Muitos grandes profissionais
hoje estão empregados, ganhando razoavelmente bem,
mas, saudavelmente o ideal é que busquem sempre melhorar.
Os head hunters procuram esses talentos para levá-los
aos seus clientes (empresas). Mas como ser o alvo desses head
hunters? Será que eu tenho o perfil de um profissional
que um head hunter procura? O que posso fazer para entrar
na rota de um head hunter? São perguntas que alguns
profissionais vêm se fazendo no mercado atual.
Para entendermos essa questão, primeiro é fundamental
definirmos o que é um “head hunter”, quais
são as habilidades específicas deste tipo de
profissional em Recursos Humanos e como se “constrói”
um “head hunter”. Traduzindo ao pé da letra
o head hunter é um “caçador de cabeças”.
Geralmente um head hunter é um profissional de RH com
uma vasta a variada bagagem acumulada ao longo de muitos anos.
E acumulada em quê? Em processos de entrevistas e em
procedimentos para conhecer pessoas. Também tem que
ser uma pessoa de fino trato, porque o trabalho de se localizar
um alto executivo requer muitas vezes um almoço, um
jantar ou uma festa. Apresentação pessoal conta
demais. Um “head hunter” de alto nível
freqüenta bons locais, restaurantes, clubes, eventos.
É um profissional extremamente discreto, pois às
vezes ele está fisicamente dentro de uma organização
e quer levar profissionais para outra. A ética também
é imprescindível, pois jamais ele pode tirar
um profissional de um cliente dele para levar este a outro
cliente. Para ser um “head hunter” há que
se agregar muitos valores para assim ser reconhecido pelo
mercado. É o mercado que faz de você, profissional
de RH, um “head hunter” ou não.
Há muito poucos “head hunters” no mercado.
Se juntarmos todos os “head hunter” do Rio de
Janeiro e de São Paulo não chegamos a 30 profissionais.
Os “head hunter” pessoa física de talento
aqui do Brasil conseguem alcançar uma performance maior
do que os head hunter vinculados à uma empresa multinacional
porque eles conhecem muito mais a fundo a cara desses profissionais
diferenciados, conhecem mais de mercado. O ideal é
que um bom head hunter já tenha sentado do outro lado
da mesa, ou seja, que já tenha sido um alto executivo,
dessa forma ele conhecerá o posicionamento ideal para
uma entrevista. Aqui no Rio de Janeiro há de 10 a 12
grandes head hunter que se sentam à mesa com os Presidentes
de grandes empresas para conversar abertamente. Não
há esse número tão grande de grandes
head hunter que os anúncios de jornal mostram. Caro
profissional, aliás, cuidado com a propaganda enganosa
de alguns anúncios de jornal, de gente que cobra pagamento
de candidatos. Falta de ética existe em qualquer profissão.
Head hunter de verdade nunca cobra de candidato, mas sim de
uma empresa que encomende o serviço.
E como ser alvo dos autênticos “head hunter”?
Se você tenha aguçada autocrítica e se
considera um grande profissional é bom não se
desesperar. Até porque a cada dia a dificuldade em
se caçar bons executivos é muito maior. Já
tivemos há 10 ou 15 anos uma elite de mão-de-obra
formada muito maior para as organizações. Hoje
é difícil localizar gente qualificada. Então
se percebe nas empresas que a troca de altos executivos é
muito menor.
O que melhorou muito nesse mercado e também para o
trabalho dos “head hunter” foi a ascensão
da mulher no mercado de trabalho aos níveis executivos.
Os exemplos altamente positivos que temos visto de mulheres
que assumem o poder são muitos. Alguns maridos de mulheres
exponenciais no mercado hoje em dia não se importam
em serem coadjuvantes. Isso é uma transformação
cultural muito importante e que beneficia o “head hunter”.
Para as mulheres é importante que saibam que não
existe mais o preconceito de “head hunter” quando
buscam alguém com alta qualificação.
Mais do que ser homem ou mulher, hoje importa muito mais a
postura que o profissional tem para gerenciamento de situações
de risco.
E que tipo de formação tem que ter esse profissional
que o “head hunter” busca ou que tipo de posição
ele deve estar ocupando no mercado; pode ser um prestador
de serviço? Depende muito. Há hoje diversas
gamas de executivo. O primeiro alvo de caça é
o profissional formado em uma ótima universidade, com
um MBA de peso, Doutorado no exterior e outros cursos complementares.
Mas também pode alvos executivos de 26, 27 anos, mesmo
sem tanta experiência e tanto currículo. Essa
falta de talentos gera isso. Um grande potencial pode ser
identificado e depois treinado para se tornar um grande executivo.
É fundamental o “head hunter” saber identificar
profissionais com potencial de liderança.
Vou bater nessa tecla, mas é fundamental o profissional
caprichar em sua apresentação pessoal. Qualquer
organização (empresa) valoriza esse item. O
head hunter hoje tem que entrar muito na vida pessoal do executivo
com o qual ele está conversando. Tem que saber como
é a família dele, como são os hábitos,
se ele faz ginástica, se é uma pessoa equilibrada,
se faz check up médico. O nível de estresse
influencia demais no rendimento de um alto executivo. O nível
de expectativa desse profissional também conta demais.
Pode parecer mero detalhe, mas educação à
mesa é fundamental e se reflete em tudo. Um head hunter
amigo meu me dizia muito que logo na primeira vez que saía
para almoçar com um executivo pedia ao garçon
um paliteiro e o coloca à frente desse executivo. Se
o sujeito colocasse a mão no palito já estava
eliminado por ele, porque não há falta de educação
maior do que palitar os dentes na hora do almoço. Guardei
isso muito. A educação se observa nos detalhes.
E se o executivo erra em um detalhe compromete a imagem da
empresa. Não é frescura, mas um executivo se
puder e tiver tempo deve fazer um curso de etiqueta. Pequenas
falhas podem colocar um negócio a perder.
O mundo está mudando a uma velocidade tão grande
que hoje o profissional de 50, 60 anos está se atualizando
e se flexibilizando de forma fantástica. Isso não
acontecia há uns 20, 30 anos atrás, quando os
executivos eram mais gessados.
Altos executivos hoje são oriundos de diversas áreas.
Li outro dia no jornal Valor Econômico que um alto executivo
que assumiu uma subsidiária da Vale do Rio Doce, trazido
por um head hunter veio de uma empresa de Comunicação.
Não tinha nenhuma ligação com Administração
de Empresas ou com o negócio de minério, de
ferro, etc. Era um profissional que tinha as competências
para arrumar a organização. Tem-se percebido
muitos nos últimos tempos gerentes de banco entrando
na área de Recursos Humanos de empresas. Quando esses
gerentes são mais interessados em sua formação
acabam fazendo MBA em Gestão de Pessoas. Acabou-se
aquele negócio que RH tem que vir de Psicologia ou
de Administração.
Outro ponto fundamental para ser caçado por um head
hunter é você desenvolver a sua network, ou seja,
nada mais como criar e cultivar bons relacionamentos. Porque
um head hunter circula muito e pergunta muito mais ainda sobre
você, caso seja um dos seus possíveis alvos para
um grande cargo em uma empresa. Uma primeira entrevista de
um head hunter com um candidato a grande executivo não
pode demorar em média menos do que uma hora ou uma
hora e meia.
Um grande executivo já posicionado no mercado não
precisa ficar enviando seu currículo para consultorias.
Uma boa visibilidade de mídia e em eventos já
serão o suficiente para ele. Aparecer em alguma entrevista,
freqüentando bons congressos, almoços, ser escutado
por um site, por algum veículo de mídia. Ficar
escondidinho não vale à pena.
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