Conseguir uma suada medalha
em competição esportiva mesmo em uma competição
“aparentemente” individual requer o esforço
de um grupo de pessoas que trabalham harmonicamente. É
o caso de um nadador, onde atuam o nutricionista, o preparador
físico, o treinador, o psicólogo, o médico
e, é claro, o próprio atleta. Neste Pan Rio
2007 vimos uma série de exemplos de que este trabalho
de equipe é imprescindível para a alta performance.
No caso das empresas é a mesma coisa. Não há
mais organizações que consigam ter sustentabilidade
se trabalhar apenas focos isolados, todos têm que trabalhar
realmente em equipe.
Este é um tema que já se fala há muitos
anos, é motivo de ampla discussão dentro das
organizações, todos tentam colocar em prática
o sucesso do trabalho em equipe, mas não são
todos os que conseguem. Por isso também é muito
importante a presença firme do líder que sabe
formar a sua equipe, motivar a sua equipe e trazê-la
para o sucesso do negócio.
No Pan 2007 estamos vendo isso de forma mais do que clara.
Independente se o nosso atleta conquista o ouro, a prata ou
o bronze, o trabalho da equipe fica evidente. A união
de todos em torno do sucesso de um premia o trabalho de cada
um. Na ginástica artística feminina a Daiane
dos Santos, até então maior estrela de uma constelação,
se machucou, mas não abandonou a equipe. Quando a Jade
Barbosa se preparava para seu exercício, ela passava
pó de magnésio nas barras, cuidando de detalhes
para auxiliar a performance da colega de equipe. Foi notório
o esforço que todas faziam para que uma alcançasse
o melhor resultado final. Na natação e no remo
as equipes também têm levado ao Brasil a resultados
nunca antes alcançados.
Nas empresas se os colaboradores não tiverem o chamado
“espírito de equipe” fica muito mais difícil
de se levar as coisas em frente, de se dar o próximo
passo em qualquer ação.
Outro ponto chave no trabalho em equipe é o de saber
lidar com os problemas. Colaboradores de organizações
precisam ter consciência de que é preciso dividir
um problema com todos. Mesmo que determinados problemas possam
parecer ter conotação individual eles irão,
sem dúvida, afetar todo o rendimento da equipe. Então
a solução deve ser buscada em conjunto. Com
cinco ou seis cabeças pensando a solução
vem com muito mais eficácia (rapidez + eficiência).
Penso que o trabalho em equipe tem ainda outra característica
vital que é a de ensinar as pessoas a ter um alto grau
de disciplina no que concerne em respeitar os outros. Porque
não é somente a sua opinião que vale,
mas a opinião da equipe inteira. E nós sabemos
que uma das coisas mais difíceis para o ser humano
é que a opinião dos outros tenha validade em
cima da dele. E o trabalho em equipe exige este tipo de comportamento,
ou seja, que você respeite, aceite e entenda a opinião
dos demais. Cada um precisa entender que é um pedacinho
do todo e que não é o “dono da verdade”.
A boa equipe é aquela na qual todos assumem um eventual
insucesso e todos participam de uma vitória. No Pan
quando um atleta ganha uma medalha ele se confraterniza com
todos os colegas. A disputa dele é individual, mas
o trabalho é de equipe.
Quando as empresas têm alguma dificuldade em se colocar
em prática o trabalho de equipe, em primeiro lugar
é porque falta liderança, ou melhor, não
existe a presença física do líder. E
líder não no sentido de mandar, mas de orientar,
ouvir e saber conduzir. Outro motivo que dificulta se colocar
em prática o trabalho em equipe é o fato de
ainda existirem profissionais que retém informação.
Erroneamente estes acham que têm poder pelo fato de
reter informação. O poder é você
passar à frente, disseminar essa informação.
Quanto mais informação útil você
passar à equipe, mais forte você será.
Os próprios grandes líderes do mercado sabem
que nós somos 90% de transpiração e somente
10% de inspiração ou de talento. Se não
suarmos a camisa e envolvermos a equipe não chegaremos
ao resultado.
Um exemplo ideal desse 90% de transpiração foi
o nosso futebol na recém encerrada Copa América
- realizada na Venezuela. Diferentemente da Copa da Alemanha
(2006) onde tínhamos excelentes astros que não
formaram uma equipe, agora tínhamos pouquíssimos
talentos, mas eles formaram uma grande equipe conduzida pelo
seu líder Dunga. Ao contrário da nossa equipe,
a Argentina tinha maior número de talentos, mas, ao
menos contra o Brasil, não conseguiram formar uma equipe.
Ás vezes o trabalho de equipe se sobrepõe ao
conjunto de competências individuais. Boa parte dos
brasileiros achava que aquele time não venceria a Argentina
e, com a força do espírito de equipe, vencemos
até com certa facilidade. Todos sabem que não
são os melhores talentos individuais, mas já
vimos que bem motivados, bem orientados e suando demais a
camisa eles formam uma grande equipe e estes ingredientes
conduzem ao sucesso |