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| RH é ponte
necessária entre UNIVERSIDADES e EMPRESAS |
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Março-26-2007 |
RH é ponte necessária
entre UNIVERSIDADES e EMPRESAS Entrevistamos
a Diretoria de Relações Empresariais da Universidade
Estácio de Sá |
Por Alexandre Peconick (texto) |

O Prof. Idave em seu ambiente de trabalho na Universidade
Estácio de Sá |
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As
consultorias de Recursos Humanos fazem uma ponte muito necessária
entre universidades e as empresas que abrem vagas no mercado
de trabalho, mas o feedback das consultorias sobre a situação
dos candidatos precisa melhorar. Esta pelo menos é
a conclusão de uma das universidades que mais tem encaminhado
alunos a programas de estágio. Quais alunos (candidatos)
foram efetivados? Como anda a performance deles? São
perguntas quase sempre carentes de resposta.
Mais importante do que isso é a atuação
do governo uma vez que se faz urgente uma reforma trabalhista
que incentive as empresas a aumentar as contratações
em carteira (CLT). Para chegar a este panorama fomos a uma
instituição de ensino, a Universidade Estácio
de Sá (Campus Centro do Rio) que tem em sua estrutura
uma Diretoria de Relações Empresariais (DIREM),
criada há exatos 10 anos em 1997 para oferecer ao uma
oportunidade de chegar ao mercado que fosse além do
diploma. As empresas parecem estar entendendo o recado e hoje
há mais de 19 mil cadastradas no sistema on line da
DIREM.
O apoio da área de Recursos Humanos é importante
para este sucesso. Para saber como essa relação
pode ser ainda mais aprimorada entrevistamos o Gerente da
DIREM, o Prof. Idave Inácio da Silva, que trabalha
ao lado do Diretor da DIREM, o Prof. Marcos Evangelista.
A criação deste setor e a entrada da Internet
no cadastramento e visualização de vagas a partir
de 2001 proporcionaram à Estácio de Sá
um salto gigantesco no encaminhamento de alunos aos empregos
e nas relações com o mercado. Segundo dados
da DIREM, em 1997 foram registradas 5.513 oportunidades de
estágio, número que saltou para 18.123 em 2001
e 46.936 em 2006. Com relação à oferta
de empregos estes números foram de 1.001 em 1997, 4.941
em 2001 e 19.512 em 2006. O aumento real do mercado de trabalho
se confirma quando visualizamos que 1.001 alunos desta instituição
estagiaram em 1997, 9.657 em 2001 e nada menos do que 24.936
em 2006. Em 2006 o índice de aprovação
de candidatos para estágio foi de 57%. Poderia ser
mais alto? Talvez sim. Para Idave Inácio da Silva,
RH de empresas, consultorias de RH e responsáveis pelo
direcionamento de estudantes aos estágios precisam
dialogar mais. Leia abaixo a entrevista com Idave Inácio
da Silva e veja por quê.
Graduado em Comunicação Social em 1976 pela
própria Universidade Estácio de Sá, Idave
Inácio da Silva, aos 55 anos é um profissional
com foco voltado ao direcionamento de estudantes ao mercado
de trabalho. Antes de chegar à Estácio de Sá
fez carreira na Embratel, onde atuou por oito anos na área
administrativa e depois no antigo Mobral, empresa na qual
permaneceu por mais três anos. Em meados da década
de 80 ministrava aulas no curso de Comunicação
da Estácio de Sá de onde saiu para a DIREM em
1997.
SITE DO GRUPO LET - Por que a universidade
tem dificuldade de se aproximar do mercado de trabalho?
PROF.
IDAVE - De uma maneira geral,
a Universidade, como instituição de ensino,
é regida por normas rígidas do Ministério
de Educação. Mudanças no âmbito
das Universidades são lentas, principalmente aquelas
relativas aos conteúdos programáticos. O mercado
de trabalho é regido pelas leis do mercado, portanto,
é rápido, competitivo. As demandas do mercado
têm uma rapidez à qual as Universidades não
conseguem acompanhar. Os professores não têm
tempo nem motivação para estarem up to date
com as novidades oriundas das gestões nas empresas.
Esse é o principal motivo dessa dificuldade na aproximação
com a realidade do mercado de trabalho. Temos que reconhecer
que todas as universidades têm esse problema. Nas universidades
públicas essa defasagem é ainda maior. Mas o
próprio aluno ao fazer um estágio traz um retorno
muito grande do mercado para a sala de aula. Ele está
vendo como uma empresa funciona e traz esse feedback ao professor
e aos colegas.
SITE DO GRUPO LET - Como é a relação
da diretoria de vocês com setores de RH de empresas?
PROF.
IDAVE - Os setores de RH são
a nossa porta de entrada nas empresas. É para estes
setores que apresentamos os cursos da Universidade e os serviços
da DIREM. Eles, por sua vez, é que nos enviam as vagas.
Portanto, a nossa relação com os gestores de
pessoas é fundamental para que não faltem vagas
a serem divulgadas. Eles nos dão o nosso principal
combustível. Porém, não temos ainda a
sofisticação de verificar o que acontece ao
aluno depois que ele passa pela empresa e chega ao processo
seletivo. Espero que no futuro consigamos nos aproximar do
RH para ajudar a capacitar mais os nossos alunos a concorrer
de forma competitiva às vagas. O RH é uma ponte
cada vez mais necessária ao nosso contato com as empresas,
porque é com o gestor de pessoas que nós falamos.
Não nos dirigimos ao presidente da empresa ou ao dono
do negócio. Em 95% das situações a área
de RH nos faz essa ponte.
SITE DO GRUPO LET - E como essa ponte do
RH entre universidade e empresa deve acontecer na prática?
PROF.
IDAVE - As empresas manifestam
suas necessidades de pessoal cada qual de acordo com seu setor,
seu nicho de mercado e sua conjuntura. Essas necessidades
se concretizam através dos seus setores de RH, que
as fazem chegar até nós, Universidade. Em boa
parte dos casos, somos o celeiro que possui esses cérebros
desejados, essa mão-de-obra. A maior importância
do RH para nós é a de que os gestores sabem
exatamente como desenhar o perfil dessa gente capacitada a
ocupar as vagas e nós sabemos interpretá-lo
e localizar essas pessoas dentre os nossos alunos e nossos
graduados.
Na prática os gestores das empresas devem preencher
o nosso formulário na internet da forma mais completa
possível e nós, por nosso lado, divulgar as
oportunidades da maneira mais clara e objetiva possível
junto ao alunado e aos já graduados. |
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“A maior importância do RH para nós
é a de que os gestores sabem exatamente
como desenhar o perfil dessa gente capacitada a ocupar as vagas”
Idave Inácio – Gerente da DIREM
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SITE DO GRUPO LET
- Como essa relação pode ser aprimorada?
PROF. IDAVE -
Seria interessante que profissionais de RH atuantes no mercado
nos dessem dicas e direcionamentos sobre os pré-requisitos
mais atuais, mas de forma setorizada. Isto é, para
cada especialidade, para cada tipo de curso, o que é
que se deseja ou vai ser desejado do estagiário ou
do profissional agora ou daqui a cinco anos. Isso, com certeza,
nos ajudaria a adaptar os currículos à realidade
e produzirmos mão-de-obra mais qualificada e adequada
às reais necessidades das empresas.
Outro aprimoramento seria que as consultorias de RH nos dessem
um retorno real sobre os alunos e graduados por nós
encaminhados e que são efetivados. O que ocorre normalmente
é não termos esse retorno em relação
às vagas de emprego.
SITE DO GRUPO LET - Como o RH poderia contribuir
para uma possível reforma universitária que
contemplasse uma capacitação mais aproximada
ao perfil de cargos em empresas?
PROF. IDAVE -
Dizendo de forma clara para a universidade e, por tabela,
para o MEC, como essa capacitação deve acontecer.
Qual são os perfis dos cargos existentes ou que poderão
vir a existir nas empresas e o que se espera dos profissionais
que supostamente os ocuparão. Somente assim será
possível a universidade adequar os seus programas ou
suprir certas falhas com cursos de extensão ou de pós-graduação.
SITE DO GRUPO LET - O que o gestor de pessoas
precisa saber sobre a realidade do estudante universitário
e qual seria o panorama ideal para sua atuação
nesse campo?
PROF. IDAVE -
Precisa saber que não existe uma realidade do estudante
universitário, mas realidades. Não podemos perder
de vista que os melhores estudantes, os mais bem preparados
entram e saem das universidades públicas, aonde não
pagam para estudar. Os mais carentes e menos preparados, estou
falando da média evidentemente, ficam no ensino pago.
O panorama ideal seria se todos tivessem igual chance de competição.
Creio que, a longo prazo, para que isso seja alcançado,
os gestores de pessoas, através de seus órgãos
de classe, deveriam fazer pressão sobre os governos
para maiores investimentos no ensino básico.
SITE DO GRUPO LET - O que ainda está
faltando no mercado para que o aproveitamento de estagiários
e trainees em empresas seja ainda muito melhor do que aquele
que já é hoje?
PROF. IDAVE -
Primeiramente, uma mudança radical na legislação
trabalhista, empoeirada e caduca, desonerando as empresas,
facilitando as contratações e, devidamente justiçadas,
até demissões. Hoje há um custo muito
alto das empresas para admitir e também para demitir,
isso torna-se um entrave à CLT, criação
de empregos formais. A pesada carga tributária também
impede à empresa pequena de crescer. Uma reforma tributária
é urgente para pequenas e médias empresas conseguirem
sobreviver. A geração atual vive uma angústia
muito grande sobre a situação de ter ou não
ter carteira assinada. Somente com a abertura de mais postos
de trabalho efetivos, o aproveitamento de estagiários
e trainees poderá ser aumentado.
Hoje, todos sabem, muitas empresas são obrigadas a
fugir das exigências legais descabidas e fazem uso temporário
da mão-de-obra do estagiário. Esse tipo de relação,
de qualquer forma, é muito bem-vinda para o estagiário
porque representa sua porta de entrada para o mercado de trabalho.
SITE DO GRUPO LET - Afinal, como funciona
a Diretoria de Relações Empresariais?
PROF. IDAVE -
As empresas se cadastram e enviam vagas pela internet. Alunos
e graduados “enxergam” as vagas também
pela internet e são encaminhados de acordo com o seu
interesse e somente se estiverem dentro do perfil da vaga.
Exemplo: determinada empresa pode pedir alunas apenas do 5º
período de Administração do sexo feminino
que morem em Bangu. Então haverá esse filtro.
Mas em última instância, quem se indica para
a vaga é o aluno. O normal é que nossas vagas
permaneçam por 30 dias no sistema, mas podemos fechar
antes. Cada vaga é aberta para 15 alunos. Com a procura
muito grande que temos é até possível
que uma vaga entre hoje e já esteja fechada amanhã.
Temos 39 campi e um volume muito grande de alunos para ser
encaminhado ao mercado de trabalho.
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