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| CONARH 2006 |
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Set-11-2006 |
CONARH 2006 – O que nos
interessa... Gestão por Valores –
com Simon Dolan da Esade Business School de Barcelona (Espanha)
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Por Alexandre Peconick (texto e fotos) |

Simon Dolan fez pesquisa por valores entre os participantes
do CONARH e concluiu
que as pessoas ainda são mais éticas do que suas
organizações e por isso muitos
não conseguem ter bons ambientes de trabalho |
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Alinhar seus valores (sentimentos
que você valoriza, como ética, respeito, eficiência,
entre outros) com seus objetivos estratégicos no trabalho
é hoje uma necessidade para se manter vivo no mercado,
quer como gerente de RH, quer como profissional de qualquer
área. Para falar dos seus inovadores conceitos da Gestão
por Valores, o Diretor do Instituto de Estudos Laborais na
Esade Business School em Barcelona (Espanha), Simon Dolan
veio ao CONARH e fez uma palestra que teve uma repercussão
excelente entre os gestores de pessoas. E deixou claro em
sua palestra que ao se referir às empresas também
estará se reportando aos profissionais, “pois
cada profissional de hoje deve se considerar e deve agir para
si mesmo como uma empresa”.
Para Simon Dolan, antes de abordar o conceito da Gestão
por Valores é primordial os gerentes de RH entenderem
que há que se mudar constantemente a cultura organizacional.
Para o estudioso americano, em time que está ganhando
se mexe sim, porque empresas que entram na chamada “zona
de conforto” acabam por sucumbir no mercado, citou o
exemplo da companhia aérea americana Pan Am. “A
obsolescência do conhecimento é muito rápida,
então é necessários sempre estarmos mudando
rapidamente para não estarmos desatualizados”,
explica Dolan.
Quatro tipos de empresas no mercado foram definidas por Simon
Dolan: as empresas impotentes (que não querem e não
sabem mudar; as arrogantes (que acham que sabem mudar, mas
não sabem); as frustradas (que querem mudar, mas não
sabem como) e as adaptativas (que querem mudar, sabem como
e buscam as ferramentas para tal). Infelizmente o quarto e
último modelo de empresa citado é o menos comum
e até por isso boa parte dos profissionais do mercado
passa a maior parte da vida em um trabalho onde não
gostam do que fazem. “Para mudar esse estado de coisas,
os gerentes têm que ser autênticos líderes
e mais do que isso, se tornar agentes facilitadores da criação
de ambientes descontraídos de trabalho”, explica
Dolan. O ideal é que cada profissional só trabalhe
naquilo que gosta de fazer, não apenas naquilo que
tem habilidade (talento).
O primeiro passo do novo conceito da Gestão de Valores
é o da simplificação. O modelo da Gestão
por Valores se baseia na confiança e não no
controle das tarefas de cada um. A gestão se divide
em três eixos: econômico, ético e emocional.
Para que uma relação profissional dê certo,
há que se compartilhar entre funcionário e empresa
os mesmos valores econômicos, éticos e sociais.
E há que se ter equilíbrio entre os três
eixos. Se o peso do lado econômico for maior, a empresa
perde credibilidade; se o ético for maior ela pode
perder de vista a performance e se o social for bem maior
a empresa tende a mascarar suas práticas.
Para criar uma boa Gestão por Valores, uma empresa
precisa inicialmente identificar quais dos seus líderes
tem maior disposição e maior condição
técnica para mudar. O RH deve saber filtrar os seus
profissionais mais ousados, mais corajosos. “E mesmo
assim esses profissionais precisam ser treinados para conseguirem
transmitir esses valores aos seus liderados; por isso eu começo
a selecionar os meus melhores profissionais identificando
quais deles têm mais brilho nos olhos, porque apenas
talento não é o suficiente”, esclarece
Dolan. Então os gestores devem implantar como estratégia
primordial a gestão por valores com os seus funcionários;
estes ao alinhar seus valores com os da empresa alcançam
melhor performance. |
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Dolan convidou voluntários da platéia
do CONARH para um exercício no qual cada um teve que
inventar um passo de dança, para propositalmente sair
da “zona de conforto” |
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Dentre desse princípio,
as empresas devem realizar periodicamente (semestralmente
é o ideal) uma “auditoria de valores”,
checando se os valores pessoais de cada profissional continuam
antenados aos da empresa. O combustível para que essas
auditorias dêem certo é o entusiasmo e a recompensa.
“As boas empresas devem recompensar funcionários
que se identificam 100% com seus valores, isso reverte positivamente
para qualquer empresa”, assegura Dolan.
Outro ponto importante nesse alinhamento entre empresa e funcionário
deve ser o conhecimento completo de cada funcionário
e criar pontos em comum entre eles. Por isso as empresas devem
estimular a colaboração em equipes. “Devemos
chegar a um ponto no qual não possam mais haver diferenças
entre aquilo que as pessoas pensam e o que elas fazem; passo
essencial para a mudança da empresa”, ensina
o profissional da Esade Business School. Os gestores e profissionais
do mercado devem alinhar os dois lados: valores e cultura
com estratégias e objetivos.
Cientificamente (por meio de pesquisas) já foi comprovado
que quando se extinguem as diferenças entre os valores
pessoais do funcionário e os valores da empresa cria
um ambiente de trabalho ideal para a retenção
de talentos e muito mais do que isso, para o aproveitamento
total do potencial de produtividade dos funcionários.
O que explica esse ganho? A geração de confiança.
No entender de Simon Dolan, quando se alinham os valores há
uma confiança explícita entre ambas as partes.
Dessa forma o funcionário passa a trabalhar como se
fosse o dono da empresa e tendo a confiança de que
terá todos os benefícios dos quais precisa.
“Mas não me entendam mal, não queremos
com a Gestão de Valores criar pessoas workaholics,
queremos apenas pessoas que acreditem no dia maravilhoso que
terão pessoal e profissionalmente”, alerta.
Dolan acredita na tese de que o mundo corporativo está
ansioso por mudanças e a razão disso é
muito simples: ou criamos ambientes maravilhosos de trabalho
e gerenciamos isso de forma a dar qualidade de vida a líderes
e liderados ou a tecnologia literalmente nos engole. Até
por isso, a Gestão por Valores – tema do livro
homônimo de Simon Dolan, lançado no Brasil recentemente
pela Editora Qualitymark – está se tornando popular
em muitos países do mundo, em alguns dos quais os agentes
de mudança também gerenciam seus superiores.
Simon Dolan citou um exemplo do sucesso de sua Gestão
por Valores em Cuba. “Fiz uma palestra para
o Fidel Castro que se interessou muito pelos conceitos do
meu livro. Mas o Fidel obrigou os 60 mil gerentes dele a lerem
o meu livro e para isso, feriu os princípios e o valor
da ética, ao fazer cópias pirata. Então
ficou provado que ele não entendeu nada sobre o que
diz o livro”, conta Dolan. Saber o conceito
não é tudo, praticá-lo é fundamental.
Por isso é necessário que os gestores tenham
sempre em mente os objetivos da Gestão por Valores:
ser feliz, saudável e produtivo na vida pessoal e profissional.
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