Entrevista Especial Exclusiva (1ª parte)
Fev-12-2007
Entrevista Especial Exclusiva (1ª parte)
BERNARDINHO – “Trabalho duro é o maior talento que se pode ter”
Maior campeão de todos os tempos como treinador de vôlei e empresário bem-sucedido dá algumas dicas do sucesso para gestores de pessoas e empreendedores de suas carreiras

Por Alexandre Peconick (texto / foto)

Bernardo Rezende, o Bernardinho, vê no “inconformismo”
um ingrediente valioso para continuar obtendo vitórias
 
Continuar esticando a corda, exigindo o limite de seus profissionais, mesmo quando tudo parece perfeito, nos aproxima de resultados sempre melhores do que os anteriores. Conceitos como este e muitos outros nos ajudam a entender como Bernardo Rocha de Rezende, ou Bernardinho, se tornou aos 45 anos um ícone do tema Liderança no Brasil e no mundo. Seus títulos apenas em seu atual cargo, como treinador da seleção adulta masculina de vôlei do Brasil, são apenas o cartão de entrada: Bicampeão Mundial (2002, 2006), Pentacampeão da Liga Mundial de Vôlei (2001, 2003, 2004, 2005 e 2006), Atual Campeão Olímpico (Atenas – 2004), entre muitos outros.

Só a entrada porque bem acima do objetivo de trazer taças e colocar o Brasil no topo do pódio, Bernardinho se exige nas árduas tarefas de nunca deixar a performance cair, de trabalhar com talentosos profissionais que conflitam com seus egos e de aprimorar SEMPRE o treinamento. Ele já ganhou tudo o que um homem no seu cargo poderia ganhar, mas quer ainda mais, cria novos desafios e não pensa em parar.

Mesmo com a agenda hiper-lotada e disputada, o atual Técnico da Seleção Brasileira Adulta de Voleibol recebeu gentilmente a reportagem do SITE DO GRUPO LET para uma entrevista exclusiva na qual abordou, entre outros temas, “Liderança”, “Gerenciamento de Talentos” e “Gestão de Pessoas em Ambientes Competitivos”. Também explicou, em sua concepção, como criar novos ciclos de altas performances. E para os que pensam que suas convicções são oriundas apenas das quadras uma informação: Bernardo tem em sua biblioteca mais de mil livros sobre grandes pensadores, líderes, grandes histórias, grandes romances. De tudo tira um pouco para agregar performance aos seus comandados e a si mesmo.

A impressionante capacidade de reunir um manancial gigantesco de informações em pouco tempo e de forma extremamente objetiva nos fez criar um procedimento de exceção no SITE DO GRUPO LET: o enriquecedor resultado de apenas 35 minutos de bate papo será dividido em duas partes. O primeiro vocês lerão nesta semana e o segundo – com direito a uma matéria de bônus sobre o programa de Responsabilidade Social conduzido por BERNARDINHO – estará aqui on line na próxima 2ª feira, dia 19/02.

Carioca, casado com a ex-levantadora da seleção brasileira de vôlei, Fernanda Venturini e pai de Bruno e Júlia, Bernardinho mostrou durante a entrevista que valores como humildade, respeito e ética estão com ele desde o berço. Respondeu com simpatia e extremo zelo a todas as perguntas, sem deixar margem a dúvidas.

Valeu a pena esperar quase seis meses em uma disputa com empresários, empresas dos mais diversos setores, clubes e outros daqueles que requisitam as palavras de Bernardinho em palestras por todo o Brasil. Se em 2006 ele foi eleito o Melhor Técnico esportivo do Brasil entre todas as modalidades pela 4ª vez em cinco anos, fora das quadras não há dúvidas do porquê conceitos expressos em seu livro “Transformando Suor em Ouro” (Editora Sextante – Dezembro 2006) ganharam aplausos unânimes dos empresários de A a Z.

Um deles, a “Roda de Excelência”, chama especial atenção. Em suas palestras Bernardinho também desenvolve os seguintes temas: trabalho em equipe, liderança, motivação, disciplina, concentração, perseverança, comunicação, comportamento, definição de metas e “coaching”.

Para saber mais nós fomos até a quadra da Escola de Educação Física do Exército, no bairro da Urca, Rio. Mas você só precisará ler a entrevista abaixo. Ou, se achar pouco, comprar o livro de Bernardinho, se não tiver a oportunidade de assistir a uma palestra dele.
 
SITE DO GRUPO LET - Quais são os principais paralelos que você pode traçar entre a rotina de um treinador de vôlei e a de um empresário, seja este de Recursos Humanos ou não?

BERNARDINHO – Começa pela coincidência de ambos viverem em um ambiente de competição elevada, o nível é altíssimo e muitas vezes uma vitória é definida por ínfimos detalhes. Vencer uma concorrência ou não depende muitas vezes de um pequeno ponto como no voleibol que um ponto define um campeonato. Um grande líder ou empresário tem as mesmas atribuições de um treinador. A primeira e mais importante é a de preparar as pessoas por meio de um processo de liderança e de motivação. O que ele deve buscar realmente são pessoas que queiram e tenham capacidade real de estarem comprometidas com o objetivo da organização maior: a equipe ou a empresa. Essas pessoas devem ter a capacidade de estar constantemente buscando diferenciais e não de serem meros cumpridores de ordens. Esses diferenciais farão de sua equipe ou empresa um organismo de sucesso. Basicamente o que une empresário e treinador de vôlei é essa missão de conduzir as pessoas a realizar o objetivo que deve ser do todo. Que todos eles, respeitando suas individualidades e talentos pessoais formem um só corpo.

SITE DO GRUPO LET - Pudemos avaliar que a partir de um determinado momento da evolução de sua auto preparação como treinador você teria se encantado com as concepções da área de Recursos Humanos. De que forma o termo “gestão de pessoas” lhe encanta? Como você definiria as competências de um gestor de pessoas na real acepção deste termo em sua visão esportivo-competitiva?

BERNARDINHO – Penso que antes de qualquer coisa um gestor de pessoas deve desenvolver a capacidade de convencer as pessoas. Convencer as pessoas de que aquele projeto é o melhor para aquele momento, convencer de que o melhor caminho a ser seguido é esse. E ninguém se torna um cara convincente da noite para o dia. Isso requer suor, um histórico. Isso ocorre com um profissional através de sua intensa capacidade de realização, ou seja, as pessoas vêem nele uma pessoa capaz de realizar tarefas das mais simples às mais complexas. Outro ponto é que este profissional inspira pelos seus valores as pessoas que trabalham com ele. O que é isso? O exemplo que ele dá por meio da ética, transparência, respeito, talento, comprometimento, é fundamental para que este cara possa ser um elemento de transformação e continue inspirando outros a trabalharem duro para seguir seu caminho. Por isso é fundamental que esse gestor monitore suas próprias atitudes, sua postura, o faça diariamente, anotando seus erros e acertos.

SITE DO GRUPO LET - Que estratégias um treinador usa para identificar talentos e como estas estratégias podem ser transpostas para os gestores de pessoas ou para o mundo corporativo dentro do qual já existem os conhecidos head hunters (caça talentos)?

BERNARDINHO – Não há receita de bolo. Todos querem se cercar dos grandes talentos. Para identificar esses talentos não adianta ter apenas o feeling. O feeling é fruto do seu conhecimento, que é o resultado da soma de informação + experiência. Por meio da minha experiência e de minhas informações acumuladas sobre a necessidade de uma equipe eu observo um jogador e vejo que ele tem um talento. Mas quando falamos de “talento” devemos ter muito cuidado. Cada vez mais eu leio e me encanto sobre este tema: “talento”. O grande “talento” das pessoas não é apenas ter um dom natural, essa virtude, por exemplo, na área comercial aquele cara é um vendedor nato, costuma vender até o que você pensa que nunca iria comprar. No dia a dia, na prática mesmo, não existe mais uma mística em torno da palavra “talento”. O grande “talento” das pessoas é ter a capacidade de trabalhar duro em busca dos seus objetivos. Esse é o maior “talento” que alguém pode ter e é esse o tipo de profissional que as empresas devem querer ter em suas equipes. Talento sem obstinação não leva profissional algum ao sucesso.

SITE DO GRUPO LET – Então o trabalho duro em si não seria só o fruto da força de vontade, mas há que se ter talento para isso?

BERNARDINHO – Sei que é difícil para a maioria das pessoas aceitarem e terem quer lidar com isso, mas com certeza, para suar sem parar, é necessário talento. Você tem que ter uma capacidade de estar sempre dando o seu máximo. Não é uma coisa de o sujeito acordar, olhar para o espelho e falar: “Hoje vou trabalhar duro!”. É uma questão de ele pensar em quê situação estará trabalhando duro, por quanto tempo, enfrentando quais obstáculos, com quais objetivos, usando quais ferramentas de trabalho. A extrema dedicação sem deixar a performance cair mesmo após conseguir um objetivo é o grande talento que todos os profissionais têm que ter.

SITE DO GRUPO LET – Em seu livro “Transformando Suor em Ouro” (Editora Sextante, 2006) você desenvolveu o conceito da Roda da Excelência. E me parece que ele foi muito bem entendido e praticado pelos jogadores de vôlei. Como é este conceito e como ele pode ser bem assimilado pelos empresários e gestores de pessoas?

BERNARDINHO – As novas experiências que tive no vôlei e a observação de que a transformação é contínua e veloz me fizeram criar uma proposta mais ágil de como podemos atingir nossas metas. Na Roda da Excelência temos a “busca constante pela excelência” no centro. Nas extremidades da circunferência estão os fundamentos: trabalho em equipe, liderança, motivação, perseverança, superação, comprometimento, cumplicidade, disciplina, ética e hábitos positivos de trabalho. A roda se movimento sobre a estrada do “Planejamento” rumo ao objetivo, a meta. Na medida em que a roda gira e avança rumo à meta cada um dos valores citados entra em contato com o planejamento de forma que apenas o conjunto desses valores, todos eles bem executados, é que nos levar a alcançar a meta planejada.
Na realidade muito melhor do que este conceito ser bem entendido pelos empresários eu desenhei a Roda da Excelência, até de certa maneira baseada em um conceito da Pirâmide do Sucesso do treinador de futebol americano John Wooden, observando exatamente que valores poderiam fazer com que cada profissional transformasse aquela equipe em campeã.
 

(foto: Alexandre Arruda – Divulgação CBV):
“Não ter uma equipe para treinar no dia seguinte seria para mim a pior das punições”
BERNARDINHO –
 
SITE DO GRUPO LET - Mas como hierarquizamos os valores dentro da Roda da Excelência?

BERNARDINHO – Primeiro a busca constante pela excelência, pelo aprimoramento. Essa é a base e o coração da nossa roda. Segundo a vontade e a capacidade de trabalhar em equipe, ser um “team player”, entender que todas as peças são importantes e que se uma delas não funcionar bem a engrenagem não funciona. Pode parecer óbvio o que estou falando, mas muitas empresas têm problemas porque não trabalham assim. Se um cara é um grande profissional, mas seu trabalho depende da participação de outros colegas que não atuam bem, então a performance desse grande profissional poderá ficar comprometida. Cada um tem que entender bem e praticar bem a sua função. Todos são diferentes, mas se complementam. Depois disso temos o nível de motivação, a capacidade de motivação, a ética no trabalho, a disciplina, o comprometimento. Lendo uma série de livro que descrevem ambientes de sucesso, vi que esta ordem de valores eram comuns a todos eles.

SITE DO GRUPO LET – Mas o seu conceito leva, com toda a propriedade, em consideração o fato de que estamos em constante mutação?

BERNARDINHO – Exatamente. A Roda da Excelência nos mostra que temos que estar monitorando esses valores a todo o momento, pois o mundo gira. Ele gira em cima da estrada do planejamento que dá rumo à meta. Pois temos sempre que planejar como chegaremos lá.

SITE DO GRUPO LET
- Você constantemente tem alcançado com sucesso suas metas, ainda que os conceitos sejam tão dinâmicos e os obstáculos cada vez mais difíceis. Está cheio de conquistas e nada parece que vai abalá-lo. É o melhor treinador de todos os tempos no vôlei. Os números mostram isso. Ganhou Olimpíada, Mundial, Copa do Mundo. De onde você tira força e motivação não apenas para criar novos conceitos constantemente e se mover a outros desafios?

BERNARDINHO – O que me move e move os grandes campeões são os grandes desafios, quanto maior, melhor. Muitas pessoas me perguntaram: “Por que não parar depois de 2004 já que eu tinha alcançado tudo aquilo que queria e que um treinador de vôlei poderia sonhar?!” Tudo o que eu fizesse depois disso seria replicar aquilo que já tinha feito. E isso é muito difícil em um mundo altamente competitivo. Você depende da renovação de talentos e de outros fatores complexos. Mas eu me frustraria muito em não continuar tentando. Esta é a minha natureza. Então a minha motivação começa pela extrema paixão por aquilo que faço. Nem sempre é fácil manter uma paixão. O próprio termo “paixão” subentende algo efêmero. Mas eu diria que muito pior do que perder é não ter uma equipe para treinar no dia seguinte, uma chance para tentar de novo. Isso para mim seria a pior das punições. Por isso jamais pensei em parar.

SITE DO GRUPO LET – Mas um treinador ou um empresário que sempre vence não há o perigo de cair na tentação de se acomodar com os louros do sucesso?

BERNARDINHO – Por isso é necessário um monitoramento constante de todos os procedimentos. Assim também deve ser na empresa. Você não pode se permitir cair de forma alguma na “armadilha do sucesso”. E para isso precisa ter talento. Para isso precisamos criar “Zonas de Desconforto”, aumentar o nível de cobrança, elevando o nível da próxima meta a ser atingida. Sempre observo brechas para intensificar o treinamento, do tipo começar mais cedo, terminar mais tarde, treinar em locais diferentes, com dificuldades diferentes. O “inconformismo” é um outro elemento muito importante que acredito ser comum a todos os ambientes de sucesso. Profissionais não se conformam com os resultados anteriores e querem melhorá-los. Está bom, mas pode melhorar.

SITE DO GRUPO LET – No vôlei assim como no mundo empresarial hoje se fala muito em “reter talentos”. Para o RH nas empresas o bom clima organizacional é fundamental para reter talentos. Como você cria essas “Zonas de Desconforto” ao mesmo tempo em que retém talentos? No caso do empresário, como ele pode não perder esse talento para outra empresa?

BERNARDINHO – Você, líder, tem que “esticar a corda” até conseguir o limite de cada profissional sem que isso implique em sufocá-lo. Existe uma fórmula precisa para isso, você vai conhecendo aos pouco as pessoas, usando de extrema sensibilidade para extrair delas o máximo. Quando sinto que estico demais eu peço desculpas. Humildade é uma característica muito importante. O mais importante é você desenvolver um ambiente de confiança que permite aos seus liderados perceber que apesar da fórmula ser dura (e ela tem que ser assim em vários ambientes competitivos) que existe um propósito de engrandecimento profissional de cada um, fazendo que cada um seja o melhor possível naquela função. Desconheço alguém que não tenha tido que se sacrificar por uma grande causa. Mostro sempre a todos com os quais trabalho exatamente que valor terá o sacrifício de cada um deles.
 

O jornalista Alexandre Peconick (SITE DO GRUPO LET)
e Bernardinho em uma pausa durante a entrevista
 
SITE DO GRUPO LET - Que discurso se deve usar com um profissional mediano que nunca chegará a ser um virtuose? Como retirar dele uma performance que poderá se equiparar a de um cara talentoso em um momento não tão inspirador?

BERNARDINHO – De um modo geral o profissional que não tem um talento nato, um dom, tende a se entregar muito mais ao treinamento. Mas ele precisa ter consciência da ausência dessa virtude maior. O problema maior é como convencer um não-virtuoso de que ele está nesta condição. Isso até é menos difícil do que convencer o craque, o talento de que ele precisa treinar mais. O talento não quer ser muito cobrado. No entanto ele deve ser o mais cobrado, porque ele tem mais capacidade de entregar. Se tenho dois grandes jogadores, mas um deles tem uma condição de bloqueio melhor então eu tenho que exigir ainda mais dele. Não é que eu vá treinar o outro menos.

SITE DO GRUPO LET – O levantador titular da seleção masculina Ricardinho seria um exemplo?! Você o fez bloquear muito mais do que aquilo que ele bloqueava...

BERNARDINHO – Sim, mas ali o grande mérito foi ele entender que poderia se transformar no maior levantador do mundo. Ele tinha esse sonho e trabalhou para que se realizasse. Se pararmos para analisar alguns anos atrás, quem pensava que o Ricardinho pudesse suplantar o Maurício. E ele suplantou. Foi trabalho, foi obstinação. Assim também deve agir um gestor de pessoas, suplantando com obstinação obstáculos que ninguém acreditava serem possíveis de lidar.
 
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