CONARH 2006
Set-04-2006
CONARH 2006 – O que nos interessa...
Robert Levering – criador do Great Place to Work Institute e da lista “As Melhores Empresas para se Trabalhar” explica o novo conceito do “Giftwork”

Por Alexandre Peconick (texto e fotos)

Robert Levering realizou uma das palestras mais
elogiadas deste 32º CONARH ao elucidar o “Giftwork”
 
Um novo conceito que pode inserir sua empresa entre as melhores de seu mercado para se trabalhar. Este é o sonho buscado por muitos gestores e as ferramentas para tal realização foram propostas pelo jornalista americano Robert Levering fundador do Great Place to Work, instituto que cuida do ranking das Melhores Empresas para se Trabalhar. Levering esteve no CONARH 2006 (Congresso Nacional de Recursos Humanos) para falar sobre o novo conceito de Giftwork – representa a junção das palavras presente (doação) e trabalho – em sua palestra “O Fator Humano da Competitividade”.

Antes de entendermos a profundidade e as implicações do Giftwork é importante explicar que o Great Place to Wok dedica-se a ajudar organizações a compreender as características. As práticas e as atitudes que conduzem à criação de um excelente lugar para se trabalhar. Com sede na Califórnia (EUA) atua em mais de 60 países tendo o seu modelo sido aplicado em mais de 10 mil empresas em todo o mundo, o que representa um universo de mais de 20 milhões de funcionários. Em 2006 o Great Place to Work comemora 10 anos de fundação no Brasil publicando na revista Época (Editora Globo) a 10ª publicação do ranking Melhores Empresas para se Trabalhar no Brasil.

Para o fundador do Great Place to Work criar um excelente local de trabalho tem que ser o centro de nossas estratégias. Ao se pensar em um local excelente a maioria das pessoas imediatamente cita a própria casa. Então a atitude de receber os funcionários no trabalho de uma forma mais amistosa, presenteando-os como parte de sua família é o princípio da dinâmica que cria o que Robert Levering chama de “Giftwork”. O Giftwork é um ciclo no qual a liderança (gestor) oferece um presente aos funcionários, os funcionários aceitam esse presente, então os funcionários oferecem um giftwork à liderança, a liderança aceita esse giftwork e o ciclo se inicia novamente. “Por meio de inúmeras pesquisas de clima organizacional já foi verificado que esse ciclo do Giftwork gera confiança em todos os envolvidos e aprimora acentuadamente o trabalho em equipe”, assegura Robert Levering.

Depois de introduzir o conceito o ponto seguinte da palestra de Levering foi o de ensinar como se cria um “Giftwork”. Na primeira etapa há que se planejar o terreno, contratando as pessoas pelos seus atributos, talentos. “Como você contrata faz toda a diferença; a Microsoft, por exemplo, tem um lema bastante frutífero para ele chamado ‘ Contrate alguém mais inteligente do que você´”. O segundo passo seria o formato como esses novos funcionários são bem-vindos a uma empresa. Deve haver sempre um ritual gradual (nunca apressado) de iniciação que inclua apresentação à cultura da empresa, presentes extras e acesso fácil aos mentores ou gestores de processos. Levering relaciona aqui no Brasil a Microsoft como uma empresa que dá uma cesta de presentes ao empregado antes mesmo dele começar a trabalhar. Outra empresa brasileira, a Todeschini SA entrega aos recém contratados uma lista na qual consta o salário detalhado de todos os que lá trabalham. “Não estou dizendo que todas as empresas devem fazer o mesmo como segredo para o sucesso, pois isso não é receita de bolo; o procedimento ideal é o de se fazer algo de acordo com a sua cultura”, explica Levering.

Também faz parte do Giftwork importante tarefa de inspirar os funcionários pela excelência, ou seja, fazer com que eles se sintam parte integrante do trabalho, dos valores internos e também da competição na qual a empresa se insere dentro do mercado. Esse “presente” dado ao funcionário não deve ser entendido apenas como algo físico, mas primordialmente como uma oferta de poder ele (funcionário) também se sentir “dono” dessa empresa. “Para que o funcionário ganhe de presente parte da responsabilidade em administrar essa empresa há que se ter sempre honestidade e transparência com ele e mais do que isso, a liderança ou gerência deve ser acessível a todos”, afirma o criador da lista das Melhores Empresas para se Trabalhar.
 

Um público estimado em 3 mil pessoas acompanhou atento
cada sub-conceito do “Giftwork” de Robert Levering
 
Dividir e envolver as decisões com todos os funcionários é o quinto e importante ponto da confecção desse Giftwork. Para Robert Levering esse é um passo que vem sendo aplicado em poucas empresas no Brasil e um exemplo citado por ele é o da Pormade – responsável pela fabricação de portas. Ele entende também que nenhum dos passos citados deve estar desconectado dos demais uma vez que se trata de um ciclo.
Nessa conectividade o sexto passo entra como um dos mais importantes para solidificar o processo: o agradecimento pelas contribuições. De acordo com Levering, o Great Place to Work verificou em suas visitas às empresas que muitos líderes adoram demandar tarefas e cobrar pelo cumprimento e pelos prazos. Mas que uma parcela bem reduzida deles está acostumada a agradecer seus funcionários por terem realizado a tarefa. Pois é o simples agradecimento que traz ao ambiente de trabalho o chamado “algo mais” que o funcionário irá fazer pela empresa. “Os melhores locais de trabalho costuma ter políticas concretas de incentivar o agradecimento aos funcionários por fazer um bom trabalho e cada agradecimento faz com que na próxima vez este funcionário elogiado se esmere em fazer ainda melhor”, esclarece Robert Levering ao dar como exemplo deste item no Brasil a Coca Cola Refrescos Ltda.

Finalmente, o sétimo e último passo do ciclo Giftwork é “cuidar das necessidades pessoais de cada funcionário”. O verdadeiro líder sabe que nenhum grande profissional existe se não estiver bem em casa, com sua família bem atendida e sem conflitos a resolver. “O gestor ideal deve ser flexível com o funcionário em relação à suas questões familiares”, acredita Levering. Praticamente todas as empresas brasileiras citadas entre as 20 melhores para se trabalhar têm programas de benefícios para os empregados e também para os colaboradores (prestadores de serviços) que contemplam ampla flexibilidade aos familiares destes.

Um desafio entendido por Robert Levering em relação ao ciclo do Giftwork é que este novo conceito quebra com muitos padrões de hierarquia e vai mexer com o conforto de muita gente. “Mas a empresa que não estiver disposta a entender e assimilar estes conceitos tem grande chance de perder seus talentos para outras empresas que adotem este modelo”, prevê o jornalista americano.
 
 
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