Um novo conceito que pode
inserir sua empresa entre as melhores de seu mercado para
se trabalhar. Este é o sonho buscado por muitos gestores
e as ferramentas para tal realização foram propostas
pelo jornalista americano Robert Levering fundador do Great
Place to Work, instituto que cuida do ranking das Melhores
Empresas para se Trabalhar. Levering esteve no CONARH 2006
(Congresso Nacional de Recursos Humanos) para falar sobre
o novo conceito de Giftwork – representa a junção
das palavras presente (doação) e trabalho –
em sua palestra “O Fator Humano da Competitividade”.
Antes de entendermos a profundidade e as implicações
do Giftwork é importante explicar que o Great Place
to Wok dedica-se a ajudar organizações a compreender
as características. As práticas e as atitudes
que conduzem à criação de um excelente
lugar para se trabalhar. Com sede na Califórnia (EUA)
atua em mais de 60 países tendo o seu modelo sido aplicado
em mais de 10 mil empresas em todo o mundo, o que representa
um universo de mais de 20 milhões de funcionários.
Em 2006 o Great Place to Work comemora 10 anos de fundação
no Brasil publicando na revista Época (Editora Globo)
a 10ª publicação do ranking Melhores Empresas
para se Trabalhar no Brasil.
Para o fundador do Great Place to Work criar um excelente
local de trabalho tem que ser o centro de nossas estratégias.
Ao se pensar em um local excelente a maioria das pessoas imediatamente
cita a própria casa. Então a atitude de receber
os funcionários no trabalho de uma forma mais amistosa,
presenteando-os como parte de sua família é
o princípio da dinâmica que cria o que Robert
Levering chama de “Giftwork”. O Giftwork é
um ciclo no qual a liderança (gestor) oferece um presente
aos funcionários, os funcionários aceitam esse
presente, então os funcionários oferecem um
giftwork à liderança, a liderança aceita
esse giftwork e o ciclo se inicia novamente. “Por meio
de inúmeras pesquisas de clima organizacional já
foi verificado que esse ciclo do Giftwork gera confiança
em todos os envolvidos e aprimora acentuadamente o trabalho
em equipe”, assegura Robert Levering.
Depois de introduzir o conceito o ponto seguinte da palestra
de Levering foi o de ensinar como se cria um “Giftwork”.
Na primeira etapa há que se planejar o terreno, contratando
as pessoas pelos seus atributos, talentos. “Como você
contrata faz toda a diferença; a Microsoft, por exemplo,
tem um lema bastante frutífero para ele chamado ‘
Contrate alguém mais inteligente do que você´”.
O segundo passo seria o formato como esses novos funcionários
são bem-vindos a uma empresa. Deve haver sempre um
ritual gradual (nunca apressado) de iniciação
que inclua apresentação à cultura da
empresa, presentes extras e acesso fácil aos mentores
ou gestores de processos. Levering relaciona aqui no Brasil
a Microsoft como uma empresa que dá uma cesta de presentes
ao empregado antes mesmo dele começar a trabalhar.
Outra empresa brasileira, a Todeschini SA entrega aos recém
contratados uma lista na qual consta o salário detalhado
de todos os que lá trabalham. “Não estou
dizendo que todas as empresas devem fazer o mesmo como segredo
para o sucesso, pois isso não é receita de bolo;
o procedimento ideal é o de se fazer algo de acordo
com a sua cultura”, explica Levering.
Também faz parte do Giftwork importante tarefa de inspirar
os funcionários pela excelência, ou seja, fazer
com que eles se sintam parte integrante do trabalho, dos valores
internos e também da competição na qual
a empresa se insere dentro do mercado. Esse “presente”
dado ao funcionário não deve ser entendido apenas
como algo físico, mas primordialmente como uma oferta
de poder ele (funcionário) também se sentir
“dono” dessa empresa. “Para que o funcionário
ganhe de presente parte da responsabilidade em administrar
essa empresa há que se ter sempre honestidade e transparência
com ele e mais do que isso, a liderança ou gerência
deve ser acessível a todos”, afirma o criador
da lista das Melhores Empresas para se Trabalhar.
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Dividir e envolver as decisões
com todos os funcionários é o quinto e importante
ponto da confecção desse Giftwork. Para Robert
Levering esse é um passo que vem sendo aplicado em
poucas empresas no Brasil e um exemplo citado por ele é
o da Pormade – responsável pela fabricação
de portas. Ele entende também que nenhum dos passos
citados deve estar desconectado dos demais uma vez que se
trata de um ciclo.
Nessa conectividade o sexto passo entra como um dos mais importantes
para solidificar o processo: o agradecimento pelas contribuições.
De acordo com Levering, o Great Place to Work verificou em
suas visitas às empresas que muitos líderes
adoram demandar tarefas e cobrar pelo cumprimento e pelos
prazos. Mas que uma parcela bem reduzida deles está
acostumada a agradecer seus funcionários por terem
realizado a tarefa. Pois é o simples agradecimento
que traz ao ambiente de trabalho o chamado “algo mais”
que o funcionário irá fazer pela empresa. “Os
melhores locais de trabalho costuma ter políticas concretas
de incentivar o agradecimento aos funcionários por
fazer um bom trabalho e cada agradecimento faz com que na
próxima vez este funcionário elogiado se esmere
em fazer ainda melhor”, esclarece Robert Levering ao
dar como exemplo deste item no Brasil a Coca Cola Refrescos
Ltda.
Finalmente, o sétimo e último passo do ciclo
Giftwork é “cuidar das necessidades pessoais
de cada funcionário”. O verdadeiro líder
sabe que nenhum grande profissional existe se não estiver
bem em casa, com sua família bem atendida e sem conflitos
a resolver. “O gestor ideal deve ser flexível
com o funcionário em relação à
suas questões familiares”, acredita Levering.
Praticamente todas as empresas brasileiras citadas entre as
20 melhores para se trabalhar têm programas de benefícios
para os empregados e também para os colaboradores (prestadores
de serviços) que contemplam ampla flexibilidade aos
familiares destes.
Um desafio entendido por Robert Levering em relação
ao ciclo do Giftwork é que este novo conceito quebra
com muitos padrões de hierarquia e vai mexer com o
conforto de muita gente. “Mas a empresa que não
estiver disposta a entender e assimilar estes conceitos tem
grande chance de perder seus talentos para outras empresas
que adotem este modelo”, prevê o jornalista americano.
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