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| ENTREVISTA |
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Set-25-2006 |
Marcus Vinícius Freire
– Diretor Executivo do COB (Comitê
Olímpico Brasileiro) e Chefe da Missão
Olímpica Brasileira
“A gestão do esporte de alto
nível tem muitas lições importantes para
vocês de Recursos Humanos” |
Por Alexandre Peconick (texto) – fotos: Divulgação |
Marcus Vinícius Freire usa o background
em esportes e administração de empresas
para gerenciar equipes diretamente responsáveis pelo
sucesso nos Jogos Pan Rio 2007 |
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Da fantástica “Geração
de Prata” para o comando da missão olímpica
brasileira e a direção executiva dos Jogos Pan
Americanos Rio 2007 foi um salto gigantesco na carreira esportivo-empresarial
do ex-jogador de vôlei Marcus Vinícius Freire.
Em entrevista o SITE do Grupo LET este gaúcho de Bento
Gonçalves, da sala de reuniões de seu escritório
na Accioly Entrenimento conta como a experiência como
jogador de vôlei e a vivência de empresário
esportivo podem ser muito úteis aos gestores de pessoas.
Ele também revela fatos como o de ter convencido Guga
a jogar nas Olimpíadas de Sidney em 2000 sem vestir
a marca de seu então patrocinador ou o de ter iniciado
sua trajetória vitoriosa no vôlei profissional
por insistência do ex-técnico e atual presidente
do Botafogo.
Como atual Chefe da Missão Olímpica Pequim-2008
e Diretor Executivo do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) – evento que irá de 13 a 27 de
julho do ano que vem -, Marcus Vinícius abandonou as
quadras em 1990 e desde então atua como executivo,
tendo passado por grandes empresas como a Aon, 2ª maior
corretora de seguros do mundo, onde foi Diretor de Marketing.
Graduado em economia pela Faculdade Cândido Mendes ele
também já trabalhou nos bancos Boavista e BCN.
Boa parte de suas lições profissionais Marcus
Vinícius tirou da época em que fez parte do
histórico Atlântica Boavista – o primeiro
time de vôlei profissional do Brasil formado em 1981
– ao lado de nomes como Bernard, Renan, Xandó,
Amauri, entre outros. Depois das quadras atuou na praia, em
seguida voltou para as quadras quando foi para a Itália.
Na chamada Terra da Bota aprimorou suas lições
de competitividade, mas em 1990 se viu obrigado a abandonar
a carreira de atleta devido a uma cirurgia de hérnia
de disco. A dupla visão de atleta e o talento como
executivo lhe valeram em 1998 um convite do Presidente do
COB (Comitê Olímpico Brasileiro) Carlos Arthur
Nuzman, para assumir o cargo de Diretor de Esporte (Técnico)
da entidade.
Radicado no Rio de Janeiro, onde reside desde o início
dos anos 80, Marcus Vinícius há 10 anos é
comentarista de vôlei do canal de TV a cabo, Sportv
(Globosat). Nessa função já participou
das coberturas das Olimpíadas de Atlanta (1996), Sidney
(2000) e Atenas (2004), várias edições
da Liga Mundial de Vôlei, da Copa do Mundo de Vôlei
e do Campeonato Mundial de Vôlei. Nomeado por Nuzman
como Chefe da Missão Olímpica Brasileira desde
1999, em junho de 2001, quando o Brasil ganhou o direito de
sediar os Jogos Pan Americanos de 2007 (no Rio de Janeiro),
ele assumiu cargo de diretor na equipe que comanda as ações
do evento. Para saber mais é só ler a entrevista
abaixo...
SITE DO GRUPO LET – Como começou essa história
do atleta que se transforma em empresário e obtém
sucesso no gerenciamento de equipes empresariais?
Marcus Vinícius
– Comecei na verdade estudando Engenharia em Porto Alegre
(RS) na URBES. Meu pai era engenheiro do exército e
meus três irmãos mais velhos também eram
engenheiros. Em 1981 a Atlântica Boavista montou aquele
time fantástico no qual o técnico era o Bebeto
de Freitas. Foi o Bebeto quem insistiu com o meu pai e me
trouxe do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro. Acabei
vindo para o Rio por um acordo que o Bebeto fez com o meu
pai conseguindo a minha transferência da URBES para
a PUC-Rio. Pouco depois era convocado para a seleção
brasileira. Comecei a viajar muito e a engenharia ficou complicada,
e só fui me formar, não em engenharia, mas em
economia em 1991 depois que retornei da Itália (fui
para lá em 1988) ao abandonar minha carreira como jogador
de vôlei. Parei de jogar aos 28 anos, em minha melhor
temporada, porque tive que fazer uma cirurgia de hérnia
de disco. Em função de ser formado em economia
fui trabalhar então em uma corretora de seguros de
um amigo, da corretora fui para o Banco BCN e em 1995 fui
convidado para ser o Diretor Executivo de Seguros do Banco
Boavista. Trabalhei 16 anos no mercado de seguradoras, como
executivos. Estou parando agora. Nos últimos seis anos
trabalhei na 2ª maior corretora de seguros do mundo,
a Aon. Lá era Diretor de Marketing e Relações
Institucionais.
SITE DO GRUPO LET – Essa vivência foi
importante no convite para integrar o Comitê Olímpico
Brasileiro?
Marcus Vínicius – Sem dúvida! Em 1998
o Nuzman me convidou para integrar o COB, sendo o Chefe da
Missão Brasil - Sidney em 1999. Depois fui nomeado
Diretor de Esportes (ou Técnico) do COB. Fui chefe
da missão Brasil no Pan de 1999 na Olimpíada
de Sidney em 2000 e em todas as competições
esportivas daí em diante nas quais o COB estivesse
envolvido. E serei também o Chefe da Missão
do Brasil em 2007 no Pan do Rio e também nas Olimpíadas
de Pequim, em 2008. Então, em função
dessa bagagem de executivo, administrador de equipe no banco,
na seguradora, na empresa e com equipes de atletas (serão
1000 no Pan e em torno de 500 em Pequim) sou frequentemente
convidado a realizar palestras para equipes de executivos
e de Recursos Humanos.
SITE DO GRUPO LET – Mas o que faz um Chefe de
Missão Olímpica?
Marcus Vinícius - A gente prepara essas missões
com viagens precursoras, com montagens de equipes. Só
até a China eu já fui duas vezes. Ao final de
uma Olimpíada já começamos a prepara
a outra. Ao final do mesmo ano de 2004 (em dezembro), quando
se realizaram os Jogos de Atenas 2004, já estive em
Pequim. E minha última viagem para lá foi há
cerca de um mês. Nessas viagens cumprimos alguns itens:
o primeiro é o relacionamento com o comitê organizador
local. Então você tem que ser bem-sucedido nessa
relação para obter um lugar estratégico
e favorável para sua delegação dentro
da vila olímpica, com espaço para todos, tempo
hábil para saída e deslocamento de todos os
atletas, quero saber que tipo de transporte eu vou ter que
alugar, como será o esquema de segurança. Por
exemplo, na área técnica é fundamental
saber onde serão deixados os nossos barcos e cavalos.
Em Pequim, o Iatismo (Vela) irá acontecer a 690 km
do centro urbano. Estudamos todos os tempos de deslocamento
em todas as filiais. Haverá também uma sub-vila
olímpica, então temos que checar todos os serviços
de lá. Comparando com uma empresa é o mesmo
processo de uma organização que vai abrir uma
filial. Tudo tem que ser estudado antes de se tomar cada passo.
O hipismo, por exemplo, será em Hong Kong a três
horas e meia de carro de Pequim. Então fizemos todo
esse caminho para ajeitar a estrutura para a nossa equipe.
Como os cavalos chegam, onde ficam, em quais condições.
Como será a nossa comunicação na China,
dos atletas com seus familiares, a nossa com os atletas por
lá, posso usar rádio, os voluntários
de lá falam quais línguas, como são os
restaurantes, o que eles vão servir, nossos atletas
podem ingerir esta alimentação. Como ficarão
os atletas nossos que ficarem fora da vila.
SITE DO GRUPO LET – Existe algum cunho diplomático
nesta função pelo fato de você estar representante
uma entidade com a bandeira do Brasil em países distantes
e eventos importantes?
Marcus Vinícius - Sim e este aspecto é
fundamental. Até porque além da vila nós
do COB, juntos com os patrocinadores, mais a Embratur e o
Governo Federal Brasileiro, montamos a Casa Brasil. Onde essa
Casa Brasil irá ficar, que recursos e atrações
vão ter para que os estrangeiros se interessem ainda
mais pelo Brasil. Tudo isso eu tenho que planejar e suprir.
Somos autênticos embaixadores do Brasil durante qualquer
evento lá fora e precisamos assumir essa grande responsabilidade.
Parece fácil, mas de fácil não tem nada.
SITE DO GRUPO LET - Como chefe da Missão Brasil
você também passa aos atletas o fato de que eles
também são embaixadores brasileiros? Como eles
recebem de você esta responsabilidade?
Marcus Vinícius - Fazemos algumas reuniões
pré-jogos. Montamos uma eficiente estrutura desde que
o Carlos Arthur Norman assumiu o COB. Há um chefe da
missão (eu), três sub-chefes (um médico,
um administrativo-financeiro e um técnico), temos alguns
profissionais trabalhando com esse grupo, mas cada esporte
ou modalidade tem o seu chefe de equipe. Por exemplo, o basquete
masculino tem um chefe e o basquete feminino tem outro chefe,
e por aí vai. Esses chefes são a minha ligação
com os técnicos e atletas. Chegar ao atleta para dizer
que ele está usando a camisa errada ou está
tendo atitudes incorretas não é a minha função,
para isso tem o chefe de cada esporte. É igual a uma
empresa, na qual o CEO delega poderes para seus gerentes atuarem
junto aos funcionários de cada setor. Isso evita um
desgaste desnecessário. Cada chefe de esporte é
preparado, treinado por mim para exercer essa função.
O que não impede que em casos extremos eu possa ter
acesso direto aos atletas.
SITE DO GRUPO LET – Mas o fato de ser o Chefe
da Missão Olímpica permite certas prerrogativas
não é mesmo?!
Marcus Vinícius - Tenho isso não pelo
cargo em si, mas pela minha vivência de atleta. Na Missão
Olímpica pelo fato de ter sido atleta, de ter estado
do outro lado, tenho a vantagem de ser melhor entendido nas
negociações. A experiência esportiva me
dá credibilidade junto aos atletas. E meio a uma confusão
que tivemos nos Jogos Olímpicos de 2000 esse fator
me foi útil para conseguirmos ter garantida a atuação
de um de nossos melhores talentos. Em Sidney (Austrália,
2000), com toda a franqueza, cheguei para o Guga (jogador
de tênis então duas vezes Campeão em Roland
Garros – 1997, 2000) e disse: “Não vai
dar para você jogar de Diadora meu querido, porque nós
temos um contrato com a Olympikus e todos os demais atletas
estão respeitando!” Eu dizer isso para ele é
bem diferente de um fazer o mesmo. Ele sabe que eu fui atleta,
enfrentei situações parecidas, joguei lá
fora igual a ele e que eu briguei igual a ele por aquilo que
considerava justo. E nessa conversa com o Guga, com o Larri
(Passos, então treinador) e com o irmão dele,
contei o meu caso ocorrido em Los Angeles 1984, quando a marca
Rainha era a patrocinadora da equipe. Na ocasião o
Bernard, o William e o Renan, se não me engano, tinham
patrocínios exclusivos com esta marca. Eles iriam ganhar
uma grana por fora da Rainha. Então eu e os outros
nos rebelamos e colocamos no treino um esparadrapo em cima
da marca Rainha. Levamos um baita esporro do Nuzman. Caramba,
o Michael Jordan, que era patrocinado pela Nike, fez isso
no pódio de Barcelona (1992), colocando a mão
em cima da marca concorrente no agasalho do Dream Team. Com
transparência, falei para o Guga os motivos pelos quais
esse caso ainda não tinha sido discutido antes. E acabamos
fazendo um acordo no qual o Guga jogou com o uniforme semelhante
em design aos outros atletas, mas sem nenhuma marca, nem Diadora,
nem Olympikus. O mais curioso é que dois meses depois,
o Guga brigou com a Diadora e assinou com a Olympikus. |
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Acima a “Geração de Prata”
do vôlei masculino, responsáveis pela primeira
medalha obtida por esse esporte em Jogos Olímpicos (Los
Angeles, EUA, 1984). Da direita para
a esquerda, Marcus Vinícius Freire é o quarto
jogador com a medalha de prata no peito |
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SITE DO GRUPO LET
– Então há muitos paralelos entre gerir
equipes esportivas e equipes empresariais?
Marcus Vinícius - Sem dúvida que sim.
E para mim gerir equipes empresariais se tornou mais fácil
na medida em que eu participei ativamente de todos os lados.
Primeiro, como jogador de vôlei, eu fui peça
das equipes. Hoje na vida empresarial saber trabalhar bem
em equipe, tendo o conhecimento de todas as peças (funcionários)
em jogo é vital para sua sobrevivência. E eu
participei de um esporte que considero o mais coletivo entre
todos. No vôlei quando eu recebo um saque de manchete
não posso fazer mais nada. Tenho que ter alguém
comigo que dê um segundo toque para que eu possa dar
o terceiro, se for o caso. Em toda a minha vida esportiva
tudo sempre foi feito com a equipe, em função
da equipe, para os méritos da equipe. O segundo fato
que me ensinou muito na vida empresarial foi que eu vivi dentro
do esporte coletivo a transição do amador para
o profissional. Fiz parte da primeira equipe profissional
do Brasil em um esporte que não fosse o futebol. Em
1981 foi montado pelo Antônio Carlos de Almeida Braga,
o Braguinha, o time da Atlântica Boavista. E ele também
forçou para que a Pirelli montasse um time afim de
que houvesse competitividade. A seleção brasileira
era dividida com seis jogadores em São Paulo e seis
no Rio. Conheci todos os erros e acertos dessa transição
do “ser amador” para o “ser profissional”
e acumulei uma grande experiência depois como profissional
na Itália. Quando voltei da Itália e fui adaptar
esses ensinamentos para a vida executiva, ficou muito mais
fácil entender como funciona uma empresa, fosse ela
nacional ou multinacional. E em minha trajetória fui
depois trabalhar em empresas com perfis completamente diferentes;
nacional, francesa, americana, multinacional. E essas experiências
eu pude trazer para o comando da Missão e para o Comitê
Organizador do Pan.
SITE DO GRUPO LET – A premissa de que o americano
tem uma cultura, o francês tem outra e o italiano outra
bem diferente e que não podemos fazer aqui o que eles
fazem lá, não é bem assim nas empresas
e organizações brasileiras. Podemos agregar
valores de outras culturas muito distintas em nossas organizações?
Marcus Vinícius - Podemos sim agregar valores
e aproveitar o que as outras culturas têm de melhor
para nos oferecer, adaptando-as ao nosso jeito de fazer (modus
operandi). Aqui faço a minha primeira comparação;
como eu monto um time como a Atlântica Boavista, que
tinha três gaúchos, que eram eu, Renan e Paulo
Roese; três paulistas, que eram Amauri, Xandó
e Léo e meia dúzia de cariocas, que eram Badalhoca,
Bernard, Barnardinho, Fernandão e cia? Tínhamos
gostos diferentes; mas tivemos que nos entender para só
então formarmos um time. Então a mesma situação
você enfrenta quando uma empresa tem fusões,
aquisições e vendas para outras empresas. E
eu vivi isso no universo empresarial. Temos que nos adaptar
e rapidamente. No vôlei, o Atlântica Boavista
acabou de repente, aí fizeram o Flamengo Petrobrás,
joguei ali um tempo e depois fui para a Itália, sem
falar uma palavra de italiano. Em seis meses na Terra da Bota,
já era eu quem falava com o árbitro por ser
o capitão do time. Esse rápido poder de adaptação
no esporte, somos camaleões mesmo, vale hoje 100% para
o meio empresarial.
SITE DO GRUPO LET – Mas como se consegue manter
um alto nível de competitividade esportivamente e empresarialmente
falando com tantos detalhes e tantas diferenças?
Marcus Vinícius - O primeiro ponto é o
de saber formar equipes com alto padrão de performance,
colocando as pessoas (ou profissionais) certos nos lugares
certos. Não adianta você inventar um cargo em
sua empresa só para fazer uma boa ação
para aquela pessoa que está precisando ou inventar
que determinada pessoa que não tem aquele skill (habilidade
específica – competência) adequado para
aquela função quando não tem. Atitudes
como esta vai prejudicar muito o seu negócio. No esporte
também não podemos achar que determinado cara
vai ser o melhor chefe de equipe só porque foi um dos
melhores atletas. Pode até acontecer que sim, mas um
fator não determina o outro. Nós fomos medalhistas
olímpicos em 1984 nos Jogos de Los Angeles. Se você
me perguntar quem eram os mais fracos tecnicamente entre os
12 jogadores, eu certamente estou entre eles. E nem por isso
os mais fortes vieram a ser chefes da Missão Olímpica,
20 anos mais tarde. Cada um tem o seu skill. O meu ali em
1984 era apenas o de fazer determinadas funções.
Eu sabia que nunca seria titular, mas também sabia
que tinha certas funções no grupo vitais para
o sucesso da equipe. Por tudo isso, o mais importante de quem
está nos cargos mais altos é conhecer a fundo
as habilidades de cada um de seus comandados para usá-las
ao máximo. Somente assim a equipe terá alta
performance independente do nível de exigência,
seja esta equipe esportiva, ou seja, de uma gerência
em qualquer tipo de empresa. E devemos primar sempre pela
qualidade independente da situação. Digo a mesma
coisa por todas as empresas onde passo e por onde passei;
você tem que jogar de forma diferente; com relação
a uma empresa isso significa na relação com
cada cliente. Temos que escalar o melhor time, treinar da
melhor forma, entrar com a máxima disposição,
esquecendo em se guiar apenas pelo talento e...mesmo assim
pode acontecer de perdermos este “jogo”. Isso
ocorre em uma concorrência, em uma licitação.
E temos que levantar a cabeça e buscarmos sempre alternativas
melhores ainda se não vencermos este “jogo”.
Eu posso fazer um jogo praticamente perfeito e perder. É
que o concorrente também foi perfeito e me superou
por um detalhe. Acontece e não é o fim do mundo.
Nem dos meus negócios. Não pode ser.
SITE DO GRUPO LET – Vejo muito em você
uma preocupação comum a atletas que se transformam
em empresários de sucesso: a constante atualização
de informações e de treinamento. Essa semelhança
ocorre porque quando atleta você era muito cobrado em
performance. E no meio empresarial quem não investe
em constante atualização perde em performance
e em mercado. Você concorda com isso?
Marcus Vinícius - Concordo demais com isso e
a minha história já como executivo comprova
esse raciocínio. Até em casa a minha esposa
às vezes comenta: “Ih, você já está
há cinco anos nessa empresa!” Porque eu acho
que hoje em dia ninguém está sendo preparado
para trabalhar como o meu pai, o seu pai, os nossos avós,
ou seja, fazendo carreira em uma única empresa, com
carteirinha assinada, como todos imaginam. E eu já
digo aos meus filhos: “A chance de algum de vocês
trabalharem por mais de cinco anos na mesma empresa é
nenhuma!” Você, seja quem for, tem que sempre
dar o seu máximo naquele “time” ali, vamos
chamar de “time”, a empresa na qual você
se encontra no momento; mas que possivelmente, você
tem que estar sempre preparado para atender a demandas que
virão de fora dessa empresa e que te levarão
a outros destinos. Sou o maior incentivador dos meus funcionários
trocarem de emprego. E é justamente aí que está
um dos maiores problemas que vejo no universo dos executivos
do Brasil: o fato dos chefes muitas vezes tentarem travar
seus funcionários tanto para subir na empresa como
para sair dela. Outro problema: não vejo muitos gerentes
ou diretores preparando seus sucessores. Penso que esta preocupação
com a sucessão nas empresas deve ser cada vez maior;
porque as pessoas que se achar “necessárias”.
É uma mesquinhez o chefe não querer preparar
ninguém com o medo de perder o lugar, quando o pensamento
deveria ser exatamente ao contrário, ou seja, vou preparar
alguém para ser ainda melhor do que eu, para elevar
o nível da minha equipe de funcionários, da
minha empresa, porque o mercado está exigindo isso.
Devemos mudar a mentalidade de quem manda nas empresas. A
gestão do esporte de alto nível tem muitas lições
importantes para vocês de Recursos Humanos
SITE DO GRUPO LET – Que exemplo podemos dar
em referência a este tipo de mentalidade que já
existe no esporte?
Marcus Vinícius - O jogador que atua como líbero
do time é o exemplo perfeito disso. Baixinho, não
saca, não ataca, entra de vez em quando. Mas esse jogador
é fundamental para o ataque brasileiro, porque é
o responsável pelo passe e por neutralizar a potência
do ataque adversário quando a bola passa pelo bloqueio.
Com a velocidade do jogo atual, os atacantes só funcionam
se o líbero fizer a sua parte.
SITE DO GRUPO LET – Mudando um pouco o foco
de nossa entrevista, gostaríamos de saber o que o evento
Jogos Pan Americanos Rio 2007 vai agregar à cidade
do Rio de Janeiro em termos de valores para o mercado de trabalho?
Marcus Vinícius - Temos falado muito que esse
Pan não é só do Rio de Janeiro, mas do
Brasil. Ele está trazendo em primeiro lugar credibilidade
internacional para o país inteiro. Claro que reforça
a imagem do Rio como porta de entrada do Brasil. Depois este
Pan dará um up grade na qualidade profissional de pessoas
que lidam com o esporte. Muitas pessoas visualizam apenas
aquelas duas semanas e meia que duram as competições
do Pan. Em termos de abrangência o evento não
se restringe a isso. Vivemos o Pan por cinco anos desde a
sua preparação; nos pré-eventos dos vários
esportes, nem todos no Rio de Janeiro. O Brasil está
ganhando um up grade nacional na realização
de eventos. E não podemos desprezar a parte de infra-estrutura.
Estamos deixando para a cidade e para o Brasil um ginásio
de 18 mil lugares que não existia; um parque aquático
no autódromo que não existia, um estádio
olímpico que pode servir para atletismo e futebol com
capacidade para 45 mil espectadores em uma área revitalizada
economicamente como o bairro do Engenho Novo, que não
existia, um velódromo que não existia, um centro
esportivo em Deodoro com qualidade que não havia no
Brasil. Todas essas instalações terão
que ser administradas para se tornar rentáveis. Isso
gera empregos a muito longo prazo. E isso gera potencial para
muitos eventos que precisarão contar com muita mão-de-obra.
E aqui eu trago um dado interessante. A cidade chinesa de
Pequim está loucamente em obras para abrigar os Jogos
Olímpicos de 2008 e para deixar tudo em ordem, 200
mil operários estão trabalhando. Nós
temos aqui apenas na construção da Vila Olímpica,
2,7 mil operários.
SITE DO GRUPO LET – Embora não seja esta
exatamente a Como está a preocupação
com a segurança para o evento que chamará a
atenção de todas as Américas em 2007?
Marcus Vinícius - Os Jogos irão durar
17 dias. Tenho uma preocupação muito grande
com a segurança, principalmente com a vinda de uma
delegação norte americana, de cubanos e de autoridades
até mesmo do COI (Comitê Olímpico Internacional).
O esquema de segurança será centralizado na
Secretaria Nacional de Segurança, ligada à Secretaria
de Justiça. Vai ser um comando unificado com a polícia
federal e as forças armadas (exército, marinha
e aeronáutica), mas talvez não seja tão
ostensivo como foi o da RioECO-1992 (Conferência Mundial
do Meio Ambiente).
SITE DO GRUPO LET – Todo país e toda
cidade que realiza grande eventos, tem uma grande “bandeira”;
um lema. O da Copa do Mundo de Futebol da Alemanha, recém
encerrada, foi a de reunificar definitivamente o país.
O de Pequim (Jogos Olímpicos) é o de mostrar
a China para o mundo. E qual é a grande bandeira dos
Jogos Pan Americanos Rio 2007?
Marcus Vinícius - É a de confirmar que
o Brasil pode trazer para si os grandes eventos esportivos
mundiais, como são os casos da Copa do Mundo de Futebol
em 2014 e o dos Jogos Olímpicos Rio 2016. E vamos,
com o apoio da iniciativa privada, deixar o Brasil pronto
para estes dois outros grandes eventos sem dever nada a ninguém.
SITE DO GRUPO LET – Para finalizar deixe aqui
uma mensagem ás pessoas que irão trabalhar nos
Jogos Pan Americanos Rio 2007...
Marcus Vinícius
- É meio dura a mensagem. Quem é convidado para
trabalhar em um evento no qual está se mostrando a
cara do Brasil deve pensar o seguinte: eu não fui convidado
para o evento. Essa é a frase que digo aos meus companheiros
de delegação. Você não está
convidado, você está a trabalho naquele evento.
Não é uma diversão ou um passeio. O mundo
verá no seu estilo de trabalhar a “cara do Brasil”.
E devemos mostrar uma “cara” séria e profissional.
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