1 ANO SEM LUIZ CARLOS CAMPOS - “Um homem e profissional muito além de seu tempo”
SETEMBRO / 2006  
De Joaquim Lauria

Diretor Geral do Grupo LET e Diretor de Marketing da ABRH-RJ
(Associação Brasileira de Recursos Humanos – seccional Rio de Janeiro)
 

Vou dividir hoje com os nossos internautas informações a respeito de um ser humano de primeiríssima grandeza: o gestor de pessoas Luiz Carlos Cerreia Campos. Profissional nota mil, pai de família exemplar e amigo imprescindível que, fisicamente, nos deixou há exato um ano, no dia 18 de setembro de 2005.

Os argumentos abaixo ajudarão vocês, que não conheceram o Luiz Carlos, a entenderem o porquê do artigo do mês de setembro estar sendo dedicado exclusivamente a ele. Aos que conheceram o Luiz Carlos peço que unamo-nos para relembrar com carinho o seu importante legado.

Eu, Joaquim Lauria, fui um privilegiado por ter convivido com o Luiz Carlos Campos por praticamente 35 anos. Conheci o Luiz Carlos no início de sua vida profissional quando ele trabalhava na RJR Refrescos (Coca-Cola). Convivi com o profissional e com o homem Luiz Carlos Campos com a mesma intensidade. O Luiz foi uma pessoa ímpar, fora de época, ou seja, um homem e profissional muito além de seu tempo. Quando nos conhecemos eu trabalhava na CCPL. Vivíamos no Rio de Janeiro no início dos anos 70 a época da construção e da instalação da Ponte Rio-Niterói, um importante marco para a economia do nosso estado. Paradoxalmente, justamente por causa dessas obras, no nosso mercado de trabalho em particular convivíamos com um problema: a acentuada falta de mão-de-obra masculina. Então as empresas próximas, a CCPL, Jornal do Brasil, Gillete do Brasil, a Coca Cola, Helena Rubinstein, entre outros, se reuniram para lutar pelos interesses em comum. Fizemos o Grupo ÍRIS (Intercâmbio de Relações Industriais). Foi a partir dessa época que partimos para um desafio novo: contratar mulheres para trabalhar na área industrial. Nós fomos ao Ministério do Trabalho para conseguir abrir alguns precedentes para contratar mulheres, o que na época era um tabu enorme em todo o país. Não se entendia que a mulher poderia trabalhar na área industrial. A participação das mulheres engrandeceu demais essas empresas desse grupo. E desse momento histórico para o mercado de trabalho nasceu a minha amizade com o Luiz Carlos Campos. Fizemos por este grupo viagens ao exterior fantásticas para estudos de relações industriais. Mas o maior legado desse grupo foi ter conhecido o Luiz Carlos. A gama de conhecimentos e de experiências que acumulei com ele e por meio dele tem para mim um valor inestimável.

Para começar, eu nunca vi o Luiz desejar mal a ninguém. Quando alguma coisa não o agradava ou não o deixava satisfeito, ou quando algo quebrava os princípios da ética ele simplesmente se afastava porque não conseguia fazer mal a ninguém. Ele procurava ajudar a todos, de um pequeno funcionário de uma empresa a um alto executivo.

Cito um exemplo ocorrido há uns quatro anos para que possamos dimensionar esse altíssimo grau de altruísmo que ele tinha. Estávamos em um evento da ABRH-RS (em Porto Alegre) e fazia parte do Conselho Deliberativo daquela entidade um Curador da VARIG. Uma pessoa mais idosa que, na reunião, demonstrou passar por um momento muito difícil em sua vida pessoal. Após a reunião o Luiz o procurou e começou a bater um papo lhe dando vários conselhos. Aquele papo acabou se alongando mais do que devia e acabamos (eu e o Luiz) perdendo o vôo de volta para o Rio de Janeiro. Alguns dias depois do ocorrido esse senhor me ligou (porque fui eu quem fez a interface entre ele e o Luiz Carlos), dizendo que o Luiz Carlos tinha gravado uma fita cassete com frases e situação da vida. E este senhor ficou impressionado como um homem muito mais novo do que ele (o Luiz Carlos) poderia dizer coisas tão impressionantes e que ele nunca tinha ouvido antes. O Luiz Carlos Campos era uma pessoa diferenciada, dessas personalidades que nunca haverá outra igual. Eu conheço muito os filhos dele e digo a todos eles que “pai e figura humana igual ao deles nunca haverá”.

Outro dado importante a lembrar sempre que o nome Luiz Carlos Campos me vem à mente é a magnífica capacidade que ele tinha de antever panoramas profissionais e de trazer para o nosso mercado de trabalho sempre as mais modernas práticas. Sonhar pequeno nunca foi com ele. Seus vôos eram sempre os mais altos possíveis e, até por isso, nas gestões dele ABRH-RJ (1998 a 2003) e ABRH-Nacional (2004 e 2005) deram enormes saltos qualitativos.

O Luiz era um estudioso incansável. Em 2001 ele me procurou e disse que precisávamos nos reciclar. Então ele foi fazer um MBA em Marketing na Coppead, UFRJ. Despontou como um dos melhores alunos. Estudava e lia demais, estava antenado com tudo o que acontecia na gestão de pessoas do mundo inteiro. Ele sempre freqüentava todos os congressos da ASTD nos Estados Unidos e falava inglês fluentemente. Mais do que isso, tinha o dom também de falar para pessoas em todos os níveis culturais as palavras e frases certas, nas horas certas. E eram sempre frases que você não conseguia imaginar de onde saíam. Quem trabalhava com o Luiz Carlos Campos estava sempre motivado porque ele jamais deixava alguém de sua equipe sem uma palavra de ânimo, de carinho, de afago.

Lembro que quando o Luiz estava para assumir a ABRH-Nacional, ocorreu um fato que precipitou o início de sua gestão antes mesmo de tomar posse. Em agosto de 2003 já se sabia que ele assumiria no dia 1º de janeiro de 2004. Ainda em 2003 uma tragédia se abateu sobre Cingapura, país que sediaria o Congresso Mundial de RH em junho de 2004. Com este ocorrido o Luiz Carlos Campos aceitou dois desafios fantásticos: primeiro foi o de trazer o congresso para o Brasil com menos de um ano de preparação e o segundo desafio, tirar o evento de São Paulo e trazê-lo para o Rio. O Luiz Carlos foi o primeiro presidente da ABRH-Nacional não-paulista a quebrar paradigmas. E o fez no peito e na raça, com a ajuda de amigos também. Em setembro de 2003 me lembro de uma reunião que tivemos com o presidente do Riocentro e com o Prefeito do Rio, César Maia. Naquele dia se uniram a capacidade de negociação do Luiz Carlos à capacidade de visão do prefeito carioca, que colocou o institucional (a imagem positiva do Rio de Janeiro) á frente do fator financeiro. O Rio fez o CONARH e o Congresso Mundial no mesmo local, no mesmo mês de junho e no mesmo ano de 2004. Trouxemos pensadores fantásticos do exterior, pensadores maravilhosos, naquele que sem dúvida foi o maior evento de RH (ou gestão de pessoas) já realizado aqui no Brasil. E foi um trabalho incansável do Luiz Carlos. E nos anos em que convivemos lado a lado, poucas vezes o vi trabalhar tanto como nos meses e dia anteriores aos dois eventos que marcaram época.

Dias depois do Congresso Mundial realizado no Rio de Janeiro ele me convidou para tomarmos um sorvete – ele adorava tomar sorvete – com a intenção de avaliarmos o Congresso. Foi aí que ele me confessou: “Olha, nem eu esperava tamanho sucesso como vimos nestes dois eventos”. E foi mesmo! Trouxemos 8.500 pessoas, uma delegação de quase 3 mil pessoas do exterior. Graças a Deus naquele ano não tivemos problemas de segurança no Rio de Janeiro. Acho que o Luiz tinha uma estrela que iluminava os caminhos dele. Tudo dava certo quando ele botava a mão.

O legado do Luiz Carlos Campos foi para todos nós de Recursos Humanos inesgotável. Ele tinha frases geniais. Era uma figura humana que levava a ética como a palavra número um (1) da vida dele e, até por isso, jamais se usou de qualquer cargo para tirar qualquer tipo de vantagem. Também por isso ele é o meu guru. Tenho um retrato dele em meu escritório e olho para este retrato todos os dias antes de começar a trabalhar. É uma inspiração.

Se o Luiz fosse vivo e fizesse uma palestra no Congresso Nacional muitos parlamentares certamente iriam renunciar porque não conseguiriam se enquadrar naquilo que ele fala sobre ética. Esse foi o grande legado que ele deixou. Hoje eu quando penso no Luiz, penso com alegria, porque ele era um cara que adorava viver com alegria.



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