauê passou a se enxergar com o orgulho de um ser humano que poderia fazer a diferença. O esporte alavanca a auto-estima e muda comportamentos e isso o deu suporte à percepção de não ser ele um deficiente. Menos de um semestre após o acidente Pauê já praticava triatlo participando de competições de alto nível, fazendo do esporte o seu grande alicerce.

“Mas eu pergunto a todos vocês gestores de pessoas: precisa acontecer um fato como esse em nossa vida para descobrirmos qual é o nosso potencial? Precisamos viver isso para sabermos que somos capazes? Acho que não. Devemos buscar dentro de nós mesmos uma outra percepção da vida, uma sintonia com tudo o que está à nossa volta”, ensina Pauê que vive mexendo com o comportamento das pessoas em programas de TV no Brasil e no exterior.

Em todas as suas visitas a profissionais das mais variadas áreas Pauê sempre reforça a convicção de que os resultados surgem quando se planejo e se tem foco. Mas além disso a pessoa precisa ter ambição e a capacidade de entender e aproveitar o valor de cada momento, seguindo sua paixão e abraçando-a como um projeto.

“Por tudo isso o que eu sou é eficiente, deficiente é o cara que não tem compromisso com o foco”, sintetiza com precisão Pauê.
 
O exemplo de Agberto, o atleta de virou dirigente sem esquecer de gente
 
Diferente de Pauê, o ex-atleta Agberto Guimarães sempre teve as duas pernas, mas admite “não ter superado todos os limites que podia”. Mesmo assim chegou muito longe para um rapaz modesto da pequena Tucuruí (no Pará), como ele reconhece.

Agberto Guimarães (foto ao lado) foi contemporâneo dos amigos Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa, todos eles corredores das distâncias de 800 e 1500 metros. Com eles morou em Eugene (Oregon, EUA) e competiu em diversas Olimpíadas, Pans e Mundiais. Atual Coordenador de Projetos de Solidariedade Olímpica do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) Agberto obteve alguns frutos interessantes daquele trabalho, entre eles as duas medalhas de ouro nas distâncias supracitadas dentro dos Jogos Pan-Americanos de Caracas (Venezuela, 1983).

Em 1989 retirou-se das pistas para fazer a transição ao mundo administrativo; à época um desafio para qualquer atleta que não fosse do futebol. Enfrentou dificuldades. Hoje reconhece isso e luta para dar aos atuais atletas aquilo que chama de uma digna transição.
“Nos preocupamos com a aposentaria dos atletas e em orienta-los para que possam tirar o melhor proveito dos ensinamentos que suas carreiras possam gerar. A fase de transição ainda é problemática para muitos atletas que não foram preparados para lidar com essa situação. O COB se preocupa com essa depressão dos atletas, em gerenciar isso. E tem um programa de aproveitamento de ex-atletas em várias áreas profissionais, oferecendo cursos de capacitação profissional”, informa Agberto que assegura ter tido no esporte a sua grande janela para oportunidades na vida. Para o atual dirigente do COB, não há nada que faça o ritmo da sua vida mudar tão rapidamente quanto o esporte.

Se preocupar com seus limites e com adversários era a rotina de Agberto que, de certa forma, não mudou. Ele continua se preocupando em melhorar só que desta vez atendendo às pessoas. Como Coordenador do Programa Solidariedade Olímpica, Agberto está à frente de uma trabalho que forma gestores do esporte, um amplo campo para o aproveitamento de ex-atletas. “Temos um legado profissional fantástico que precisa ser aproveitado para que possamos ter no país uma tradição de formação de atletas como não tínhamos na época que eu comecei”, justifica Agberto. Como pano de fundo para essa transformação, os Jogos Pan Americanos Rio 2007 podem ajudar a consolidar este trabalho na medida em que deixam à cidade e ao país uma estrutura esportiva de primeiro mundo.

As histórias de Pauê e Agberto Guimarães dão ferramentas aos gestores de pessoas para que trabalhem com profissionais que estejam desmotivados em suas funções. Trajetórias de brasileiros simples como Pauê e Agberto comprovam a premissa de que sempre haverá “combustível”´para se buscar um “algo a mais”.
 
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