“MAPEAMENTO” DAS “CARREIRAS”
Out-09-2006
“MAPEAMENTO” DAS “CARREIRAS”- Onde e como investir o seu talento
Entrevista com o Prof. Moisés Balassiano da FGV, um dos protagonistas da Gestão de Carreiras no Brasil

Por Alexandre Peconick (texto) – fotos: Divulgação FGV

Moisés Balassiano em entrevista ao SITE DO GRUPO LET observa que hoje o profissional de algumas áreas hoje chega ao ápice mais cedo do que chegaria no passado
 
A bússola do mercado de trabalho parece ter enlouquecido. Praticamente não existem mais carreiras que começam e terminam em um mesmo local de trabalho e viajam em “céu de brigadeiro” o tempo todo. E isso, contraditoriamente, é muito bom. Mas muitos profissionais recém formados e também alguns dos mais experientes vivem se perguntando: “Onde devo investir o meu talento?!” ou “Por que é que ninguém quer assinar minha carteira?!”.

Quem procura as áreas e cargos que exigem preparo em alta tecnologia tem um ótimo mercado, assim como aqueles que procuram agregar conhecimentos de ferramentas dinâmicas às carreiras estagnadas ou áridas (por terem caro investimento) como Economia, Medicina, Direito e outras. As demandas de áreas ligadas à Internet, Informática, assessoria tecnológica às empresas e particulares e Administração de Empresas têm aumentado em profusão. Também ganham mercado aqueles que acreditam no empreendedorismo e ampliam sua rede de contatos para assumir a “carreira” da prestação de serviços. Esses são apenas alguns dos “novos indicadores do moderno mercado de trabalho”.

Acabou ou está para acabar a época em que o “profissional” só era assim entendido por este termo quando chegava ao seu trabalho às 9h da manhã, pendurava o paletó, arregaçava as mangas e trabalhava até às 18h, mais ou menos. Ao sair dali voltava a ser um cidadão comum. Hoje, “profissional”, segundo indicam os resultados de pesquisas do Prof. Balassiano, que é Coordenador do Núcleo de Estudos de Carreiras da EBAPE/FGV, “trabalha” durante qualquer hora do dia, em casa, no escritório, no trânsito, na praia. Atende ao celular a qualquer momento para “fechar um negócio”. Também ao celular ou ao laptop presta uma consultoria técnica, fideliza clientes, agrega conhecimentos.

Da mesma forma, “mapear carreiras” no Brasil ou em qualquer país do mundo é hoje uma tarefa ingrata, uma vez que o que o mercado muda seus indicadores com intervalos cada vez mais curtos de tempo.

Um pouco de tudo isso e muito mais foi revelado ao SITE do GRUPO LET por Moisés Balassiano, Prof. Titular da EBAPE (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas), responsável pelos cursos de Mestrado e Doutorado da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Autor e condutor da pesquisa que resultou no artigo “As 100 Melhores Cidades para Se Fazer Carreira no Brasil” (que chega à sua 5ª edição e é publicado pela revista Você S.A.), Moisés Balassiano é um dos profissionais da FGV mais requisitados por grandes empresas para consultoria técnica e gestão de carreiras. PhD em Psicologia Quantitativa e Mestre em Estatística pela Universidade de Illinois (EUA), além de Mestre em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Estatística pela ENCE (Escola Nacional de Ciências Estatísticas) o professor vem se dedicando ao longo das últimas décadas à análise dos rumos que o mercado de trabalho vem tomando.

Aproveitando o conhecimento do Prof. Balassiano esta entrevista se propõe e elucidar pontos importantes para os candidatos que se cadastram em nosso site ávidos por soluções para suas vidas profissionais. Também deve ser encarado pelos profissionais de RH como um brainstorm para assimilar um pouco mais seu dia a dia de trabalho.
 
SITE DO GRUPO LET – Como você sabe, somos uma empresa de Recursos Humanos e até por isso vamos começar esta entrevista para tentar solucionar uma questão que aflige o nosso mercado. Hoje há dificuldade para as empresas de Recursos Humanos – contratadas por empresas que terceirizam seus serviços de seleção – no preenchimento de vagas técnicas (engenheiros, economistas etc). No Brasil há muita gente que faz faculdade, mas desses muito poucos com real domínio das ferramentas técnicas do mercado. Aqui se valoriza demais o diploma e menos a formação técnica. Por que ocorrem essas diferenças?


MOISÉS BALASSIANO
- Existem várias dimensões nesta questão. Em primeiro lugar, existem certos empregos e não existem pessoas que querem aqueles empregos. Por outro lado, muitas vezes não há esse encaixe da vaga com o profissional teoricamente qualificado para ela devido ao viés do selecionador e/ou recrutador. Quando um selecionador está escolhendo a pessoa, ele tem o perfil dessa pessoa, tem o perfil da demanda (do cargo – estabelecido pela empresa) e tem a oferta das pessoas que querem aquela vaga. O problema é que geralmente há um nível de super exigência para algumas vagas, muitas vezes fora da realidade daquele universo de candidatos para a mesma. Há um mercado muito grande em termos de mão-de-obra e isso faz com que a sede das empresas se torne maior e ela fique mais exigente. Algumas vezes sem necessidade. Muitos cargos em que não seriam precisos super perfis, têm suas características infladas, ou seja, não seria preciso tanto para fazer aquela tarefa. Exemplo: porque um assistente de operador de câmera precisa de inglês fluente e pós-graduação?! Esta e outras disparidades geram frustração, mesmo se as vagas forem preenchidas. A empresa perde tempo, dinheiro e ainda gera outros problemas. As empresas, os gestores, seja lá quem for responsável pela construção das características de cada cargo deve às vezes baixar um pouco a bola. É claro que às vezes há má formação do profissional, que só o valoriza o diploma, mas o recrutador também deve fazer uma análise, uma pesquisa de seu mercado de candidatos antes de sair à caça deles. O erro parte de quem brifa o RH, mas também por vezes do próprio RH na definição das características de cada cargo (Nota da Redação: Balassiano fala com o conhecimento de causa e abalizado pelo Premio ANPAD de melhor trabalho apresentado no Encontro da Associação Nacional das Escolas de Pós Graduação em Administração em 2003, na área de Gestão de Pessoas, entre outros reconhecimentos que obteve na área de Recursos Humanos, embora não seja profissional de RH).



SITE DO GRUPO LET – Mas a universidade também contribuiu com isso ao influenciar esse profissional na super valorização do diploma...

MOISÉS BALASSIANO - Na verdade temos que analisar que uma questão grave do preenchimento de vagas para as empresas é a de que hoje existe um fosso, um abismo entre as empresas e a academia (as universidades e cursos de excelência). A empresa procura um tipo de profissional o qual nem a academia, e certas vezes nem os cursos técnicos, estão formando. Há uma defasagem estratosférica de muitos cursos que mantém há 20 anos seus currículos inalterados. Isso gera um abismo porque a pessoa vai aprender no mercado de trabalho. Então, não é o diploma que é muito valorizado. Na verdade o diploma perdeu uma função que deveria exercer devido ao distanciamento entre academia e mercado. Quando o profissional faz um estágio no meio do curso universitário é um horror porque ele percebe a inutilidade do que está aprendendo na sala de aula. Faltam mais professores nas universidades que estejam no mercado para poder fazer esse link. Também falta uma comunicação maior entre universidade e empresas e ações no sentido de que ambas construam novos currículos. A definição do currículo ideal tem que vir de um entendimento entre mercado de trabalho e academia. Os profissionais não estão mal formados porque não têm complementação técnica, mas porque os cursos de graduação que deveriam andar junto com o mercado estão em ilhas de conhecimento defasado. Se o mercado quer pessoas hiper qualificadas porque diz que as funções assim o exigem, então esse mercado tem que dialogar com as universidades para trocar idéias e conseguir em seis, cinco, quatro ou até em três anos construir esse profissional multi uso e nos moldes daquilo que se espera dele.



SITE DO GRUPO LET – Esse choque de expectativas muito se explica se formos pensar na evolução do mercado de trabalho. Nos últimos 20 a 30 anos este mercado passou por profundas transformações que mudaram as conceituações de “carreira de trabalho” e de “profissão”. Politicamente tivemos uma abertura, com o fim da ditadura militar e economicamente, um fato mais recente que acelerou toda essa transformação: a globalização. Como você analisa toda essa evolução?

MOISÉS BALASSIANO - Nos últimos 20 anos tivemos no Brasil a transformação de um regime fechado para um regime aberto, mas não atribuo ao período democrático todas as transformações ocorridas no mercado de trabalho. E um dos exemplos que explica esse fato é que quando você democratiza tem um fechamento do mercado em relação à questão tecnológica. Aquela reserva de mercado imposta nos anos 80 atrasou o país enormemente. Nós ainda somos atrasados em relação à boa parte do mundo em função daquele atraso tecnológico. Mas de qualquer maneira isso faz parte da transição para o período democrático. O Brasil começou a mudar, mas lentamente, ainda com muitas formas de controle. Na Ásia, por exemplo, não houve nenhum controle de desenvolvimento tecnológico e com isso o salto foi muito maior.

Mas as maiores transformações no mercado de trabalho viriam nos anos 90 quando o então presidente Fernando Collor foi obrigado a abrir os mercados porque o mundo estava se abrindo. Se o Brasil não se abrisse para o mundo iria se afogar. As importações e a entrada de multinacionais foram avassaladoras. E a partir dessas transformações o mercado de trabalho começou a mudar junto. Quando você entre no mundo dos globalizados o próprio mercado de trabalho responde.



SITE DO GRUPO LET – E de que forma ocorre essa “resposta” do mercado?

MOISÉS BALASSIANO - As relações capital X trabalho, patrão X empregado, começam a mudar radicalmente. Conceitos como “carreira”, “emprego”, “mercado de trabalho” começam a ter outras conceitualizações. O mercado de trabalho era um mercado de empregos, no qual as pessoas se formavam e queriam ter empregos com carteira assinada. Hoje há um número pequeno de pessoas com graduação de terceiro grau e carteira assinada, e um maior de prestadores de serviço; pessoas que tem que abrir a sua firma ou comprar nota fiscal para receberem seu dinheiro. Elas não vão ter emprego, mas sim trabalho. Isso também é explicado pelo fato dos altos impostos, os quais empregadores querem a qualquer custo evitar.

Outro fato que ocorre nesse período é a reconceitualização da carreira. No passado uma carreira profissional era definida pelo empregador e programada pela empresa contratante. Hoje a carreira é individualizada, construída e gerenciada pelo próprio profissional. Lembro-me que nos anos 80, ainda antes da febre dos MBAs havia aqui muitos cursos de pós-graduação com muitos alunos e 90% deles eram financiados pelas empresas. As empresas investiam nos funcionários porque sabiam que eles iriam permanecer por lá. Mas hoje ocorre o movimento contrário. As próprias pessoas e não mais as empresas ditam o ritmo das mudanças.



SITE DO GRUPO LET – E como eles “ditam” suas “carreiras”?

MOISÉS BALASSIANO - O profissional que se forma e tem à frente de si um bom mercado de trabalho não fica muito tempo na empresa. Tenho conversado com vários ex-alunos meus que querem mudar de trabalho quando encerram um ciclo e terminam a possibilidade de aprendizado naquela empresa. Eles sabem que se fizerem a mesma coisa por muito tempo ficam em um beco sem saída. Então saem da empresa e buscam novos “aprendizados” (formas de se trabalhar, nichos em sua profissão, desafios profissionais) para poderem se manter no mercado de trabalho. Os jovens vestem a camisa das empresas, mas antes disso vestem a sua própria camisa. As relações de trabalho passam a ser utilitárias e frágeis. O profissional, contudo, perdeu sua força de reivindicação profissional. Porque a partir do momento em que ele quebra o coletivismo, deixa de existir a figura da classe de empregados. E isso fragmentou a força do empregado, porque antes as demandas eram coletivas, da classe, hoje são individuais.



SITE DO GRUPO LET – Essa tendência de estar em um lugar hoje, em outro daqui a algum tempo e em um terceiro daqui a mais algum tempo parece assustador ainda para muita gente. Isso não gera uma insegurança do ponto de vista do planejamento familiar partindo do princípio que não se sabe se o sujeito terá estabilidade daqui a cinco ou 10 anos?

MOISÉS BALASSIANO - Certamente gera, mas ele faz um planejamento sem contar com a empresa, planeja uma carreira solo. E tem que adaptar a si e todos os seus familiares rapidamente a respeito dessa situação. Recebo diariamente e-mails me pedindo aconselhamento para a questão de planejamento de carreira, porque as pessoas sabem que não podem depender das empresas. E negociar com uma empresa individualmente é uma coisa muito complicada.



SITE DO GRUPO LET – O que significou a entrada com força total do elemento “TECNOLOGIA” no mercado de trabalho, considerando em um primeiro momento a entrada dos computadores e o segundo – uma década e meia mais tarde – da Internet?

MOISÉS BALASSIANO - A tecnologia mudou completamente o comportamento profissional, os processos, as estruturas de trabalho, tudo! Em 1988 consegui um computador montado em casa pelo equivalente hoje a R$ 2.500,00, sendo este um preço promocional. Pouquíssima gente tinha computador. Em 1990 quando fui aos EUA fazer Doutorado tive um choque tecnológico ao ter acesso a programas, periféricos e Internet dentro das universidades. Foi um aprendizado fantástico! Essas relações transformam as empresas. Muitos cargos que não haviam antes passam a existir. Em meados de 80 o curso de Informática da PUC no Rio dá um salto muito grande e passa a ser a opção interessante para muitos jovens com a sedutora profissão de Analista de Sistemas. Hoje quase não se ouve mais falar em analista de sistemas, pois não há mais aquela programação pesada. Todo mundo migrou para os micro computadores e não há muita coisa complicada, pois o Microsoft Office resolve quase tudo. Hoje se a empresa não usa a tecnologia mais avançada está fora do mercado de trabalho. Saber usar computador e Internet é tão importante quanto saber ler e escrever.



SITE DO GRUPO LET – A essas novas tecnologias significaram mudanças no quadro de profissões em destaque?

MOISÉS BALASSIANO – Mudanças radicais. Surgem novas profissões, novos cargos, novas preocupações. Quem vai tomar conta do sistema, quem vai construir a home page. A figura do web designer ganha poder. Cada empresa tem um web master, um web designer e um responsável pelo gerenciamento dos computadores. A área de telefonia deu outro salto gigantesco que exige constante capacitação de profissionais cada vez melhores. São novas funções para poder suprir essa grande demanda. E o atual perfil de cada função e profissão, qualquer profissão, provavelmente não será o mesmo daqui a seis meses ou um ano, pois a atualização de ferramentas é muito veloz. Algumas profissões se transformam, outras se desmembram e outras simplesmente acabam. A tecnologia acabou, por exemplo, com figuras como o datilógrafo, o copy desk, o ascensorista, a telefonista. O correio tradicional teve sua área operacional muito reduzida. E o mercado de trabalho tem que se adequar a essa tecnologia.



SITE DO GRUPO LET – Como algumas profissões tidas como tradicionais se transformam?

MOISÉS BALASSIANO - Em algumas profissões essas transformações se chamam desmembramento. O desmembramento é um fenômeno que ocorre em carreiras de nível superior como, por exemplo, o Direito. Além de áreas já conhecidas como a criminalista, trabalhista e outras, hoje há a especialidade de Direito Ambiental, em grande demanda no mercado, em função da crescente preocupação das empresas com projetos de sustentabilidade e da legislação nessa área ter avançado muito. Há também mercado forte de Direito Internacional, com profissionais que entendem da legislação de outros países para facilitar os sistemas de trocas. Sem falar no Direito ligado a processos que envolvem casos pela Internet. Na Engenharia, uma especificidade em rápida expansão é a Engenheiro de Petróleo, que paga salários muito bons. Eu diria que todo o engenheiro que trabalha voltado para a área de energia terá sempre um grande e versátil mercado. Esta demanda será a cada dia maior devido à quantidade de desafios novos que surgem nesta área.



SITE DO GRUPO LET – Mas há outra forma de transformação neste mercado de profissões e profissionais que não o desmembramento?

MOISÉS BALASSIANO – Com certeza. Na própria Engenharia ocorre outro aspecto já muito comum que é a migração deste profissional para outras áreas, como Administração, Recursos Humanos, Economia, Informática, entre outras. Recebo alunos para cursos de mestrado e doutorado em Administração que vêm da área de engenharia e também recebo pessoas da área de Física para fazer uma graduação de Economia. Hoje a graduação superior não é mesma coisa que era há 20 anos atrás. Hoje quem busca a graduação já tem que pensar no nível de especialização que vai se querer ter. Do contrário, é perda de tempo.



SITE DO GRUPO LET – Algumas graduações para profissões não se atualizaram. Dê exemplo de uma graduação que vem perdendo terreno para outras...

MOISÉS BALASSIANO - Economia é uma graduação que está se desvalorizando. Se você for pesquisar quem são os maiores economistas da Fundação Getúlio Vargas, aqueles que alcançam sucesso profissional, todos eles são formados em Engenharia e depois fizeram mestrado e doutorado em Economia. Isso acontece porque a Economia se tornou uma carreira e uma forma de aprendizado extremamente quantitativa, que apenas lapida uma carreira já moldada. Primeiro eu moldo a minha cabeça, com conhecimentos gerais e depois foco em Economia. Então quando os Engenheiros, que têm uma cabeça quantitativa, quando entram nesta área (Economia) têm maior facilidade de lidar. E o mercado requer essa lapidação, pois tem buscado pessoas com formação ampla.



SITE DO GRUPO LET – E quê tipo de profissionais o mercado requer hoje?

MOISÉS BALASSIANO - Infelizmente, boa parte do mercado não está mais interessada em profissionais que sabem apenas uma determinada especificidade de sua profissão, porque com essa tecnologia mudando a cada dia o que você aprende hoje, utiliza hoje, mas não vai usar daqui a alguns anos. O que o mercado quer são profissionais com capacidade extrema de aprender, de se adaptar às novas situações e que sejam abertos a novidades. Quem não tiver essas características não vai se dar bem, seja em que área for, quer no nível privado ou estatal. Minhas pesquisas indicam que profissional ideal é aquele que muda na mesma velocidade das mudanças do mercado.



SITE DO GRUPO LET – Mesmo considerando que as mudanças são constates em um teórico “mapa de carreiras”, quais seriam aquelas carreiras que hoje estão em alta no mercado, ou seja, que exigem maior número de profissionais?

MOISÉS BALASSIANO - No Estado do Rio de Janeiro está havendo grande demanda por Engenharia de Petróleo e prestadores de serviço na área de energia. Inúmeras empresas requisitam a todo momento profissionais que trabalhem com energia. Além do petróleo o gás passa a ser o grande chamariz para engenheiros na área de Santos (SP). Outra carreira que vejo em alta é a dos profissionais que atuam no ramo de logística, para alavancar negócios. Então há um campo fantástico para gestores de pessoas, engenheiros de produção e administradores em várias cidades de vários estados.

As áreas voltadas às novas tecnologias também estão em alta, como todos os trabalhos ligados a computadores, Informática, sistemas e seus desmembramentos, web designers etc. E na área de comunicação por outro lado há uma demanda maior para prestadores de serviço em expertises diversas do jornalismo. Também há ótimo mercado nessas áreas como a Administração, a Psicologia, o Direito, Informática, Engenharia e Comunicação, que trabalharam bem a questão do desmembramento, com o surgimento de novas especificidades. Nestas, o retorno de investimento costuma ser mais rápido.

Outro fator que motivou um aquecimento das profissões de Fisioterapeuta e Professor de Educação Física é o aumento da expectativa de vida. Aumentando o número de idosos e de pessoas de todas as idades investindo em saúde a demanda de personal trainers, fisioteraputas e profissionais de Educação Física se torna muito boa em cidades com boa renda per capita.



SITE DO GRUPO LET - E quando falamos em carreiras não de nível superior, mas de nível técnico, quais têm sido as com maior demanda do mercado?

MOISÉS BALASSIANO – Mais uma vez; são as carreiras técnicas voltadas para a área tecnológica, como por exemplo, web designer, web master, programador visual, operador de telemarketing – esta última muito estressante. As funções de apoio para as pesquisas tecnológicas também têm excepcional demanda e não necessitam curso de graduação. Não há bom volume de remuneração, mas garantem a sua permanência no mercado de trabalho e servem como trampolim para profissões de melhor remuneração. Porque a maior preocupação para muitos profissionais hoje no mercado é: como é que eu começo? Teve um aluno meu aqui no Rio que me disse “professor eu vou até para São Paulo, mas eu quero começar!”. Uma boa dica de começar é procurar freqüentar eventos e cursos nos quais você possa fazer uma boa rede de relacionamentos. Muita gente faz curso de MBA para se inserir em uma rede de relacionamento. Entre os objetivos estão o de conseguir um trabalho ou mesmo o de mudar de um para outro.



SITE DO GRUPO LET – Em nível superior ou na área técnica a figura do “prestador de serviços” ou do “empreendedor” ganha força. Que perfil esse profissional deve ter para vencer nesse concorrido mercado de trabalho?

MOSÉS BALASSIANO - O prestador de serviços deve ter um perfil multifuncional. Nunca deve dizer “não” a uma solicitação. Ele tem que ter rapidez e facilidade para resolver as coisas, mesmo questões específicas. Esse é o seu diferencial. Ele traz sempre soluções e nunca problemas para as empresas. Outro fato fundamental é que o prestador de serviços deve obrigatoriamente saber vender o seu peixe, saber para quem está vendendo e em qual momento está fazendo isso.



SITE DO GRUPO LET – O jovem, por já ter se acostumado ao computador e às novas tecnologias antes de entrar para o mercado de trabalho, assimila com mais facilidade essa tendência de empreendedor?

MOISÉS BALASSIANO – Precisamente. Tanto que eu chamo essa nova geração de “Geração da Tecnologia”. E ela, nascida nos anos 70, 80 e 90, é privilegiada em relação às ferramentas do empreendedorismo. Esses jovens estão entrando com muita força e modificando as atitudes no mercado de trabalho, porque estão acostumados a jogar, a criar redes de relacionamento pela Internet. Essas pessoas têm o perfil interessante, pois são capazes de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Quando uma criança joga um vídeo game, na verdade ela já está se preparando para o mercado de trabalho dos dias atuais, pois exerce várias funções ao mesmo tempo em um ou dois comandos. E esses jovens que estão chegando empurram aquela geração antiga para fora do mercado de trabalho, sem meias-palavras. Tenho inclusive um projeto de pesquisa nessa linha, que prevê o acompanhamento de um grupo de jovens entre 5 a 10 anos. A idéia é a de investigar até que ponto vai a influência das atitudes deles no mercado de trabalho.



SITE DO GRUPO LET – E esses jovens têm realmente transformado o mapa de carreiras?

MOISÉS BALASSIANO – Tanto que por meio de meus estudos, tenho observado que hoje o ápice da carreira, em muitas áreas profissionais, que antes era por volta dos 50 anos de idade, hoje está se deslocando para mais próximo ao início da carreira. Não é raro hoje você ter no mercado e em grande empresas, profissionais que chegam ao ápice de suas carreiras antes dos 40 anos e algumas vezes próximo aos 30 anos. Também contribui para que o jovem chegue ao ápice mais cedo a veloz atualização e aprimoramento das tecnologias.



SITE DO GRUPO LET – Apuramos que empresas como Shell, Souza Cruz e Exxon Móbil têm há algum tempo a tradição de rápida promoção e jovens com menos de 30 anos em postos chave de gerência em algumas áreas...

MOISÉS BALASSIANO - Isso é gás novo. O jovem tem que ter essa perspectiva. Por isso Administração é uma carreira prospectiva, depende daquilo que você irá fazer depois de formado. Se o profissional se limitar apenas ao curso de graduação ele morre. Sua sobrevivência profissional irá depender das experiências que for tendo, das complementações. Apenas o diploma em si é muito pouco. O que vai valer é o que você agrega ao diploma como experiência profissional e como cursos complementares: MBAs, pós, Mestrado etc.



SITE DO GRUPO LET - E o nome da faculdade, se for da PUC, da FGV, IBMEC ou da UFRJ, em nível ainda de graduação, garante alguma vantagem para colocação no mercado?


MOISÉS BALASSIANO - Embora não garanta, não dá para negar que o nome da faculdade traz alguma facilidade. Tenho um ex-aluno da graduação que se formou em janeiro deste ano e ainda no primeiro semestre já estava em São Paulo ganhando salário de R$ 8 mil, começando a carreira já em uma grande instituição financeira. É um caso raríssimo, mas existe. Ainda existem empresas que olham no currículo de qual faculdade aquele profissional é graduado. Muitos dos já formados aqui na FGV, PUC, IBMEC ou UFRJ estão empregados. A questão do nome da faculdade tem peso, tem valor agregado e tem resposta do mercado.



SITE DO GRUPO LET – Me parece que existem dois mercados de trabalho: o público e o privado. Enquanto você e outros igualmente grandes estudiosos apontam um novo profissional, mais dinâmico e em contrapartida com menos estabilidade em uma única empresa, ainda existem pessoas que acreditam que só um concurso público é o que vai salvar a vida delas. Acham que somente cargo público garante estabilidade e tranqüilidade na vida. Pessoas se acomodam ganhando o mesmo salário a vida toda e não saem dali com medo de serem demitidas em outro lugar. É o admirável mundo dos “profissionais de concursos”. O que você pensa sobre isso?

MOISÉS BALASSIANO
- O que existe aí é a formação cultural dessas pessoas. Essa é a forma delas pensarem, inclusive entre eles há muitos jovens, que têm aversão ao risco. Esse perfil não é econômico, não vem da classe média, baixa ou alta. É um perfil de personalidade. São pessoas que só pensam em segurança e mais nada. O ideal é unir a luta pela segurança aos desafios na vida (empreendedorismo). Há pessoas concursadas que conseguem ao mesmo tempo serem empreendedoras. Uma coisa é você ter segurança; outra é você se acomodar. São duas coisas diferentes. E muitos funcionários públicos se acomodam.

E hoje é fácil ser funcionário público e empreendedor ao mesmo tempo, porque com a Internet qualquer um pode trabalhar de casa. Na área pública ainda existe o modelo antigo de carreira, na qual o sujeito entra em uma empresa e vai ficar a vida toda por lá. Mesmo com o mercado em mutação existem essas ilhas que são ocupados pelos servidores públicos que tem uma pretensa estabilidade, ainda que hoje Petrobrás e Banco do Brasil tenham taxas de turnover (saída de empregados) muito mais elevadas do que há alguns anos, provocadas na verdade pelos próprios profissionais.



SITE DO GRUPO LET – Saindo do “admirável mundo dos concursados” e do imprevisível (ou planejavelmente previsível) mundo dos empreendedores, cite algumas carreiras em baixa, onde é complicado se investir tempo e dinheiro?

MOISÉS BALASSIANO – Posso citar inicialmente o Marketing e a Medicina como duas carreiras saturadas e bem complicadas de se obter retorno, mas por diferentes motivos. No Marketing há um excesso de cursos, de apelo, um contingente imenso de profissionais ótimos trabalhando da mesma forma. Há hoje profissionais de Marketing hiper preparados, para poucas vagas no mercado. É necessários que eles também pensem com carinho na possibilidade de migrar para áreas mais favoráveis.

Na Medicina a questão de oferta de postos é até boa, mas embora pareça incrível para alguns, é uma área complicada e muito difícil de realização. A relação custo/benefício é amplamente desfavorável, tanto que hoje há uma migração de profissionais formados em medicina para outras áreas. Médicos se transformam em gestores, em escritores, em economistas. Isso ocorre em grande parte porque poucos médicos chegam hoje ao topo do sucesso em suas carreiras. Um grande contingente gasta rios de dinheiro e passa por inúmeros sacrifícios, são seis anos, para depois ganhar baixos salários e trabalhar muitas horas, em situações críticas, com pouco tempo para descanso.

Além dessas duas carreiras citadas há outras que, literalmente, ou acabaram ou estão acabando, como datilógrafo, copy desk (revisor de texto), ascensorista, caixa de banco. Nesta área bancária houve muito enxugamento. As carreiras de tecnologia para o setor bancários estão em baixa. E quem perceber que está em baixa não pode demorar a ter a ATITUDE de migrar para outra área. É para a sua própria sobrevivência.
 
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